
Na terceira rodada de negociação do acordo específico do Banco do Brasil na Campanha Nacional dos Bancários 2026, realizada na quinta-feira (23), a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) denunciou o assédio moral relacionado ao cumprimento de metas consideradas abusivas, apontando o aumento dos casos de adoecimento e a precarização das condições de trabalho e do atendimento à população.
Os representantes dos funcionários também reivindicaram a realização de um novo concurso público e a contratação de mais empregados, especialmente para as agências. Outro ponto central da negociação foi a cobrança por uma solução urgente e definitiva para a sustentabilidade da Cassi. Após esse avanço, a representação dos trabalhadores defende que o banco encaminhe a inclusão dos funcionários oriundos de bancos incorporados na Cassi e na Previ, além da retomada do direito à Cassi no período pós laboral para os empregados admitidos a partir de 2018.
“O tema abordado nesta terceira mesa é de suma importância para todos nós: a saúde do trabalhador. Iniciamos o debate da mesa enfatizando que o Banco do Brasil deve se responsabilizar pelo custeio da Cassi. A sustentabilidade do plano vem sendo pauta há muito tempo, mas o que precisamos agora é de um aporte financeiro emergencial. Não há como chegar a novembro com a Cassi sem recursos para quitar seus compromissos financeiros”, afirmou a Nathalia Gallini, diretora do Sindibancários/ES e representante da Fetraf RJ/ES.
“Também é fundamental que o banco assuma seu papel, pois a forma como vem desvalorizando o corpo funcional é o principal causador do nosso adoecimento”, acrescentou.
Assédio moral, metas abusivas e adoecimento
Outro tema central da negociação foi o crescimento dos casos de adoecimento, especialmente relacionados à saúde mental. De acordo com a Consulta Nacional dos Bancários 2026, 40% dos respondentes afirmou que fez uso de medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos e estimulantes, nos últimos 12 meses.
Para a Comissão, o enfrentamento desse cenário passa pela melhoria das condições de trabalho. “Exigimos um compromisso real do banco com a saúde da nossa categoria. Combater a sobrecarga de trabalho e fixar metas humanas e realistas é o passo necessário para isso, estabelecendo desde o princípio metas plausíveis, a fim de garantir um ambiente em que todos possam trabalhar com equilíbrio e tranquilidade”, destacou Nathalia.
Fernanda Lopes, coordenadora da comissão, relacionou o aumento das despesas da Cassi ao crescimento dos afastamentos por adoecimento. “Além do achatamento salarial decorrente das reestruturações, o número crescente de adoecimentos, principalmente por transtornos mentais, aumenta os custos da Cassi. Cresce o número de trabalhadores utilizando medicamentos controlados, algo que infelizmente vem sendo naturalizado. Melhorar as condições de trabalho e a qualidade de vida também significa reduzir os adoecimentos e contribuir para a sustentabilidade do plano de saúde.”
A CEBB também afirmou que o Banco do Brasil precisa rever sua estratégia para fortalecer sua atuação como banco público e voltar a cumprir sua função de agente de desenvolvimento do Estado, em vez de priorizar apenas os interesses do mercado financeiro.
PSO
A situação dos trabalhadores da PSO também esteve na pauta da negociação. Segundo a CEBB, os empregados da área enfrentam sobrecarga e acúmulo de funções. “O que o banco vem fazendo com os colegas das PSOs é um absurdo inaceitável. A sobrecarga e o acúmulo de funções viraram a regra do jogo. Estão empurrando para os funcionários de PSOs tarefas que não são de caixa, enquanto obrigam agentes comerciais a trabalhar na função de caixa sem pagar a devida gratificação. Isso não é gestão, é exploração descarada”, apontou Nathalia.
A representação dos trabalhadores denunciou que gerentes de serviço acumulam atividades administrativas e negociais, enquanto escriturários executam tarefas como abastecimento dos terminais de autoatendimento (TAA) e gestão de numerário, caracterizando desvio e acúmulo de funções. O movimento sindical reivindica que todo trabalhador que exerça atividades de caixa seja nomeado para o cargo de assistente.
Também foi cobrada a garantia de tempo para capacitação dos empregados da PSO, que vêm absorvendo novas atribuições sem o treinamento adequado.
“A situação dos colegas da PSO e dos gerentes de serviço chegou ao limite absoluto. É uma rotina insustentável, com equipes sucateadas e demanda nas alturas. O banco precisa tomar providências imediatas com respeito e valorização dos seus funcionários”, finalizou a dirigente.
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Fotos: SEBB Brasília
Fonte: Contraf com edições do Sindibancários/ES









