Bancários e bancárias do Banco do Brasil irão priorizar esse ano o debate sobre sustentabilidade da Cassi, já que a previsão para rediscutir o custeio do plano de associados está pendente desde 2022.

Para o diretor do Sindibancários/ES, Igor Chagas, para iniciar esse debate é importante pontuar a diferença entre os planos de saúde autogeridos, como a Cassi, e os demais planos de saúde comerciais. “As caixas de assistência autogeridas não visam lucro, portanto, os reajustes anuais são, na verdade, os reajustes salariais dos associados, que acompanham a inflação média, não a inflação médica, que é o que baliza os reajustes dos planos comerciais e é muito acima da média. Os reajustes reais dos planos autogeridos são programados e só acontecem de tempos em tempos”, explica Igor.

Ao longo dos 82 anos da Cassi, esse modelo de custeio possibilitou que fossem feitos apenas três reajustes reais no plano. O primeiro aconteceu em 1970 – 26 anos após a criação do plano em 1944, o valor passou de 1% do salário de todos os associados para 3% da folha de pagamento. A segunda mudança aconteceu em 1996 – também com intervalo de 26 anos – quando o valor passou a ser 7,5% (sendo 3% dos funcionários e 4,5% do BB). E este custeio durou mais 23 anos e somente em 2019 foi feita nova mudança, desta vez com previsão para durar apenas três anos. Por isso o debate sobre o modelo de custeio está pendente desde 2022 e vem sendo reivindicado como prioridade pelos associados.

“Compreender o funcionamento do nosso modelo de custeio é fundamental para entender que o déficit é planejado, portanto, não acontece por má gestão. A gente faz a revisão do custeio, tem o aporte do patrocinador e vai se fazendo uma reserva – a receita é maior que a despesa – depois de X tempo, essa reserva começa a ser gasta, ou seja, começamos a ter despesa maior que receita, o que chamamos de déficit planejado. Somente entramos em déficit real quando acabamos com essa reserva”, explica Igor.

A última revisão de custeio, feita em 2019, programou a necessidade de nova revisão para 2022. Contudo, a estratégia de atenção à saúde primária desenvolvida pela Cassi nos últimos anos, evitou um gasto de mais de R$ 3 bilhões do plano, possibilitando o adiamento dessa revisão por dois anos.

“Portanto, essa é uma pauta chave da campanha, não dá mais para adiar. Inclusive, todas as chapas que concorreram nessa eleição da Cassi assumiram o compromisso de exigir do patrocinador a participação de 70% do custeio, ficando 30% a cargo dos funcionários. Não podemos aceitar que o BB siga adoecendo seus trabalhadores e, ao mesmo tempo, se recusando a contribuir de forma mais efetiva a promoção da saúde dos bancários”, ressalta Igor.