Cassi completa 79 anos na expectativa de construir pontes com a nova gestão do BB

27/01/2023 16:06

Para Fernando Amaral, diretor de Risco Populacional, Saúde e Rede de Atendimento da Cassi, há uma expectativa positiva de buscar soluções conjuntas com a nova Presidência do BB para os impasses de custeio do plano 

Em 27 de janeiro de 1944 nascia a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, a Cassi, que se tornaria o maior plano de autogestão do país. Durante esses 79 anos de vida, o movimento sindical e os funcionários do BB têm lutado para manter a Cassi fiel ao seu princípio basilar: a solidariedade. 

Na avaliação de Fernando Amaral, diretor de Risco Populacional, Saúde e Rede de Atendimento da Cassi, há uma expectativa positiva para o futuro da Cassi. Ele diz que hoje há novamente um ambiente favorável para estabelecer um canal de diálogo com a nova gestão do Banco do Brasil, agora representada pela presidenta Tarciana Medeiros, que tomou posse no último dia 16. Amaral afirma que esse novo ambiente institucional facilitará a busca de soluções conjuntas para a Cassi enfrentar os impasses em relação ao custeio – considerado hoje o principal gargalo do plano de autogestão.

Em registro aos 79 anos da Cassi, a diretora do Sindicato dos Bancários/ES Bethânia Emerick se diz orgulhosa da visão de futuro dos fundadores, que lutaram para criar o que é hoje o maior plano de autogestão do Brasil. “Patrimônio dos funcionários e das funcionárias do Banco do Brasil, e dada sua enorme importância para todos os associados e seus familiares, a Cassi deve ser defendida, valorizada e tratada com respeito. A história da Cassi acaba se confundindo com a luta dos próprios bancários, já que sua existência é resultado direto da mobilização dos trabalhadores e das trabalhadoras do BB, que lutaram nos anos 40 para garantir um atendimento digno de saúde”, afirma a dirigente.

Bethânia acrescenta que uma Cassi sustentável, perene e fiel ao princípio da solidariedade depende de uma maior participação do patrocinador do plano, o Banco do Brasil. “A fala de Fernando Amaral aponta para uma perspectiva positiva com a nova gestão do BB. Resgatar o diálogo com a direção do banco, que ficou truncado durante o governo Bolsonaro, é imprescindível para garantirmos a sustentabilidade do plano”, destaca a dirigente. 

Déficit de R$ 360 milhões

A diretora do Sindibancários recorda que a Cassi fechou 2022 com um déficit de R$ 360 milhões. Segundo Bethânia, a solução apresentada foi o aumento da coparticipação para 50%, que onera apenas os associados, sem nenhuma medida de responsabilização do Banco do Brasil. A proposta de aumento da coparticipação, apresentada em meados de novembro do ano passado – ainda sob a direção anterior do BB -, foi rejeitada pelos representantes dos trabalhadores e associados. 

Fernando Amaral, que assumiu a Diretoria de Risco Populacional da Cassi junto com outros conselheiros e suplentes, em junho de 2022, inclusive com o apoio do Sindicato, afirma que há uma preocupação em manter a estabilidade no Caixa da Cassi para o custeio do plano. Segundo o diretor, hoje a Cassi tem uma reserva financeira bruta de cerca de R$ 3,6 bilhões, mas ele pondera que a entidade tem de fazer caixa justamente para não ter problemas futuros de fluxo financeiro. “Estou bastante otimista que ainda este ano iremos rever o custeio com a nova direção do BB”, projeta. 

Quem também se manifestou sobre o aniversário da Cassi foi Rapha Dantas, coordenador do Conselho de Usuários da Cassi no Espírito Santo. “Cassi chega aos 79 anos cada vez com mais relevância na vida dos funcionários do Banco do Brasil. Ela se tornou um ativo importante que precisa ser preservado, valorizado e defendido por todos, para que permaneça perene e sustentável, conservando sempre o fundamento da solidariedade”, afirmou.