Nessa quarta-feira, 12, antes de abordar o tema (Saúde e Segurança) previsto para a reunião com os representantes da Caixa, a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) se manifestou contra a MP 995. A Medida Provisória que tramita no Congresso e permite a venda de subsidiárias da Caixa, tem sido alvo de uma grande mobilização de entidades sindicais de todo o país. Em seguida, os representantes dos empregados entraram na pauta em si. Cobraram melhores condições de trabalho para os empregados durante a pandemia do novo coronavírus e para o futuro. Questões como o aperfeiçoamento dos protocolos e de higienização das unidades, o fortalecimento dos fóruns de condições de trabalho, o home office para os casos de pais com filhos em idade escolar, descomissionamentos arbitrários, a demanda dos Pessoas com Deficiência (PcDs) e pedido de mais contratações foram algumas das pautas colocadas na mesa de negociação.
A CEE cobrou ações efetivas da Caixa para esse período de pandemia. Para a diretora do Sindicato dos Bancários/ES. Lizandre Borges, muitas das pautas relacionadas à saúde e condições de trabalho discutidas na reunião desta quinta são recorrentes. “A pandemia acabou evidenciando alguns problemas que são demandas antigas dos empregados. Por exemplo, os casos de adoecimento da categoria não é novidade”.
Lizandre acrescenta, porém, que com jornadas tão extenuantes esses problemas se agravaram. “O esgotamento físico e mental é visível. Os empregados estão trabalhando sob forte pressão sem saber se ao final do dia estarão ou não contaminados pelo vírus. Isso aumenta o nível de estresse, o empregado dorme mal, se alimenta mal, enfim, acaba adoecendo”, lamenta Lizandre.
Ela afirma que esse quadro relativo à saúde e condições de trabalho, justamente por ser um problema crônico, não pode ser postergado pela Caixa. “É importante que o banco seja célere e atenda às reivindicações que são todas justas. Afinal, estamos falando de um tema sensível, que se tornou ainda mais urgente com a pandemia”.
Relaxamento dos protocolos
Na mesa foi pontuado que no início da pandemia os protocolos adotados pela Caixa chegaram a ser referência para os bancários. Porém, foram sendo afrouxados pela direção do banco com o passar do tempo sem que houvesse qualquer discussão a respeito com a representação dos empregados.
Além do estresse diário de ficarem mais expostos à doença com o relaxamento dos protocolos, os empregados continuaram sendo cobrados abusivamente para atingir metas. Segundo Lizandre, a Caixa simplesmente ignora que os empregados têm atendido a um volume muito maior de pessoas diariamente, inclusive aos sábados, devido à demanda criada pela pandemia. “Essa pressão desumana em meio à pandemia com cobranças abusivas e ameaças de descomissionamento têm causado mais adoecimento entre os bancários”, aponta Lizandre.
Outra cobrança da CEE/Caixa foi o não cumprimento do rodízio nas agências, essencial para diminuir a sobrecarga contínua devido aos excessos de atendimentos bem como mitigar possível contaminação e dessa forma garantir o atendimento à população. Também foi solicitado aos representantes da Caixa o retorno do funcionamento das agências em horário de atendimento normal. Segundo a CEE, da forma que está, os empregados têm extrapolado a jornada. Além disso foi cobrado a aplicação do ACT vigente, uma vez que nas agências com até 20 empregados não há compensação de horas, devendo ser pago todas as horas extras realizadas, que não estaria acontecendo. Os representantes dos empregados também cobraram da Caixa a contratação de mais funcionários.
35 mil em home office
Segundo informações da própria Caixa, o número de empregados em home office, cerca de 35 mil, representa bem menos do que 50% dos trabalhadores. A comissão dos empregados solicitou a ampliação desse percentual. Pediram também que os VPs (vice-presidentes) seguissem diretrizes mais definidas. A queixa é de que a falta de padronização tem gerado estresse entre os empregados e conflitos entre eles e os gestores, que precisam comandar o retorno sem ter a formalização e diferenças entre unidades. Também foi cobrado que o retorno presencial seja negociado com o movimento sindical e isso se dê de forma planejada, assegurando a devida proteção aos trabalhadores.
Ao final da reunião, segundo a CEE, a Caixa definiu pouca coisa na mesa de negociação. Após ouvir as reivindicações da Comissão dos Empregados, o banco decidiu que vai rever a questão de agências com menos de 20 empregados. A direção do banco afirmou ainda que não há limitador para o pagamento de horas extras, outra preocupação da Comissão. A Caixa sugeriu ainda que os Fóruns e Grupos de Trabalho sejam revistos e alguns GTs encerrados. A Comissão reforçou que a valorização dos espaços de debate foi um dos pontos aprovados no 36° Conecef, entretanto, ajustes podem ser avaliados. Foi solicitada a participação do movimento sindical nos GTs de Prevenção para melhorias nos processos.
A CEE/Caixa cobrou ainda uma mesa de negociação específica sobre o Saúde Caixa. O plano de saúde vem sendo atacado pelo governo. É necessário a inclusão de todos os empregados bem como a manutenção do atual custeio. A Caixa ainda não decidiu quando será esta reunião.
“É muito importante que a CEE/Caixa lidere esse chamamento da categoria na defesa das reivindicações levadas à mesa de negociação. A CEE precisa puxar essa mobilização, engajar os empregados na pauta para que a Caixa se sinta pressionada a atender nossos pleitos”, ressalta Lizandre.
A próxima rodada de negociação está agendada para a próxima segunda-feira, 17. A Comissão tem expectativa de que a Caixa traga respostas positivas para as reivindicações apresentadas.








