Nesta sexta-feira (26), a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa se reuniu pela quarta vez com representantes do banco para tratar de problemas relacionados às condições de trabalho e à saúde do trabalhador. Um estudo do Dieese, com base em dados do INSS, aponta que entre os principais motivos de afastamentos acidentários (B91) das empregadas e empregados da Caixa, 75,4% sejam devido a tratamentos de doenças mentais e comportamentais; 12,8% por doenças osteomusculares e do tecido conjuntivo; 3,1% a fraturas; e 0,2% a problemas nervosos. A CEE enfatizou que o principal gatilho do adoecimento são as ferramentas de gestão usadas pela Caixa para impor metas abusivas aos empregados.
“O adoecimento mental epidêmico da categoria bancária é um assunto extremamente sensível e que preocupa demasiadamente o movimento sindical. Essa situação, infelizmente, não é diferente na Caixa”, disse a diretora do Sindibancários/ES e membra da CEE, Lizandre Borges. Segundo a dirigente, o crescimento dos casos de adoecimento motivou o Sindicato a buscar uma parceria com o Departamento de Psicologia Social da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) para entender como estava a saúde mental dos bancários e das bancárias capixabas. A pesquisa “Nossa Saúde Importa”, concluída em junho último, ainda em análise, apontou preliminarmente que quase 40% dos respondentes já foram trabalhar com atestado médico; 68% fazem tratamento psicológico ou psiquiátrico; mais de 30% usam medicamentos controlados. Ansiedade em nível grave, depressão e estresse são os males mais citados pelos bancários.
Absenteísmo
Segundo dados da Caixa, a taxa de absenteísmo é de 3,51%. Absenteísmo ou absentismo é a ausência ou o afastamento não programado de funcionários de seus locais de trabalho. Essa questão pode ter diversas causas, desde problemas de saúde até questões pessoais ou insatisfação no trabalho. A Caixa garantiu que todos os empregados que tenham sido cobrados por tratamentos de doenças relacionadas ao trabalho (B91), devem entrar em contato com o banco para serem ressarcidos, pois os custos são de responsabilidade da instituição.
Metas
Além dos instrumentos para impor metas, gatilho do adoecimento, o coordenador da CEE, Rafael de Castro, citou exemplos de práticas adoecedoras: cobrança pelo WhatsApp, Teams (app de reunião), ligações-ponte e controle de hora em hora no meio e até depois do expediente. “É desvirtuamento completo da relação cliente empregado, onde o foco é o resultado do banco e não a necessidade do cliente que atendemos”, disse Rafael.
A Caixa se comprometeu a acabar com o feedback de caráter punitivo e utilizar o mecanismo apenas para contribuir com o desenvolvimento das empregadas e empregados.
Os empregados também lembraram que faz dois anos que toda a mídia divulgou as denúncias de assédio moral e sexual envolvendo o ex-presidente do banco, Pedro Guimarães, e que não houve punição para o principal denunciado. Cobraram solução para o caso para evitar que empregados e empregadas fiquem com receio de denunciar e ainda sofrerem retaliação.
Políticas de prevenção
Lizandre afirmou que o pedido de melhorias no Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) foi outro ponto cobrado na mesa. “Reivindicamos mais credenciamentos de profissionais e clínicas de saúde para a realização dos exames e também políticas efetivas de prevenção”. Segundo a dirigente, a Caixa garantiu que está estudando mudanças no PCMSO.
Fim do teto
A CEE também cobrou o fim do teto de 6,5% da folha de pagamentos para gastos da Caixa com a saúde dos empregados. Lembraram que o teto foi inserido no estatuto do banco por causa de uma leitura equivocada do CPC 33. De acordo com a Resolução Nº 4.424 do Banco Central, a Caixa passou a ser obrigada a aplicar a norma contábil (CPC 33). A norma estabelece que instituições financeiras devem constituir uma provisão atuarial dos chamados “benefícios pós-emprego”, como planos de saúde e previdência complementar, limitando os gastos da Caixa com a saúde dos empregados. A representação sindical dos trabalhadores observou que, como a Caixa não possui ações na Bolsa de Valores, não teria a obrigação de se enquadrar à norma.
“Precisamos pôr fim ao teto que compromete a sustentabilidade do Saúde Caixa. Temos que garantir a manutenção dos três princípios basilares do Saúde Caixa: pacto intergeracional, mutualismo e solidariedade entre os usuários para balizar a definição do modelo de custeio do plano, que prevê 70% dos custos para a Caixa e 30% para os empregados”, reforçou Lizandre.
Além disso, os empregados cobraram que todos os custos que a Caixa joga para o Saúde Caixa, que não seja efetivamente de saúde, como os custos da escola inclusiva, sejam efetivamente arcados pela Caixa, como os custos da escola inclusiva para os filhos neurodivergentes de empregadas e empregados e aqueles gerados por doenças ocupacionais (B91).
Gipes
A representante do Espírito Santo na CEE classificou como positiva a instalação das Gipes, que começam a funcionar a partir de 5 de agosto em sete estados: Pará, Minas Gerais, Paraná, São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Ceará e no DF. “A instalação das Gipes é uma vitória do movimento sindical e deve ser comemorada. Esperamos agora que com as Gipes, e com as Repes nos demais estados, o atendimento aos empregados melhore bastante em relação à saúde do trabalhador e com os problemas do Saúde Caixa”, afirmou.
Equacionamento
A representação dos empregados entregou à Caixa um documento com propostas para o equacionamento do déficit do plano REG/Replan e cobrou a instalação de um grupo tripartite entre a Contraf/CEE, a Caixa e a Funcef para negociar o equacionamento.
Avaliação
Lizandre avaliou que a rodada desta sexta-feira, no geral, foi positiva, apesar de a Caixa ainda não ter apresentado devolutivas das demandas. “A Caixa está pelo menos nos ouvindo e aparentemente acatando nossas reivindicações”. A dirigente acrescentou que além dos assuntos já mencionados, também foi discutido a complementação salarial no caso de afastamento pelo INSS. Ela explicou que têm ocorrido muitos problemas nesse sentido. “Como não há mais o convênio com o INSS, os empregados acabam recebendo a complementação do benefício e depois precisam devolver essa complementação. No final das contas, muitos colegas estão adquirindo uma dívida”.
Segundo a Caixa, o problema foi observado e o banco já está fazendo a orientação individualizada aos afastados com mais de 15 dias de licença. O setor, segundo a Caixa, entra em contato individualmente com o bancário e o orienta inclusive com relação a devolução do adiantamento. A Caixa assegurou que reduziu bastante o problemas dos débitos.
GT Saúde
A Caixa se dispôs a realizar uma reunião do GT de Saúde para tratar de questões específicas que envolvem o Saúde Caixa na terça-feira (30), ainda sem horário definido.

