Capixabas marcham em Vitória no Dia Internacional da Mulher

25/06/2026 16:00

“Construímos nosso 8 de Março com unidade nas lutas com o conjunto de trabalhadoras do campo, das florestas, das águas e da cidade”

As mulheres capixabas foram às ruas nesta sexta-feira, 8, celebrar o Dia Internacional da Mulher. Saíram da Casa Porto, no Centro de Vitória, e caminharam até o Palácio Anchieta, sede do Governo Estadual, levando suas reivindicações e estampando suas lutas pelas ruas do Centro da capital capixaba. “Construímos nosso 8 de Março com unidade nas lutas com o conjunto de trabalhadoras do campo, das florestas, das águas e da cidade”, anunciaram elas no Manifesto do #8M.

A diretora da Secretaria de Mulheres do Sindicato, Cláudia Garcia, falando em nome da entidade no ato, afirmou: “defendemos mais vagas de empregos com dignidade, condições adequadas de trabalho e salários que correspondam às necessidades reais e concretas das mulheres. Lutamos também para que as diferenças salariais entre homens e mulheres sejam rompidas; para que as mulheres ocupem cargos de liderança; para que as mulheres possam ser protagonistas de suas vidas e de seus corpos; e que haja investimentos em políticas públicas voltadas às prioridades das mulheres”.

Vanessa Espíndula, também diretora do Sindicato, ressaltou: “nós, da Intersindical, estamos juntos com as mulheres na defesa da luta por melhores condições de vida, numa política democrática, livre, igualitária e socialista. Para enfrentar o patriarcado, o crescimento brutal dos feminicídios e os retrocessos sociais que ameaçam a vida, a autonomia e a dignidade das mulheres, precisamos estar todas e todos juntos. Essa luta precisa ser de toda a sociedade, todos os dias”.

No Manifesto do #8M, as mulheres enfatizaram a necessidade de enfrentar a violência política de gênero e o feminicídio, fortalecer as lutas em defesa do aborto legal, seguro e gratuito; contra o racismo, o capacitismo, a transfobia, a xenofobia, a destruição ambiental, entre outros temas.

O feminicídio mereceu destaque durante o ato. Segundo dados do Observatório de Segurança Pública do Governo do Estado, foram 84 homicídios de mulheres em 2023, sendo 34 classificados como feminicídios. As mulheres reivindicaram o pleno cumprimento da Lei 14.541/2023, que prevê o funcionamento 24 horas, incluindo domingos e feriados, das delegacias da mulher. “Denunciamos o esvaziamento dessas delegacias e a substituição por salas rosas”, considerados mecanismos insuficientes de proteção à mulher. “Queremos o cumprimento do Pacto Estadual pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres que não foi assinado por todos os municípios capixabas”, afirmaram no documento oficial da manifestação.

O manifesto cobrou o funcionamento, no Espírito Santo, dos serviços de abortamento legal garantindo os direitos das mulheres e crianças vítimas de violência. Também reivindicou uma Rede de Atenção Psicossocial com financiamento público para os serviços de saúde mental para as mulheres serem atendidas com dignidade e cuidado.

As mulheres se colocaram contra a exploração do sal-gema no Norte capixaba, contra o marco temporal na demarcação de terras indígenas, pela revogação da reforma do ensino médio e pelo fim das perseguições políticas e dos atos de violência da extrema direita nas escolas. Foi cobrada justiça e reparação no caso do massacre na escola Primo Bitti, em Aracruz, quando três professoras e uma aluna foram assassinadas após um ataque.

Em âmbito internacional as capixabas manifestaram solidariedade às mulheres palestinas que sofrem genocídio pelo governo de Israel com a cumplicidade do imperialismo estadunidense e europeu. Também estão solidárias às mulheres latino-americanas que têm sofrido em seus países ameaças e efetivação de golpes e, em especial, às mulheres da Argentina, cujo presidente tem atacado as políticas públicas, os centros de pesquisa e as universidades.