Em mesa de negociação realizada nessa quarta-feira (16), a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) e a Caixa discutiram a atualização do protocolo de prevenção Covid-19. A reunião específica para a construção de uma proteção mais efetiva para os empregados era uma cobrança dos representantes dos empregados e das entidades, já que as regras não são revisadas há quase um ano e o número de casos e mortes entre os empregados aumentaram consideravelmente nestes primeiros meses de 2021.
Na segunda-feira, 14, por meio de uma live, a direção do banco anunciou algumas medidas em relação à covid-19, como a testagem em massa dos empregados; a ampliação de orientações internas de prevenção ao contágio e ações de higienização das unidades; acompanhamento emocional e psicológico dos trabalhadores e a manutenção do home office até o dia 30 de setembro deste ano.
Essas medidas anunciadas já eram demandas das entidades, algumas sugeridas desde o ano passado. No caso do home office, por exemplo, além de manter esse regime de trabalho, a CCE cobrou a ampliação do grupo de empregados nesta modalidade, já que as novas variantes do vírus podem agravar a doença em pessoas fora do grupo de risco.
Na avaliação de Lizandre Borges, da diretoria dos Sindicato dos Bancários/ES e integrante da CEE/Caixa, as medidas chegam tardiamente porque são demandas antigas. Ela aponta também que esse conjunto de ações é ainda insuficiente. “De julho para cá, quando foi feita essa última revisão nos protocolos, já passou muita água por debaixo da ponte. Tivemos o aumento de casos e óbitos nos primeiros meses deste ano e o surgimento das novas variantes. A doença é dinâmica e os protocolos precisam ser atualizados senão ficam obsoletos e perdem a efetividade”, assinalou Lizandre.
Falta de objetividade
A coordenadora da CEE/Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt, cobrou esclarecimentos sobre o fechamento das agências para higienização, em caso de contaminação de algum empregado ou prestador de serviço. “Devido à falta de objetividade nas orientações, em algumas unidades a limpeza é realizada com empregado dentro da unidade, e isso só ocorre na Caixa”, explicou. “É preciso deixar explícito que a unidade só pode reabrir após a higienização. A orientação deve ser da empresa, pois a responsabilidade pela saúde e segurança de empregados e clientes é dela. Por isso, as determinações no protocolo devem ser inequívocas”.
Além da higienização nos casos de contaminação, os integrantes da CEE/Caixa chamaram atenção para a limpeza diária das agências. No início da pandemia, a Caixa comunicou que as unidades deviriam passar por, pelo menos, seis limpezas diárias. Na live em que a Caixa anunciou as novas medidas de proteção, o banco informou que vai ampliar essa medida. “Como vai ampliar se nem mesmo o mínimo era cumprido? O banco também precisa esclarecer esta questão”, disse Fabiana.
Reuniões e visitas suspensas
Na reunião os participantes definiram que estão suspensas todas as reuniões presenciais, bem como a visitação de clientes.
A Comissão também pediu esclarecimentos sobre denúncias de convocação de empregados vacinados contra a covid e de grupos de risco para o retorno ao trabalho presencial. A Caixa informou que nenhum gestor está autorizado a fazer esta convocação e não há qualquer determinação da empresa nesse sentido. Mais uma vez a representação dos empregados cobrou uma comunicação explícita da Caixa.
Pode entrar na agência com covid?
“A resposta parece óbvia, não é?” Mas hoje o protocolo não deixa claro se o cliente com covid pode ou não entrar. Esse tipo de subjetividade dá margem para interpretação. Isso é muito ruim no dia a dia, porque às vezes a decisão depende do bom senso do gestor. Não é isso que queremos. Esse tipo de situação precisa estar bem escrita no protocolo”, afirmou Lizandre.
“A resposta da Caixa na mesa foi de que o ingresso não deve ser permitido, mas isso não está explícito, e este é um exemplo do que a omissão nas orientações feitas pela empresa pode causar”, pontuou Edson Heemann, também da Comissão.
Ele acrescentou que a autorização por parte da chefia de uma unidade de pessoa infectada por Covid é um fato extremamente grave, pois este ato compromete a saúde e segurança de todos que estão no ambiente, e mostra que a empresa não pode se furtar a ter uma orientação formal no sentido de proibir este acesso. “A direção não pode achar que se omitindo transferiria a responsabilidade à chefia das unidades. A verdade é que, atualmente, os gerentes não se sentem amparados pela direção do banco”, disse.
Testagem dos empregados
Os integrantes da CEE/Caixa solicitaram o compartilhamento do resultado das testagens com os representantes dos empregados, com objetivo de avaliar a necessidade de novas medidas de proteção. A representação do banco se negou, alegando que as informações estão sujeitas ao sigilo médico.
Máscaras adequadas
O fornecimento de máscaras adequadas (N95, PFF2, triplo filtro) para os empregados foi uma das reivindicações da Comissão. Os integrantes pediram informações sobre os valores disponibilizados às unidades para aquisição destes e de outros equipamentos de proteção. Em resposta, a Caixa informou que não identificou a necessidade de complementar o valor e que a quantia depende da composição das unidades, sem detalhar a evolução da verba.
Muitos empregados reclamam da insuficiência do recurso para aquisição das máscaras. O fornecimento de EPI’s (Equipamentos de Proteção Individual) é responsabilidade do empregador, e os empregados devem utilizá-lo. Caso a unidade não esteja com os equipamentos adequados, o empregado deve entrar em contato com o sindicato local para que seja exigido o equipamento.
Na avaliação da CEE/Caixa, algumas sugestões e questionamentos não foram esclarecidos ou não foram respondidos pelo banco. A Comissão vai solicitar as respostas, por escrito, de todos os tópicos abordados na mesa de negociação.
“É importante que os empregados e empregadas observem atentamente se as novas medidas anunciadas pela Caixa estão sendo cumpridas. Caso contrário é fundamental comunicar o Sindicato para que possamos tomar providências e exigir que os protocolos sejam seguidos à risca”, afirmou Lizandre.

