Caixa veta delta a empregados com falta injustificada e trava negociação

24/02/2022 19:03

Banco concordou em pagar o delta linear a todos os empregados elegíveis, mas se manteve irredutível em relação aos bancários que tiveram uma única falta injustificada. Veto aos empregados com falta pode ser retaliação aos que fizeram paralisação de 24h em abril

O Grupo de Trabalho (GT) de Promoção por Mérito na Caixa voltou a se reunir com representantes do banco nesta quinta-feira, 24, com o propósito de construir uma proposta final sobre o Plano de Cargos e Salários (PCS) e os critérios para pagamento dos valores referentes ao delta.

A Caixa aceitou pagar um delta para todos os empregados elegíveis e manter o segundo delta de acordo com os critérios que o banco havia estabelecido no começo das tratativas com base no programa de Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP). Essa proposta, no entanto, travou ante a posição da Caixa de vetar o pagamento do delta aos empregados e às empregadas que tiveram uma falta injustificada.

Punição

Para Lizandre Borges, diretora do Sindicato dos Bancários e integrante da Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa), a intransigência do banco em se recusar a incluir os empregados com falta injustificada cheira à retaliação. “É muito simbólica a posição da Caixa. É inevitável não interpretar a exclusão dos empregados com falta como punição aos bancários que participaram da paralisação nacional de 24 horas em abril do ano passado. A Caixa passa um recado subliminar a todos os empregados: ‘quem faz greve é punido’. Essa é uma posição velada, mas não deixa de ser muito grave. Funciona como uma intimidação ao direito legítimo de todo trabalhador em fazer greve”, assinala.

Greve 24h

A dirigente lembra que no dia 27 de abril do ano passado, após assembleias em todas as bases sindicais, ficou decidido que os empregados e as empregadas da Caixa fariam uma paralisação de 24 ou retardariam a abertura das agências. “Aqui no Espírito Santo a decisão foi pelo retardamento da abertura das agências, mas muitos estados optaram em fazer a paralisação de 24 horas. Esse dia foi registrado como falta injustificada”, recorda.

Nos protestos de abril os empregados manifestavam insatisfação com a abertura de capital da Caixa Seguridade, com a PLR Social (pagamento estaria incorreto) e pediam medidas de segurança mais rigorosas contra a covid-19, pleiteando, inclusive, a inclusão dos bancários no grupo prioritário de vacinação. A contratação dos aprovados no concurso de 2014 também estava na pauta de reivindicações do ato de abril.

A representação dos empregados defende que o fato de haver apenas uma falta injustificada não configura falta de compromisso do empregado com o banco e, por isso, não pode ser considerado como critério que impeça a inclusão no grupo de trabalhadores elegíveis.

Para a dirigente, a falta de coerência na posição da Caixa é patente, mas um sinal de que a medida é punitiva. Ela lembra que em anos anteriores o banco concedeu o delta linear para os empregados que tiveram até três faltas injustificadas no grupo de elegíveis.

Ainda não há uma nova data definida, mas as negociações com o banco devem ser retomadas nos próximos dias para tentar resolver o impasse em relação aos empregados com falta injustificada. Os representantes dos empregados estão preocupados porque a data final para o pagamento do delta está muito próxima, mas garantiram que vão insistir para retomar as tratativas o quanto antes.

A proposta

Todos os empregados elegíveis recebem 1 delta;
Impedimentos de composição do grupo de elegíveis:
Menos de 180 dias de exercício efetivo;
Estar com o contrato de trabalho suspenso na data da apuração da promoção;
Ter penalidades no ano-base (advertência, suspensão, censura ética);
Apresentar falta não-justificada;
Estar na última referência salarial.
Pagamento do segundo delta aos empregados classificados como “desempenho excelente”, de acordo com o programa de Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP).