Representantes da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa)

A mesa de negociação entre a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) e a direção da Caixa, realizada na quinta-feira (30), foi marcada por críticas contundentes à forma como o banco vem conduzindo mudanças no atendimento, que desrespeitam empregados.

Na reunião, a representação dos trabalhadores denunciou a desvalorização crescente dos empregados e cobrou respostas para problemas que vêm se acumulando nas unidades: sobrecarga de trabalho, falta de pessoal, mudanças estruturais implementadas sem negociação prévia, adoecimento mental e um modelo de remuneração variável com regras sem transparência.

A comissão cobrou debate sobre o Super Caixa, que precisa de regras transparentes e justas. Segundo a CEE, o tema será levado ao Comando Nacional dos Bancários, que avaliará todas as possibilidades cabíveis para atuar frente aos problemas relacionados ao programa.

Ronan Teixeira, diretor do Sindibancários/ES e representante na CEE

Para Ronan Teixeira, diretor do Sindibancários/ES e representante da Fetraf-RJ/ES na CEE, se a Caixa resolveu realmente fazer um plano de remuneração variável, é necessário fazer isso de forma transparente e igualitária em relação aos trabalhadores. “O Super Caixa precisa ser reorganizado para que não trate os trabalhadores da Caixa com expectativas de recebimento de uma renda variável que eles possam receber, e não recebendo, isso seja um acelerador do adoecimento mental, que já é crônico dentro da Caixa Econômica”, afirmou o dirigente.

Entre os pontos criticados também estão a implantação das plataformas de atendimento à Pessoa Jurídica (PJ), a migração de carteiras, as mudanças nas unidades e a combinação entre atendimento presencial e digital, que vêm alterando profundamente a rotina dos trabalhadores sem que, segundo a CEE, haja planejamento adequado, treinamento suficiente ou diálogo com os representantes dos empregados.

O modelo “Figital”, que combina atendimento físico e digital, também sofreu críticas dos representantes dos trabalhadores. Na prática, segundo relatos levados à mesa, empregados vêm sendo obrigados a atender simultaneamente clientes de forma presencial e virtual, sob cobrança intensa por desempenho e entregas à unidade para que o tempo de espera no canal digital não ultrapasse cinco minutos.

“É um modelo que tem aprofundado a sobrecarga, aumentado o desgaste emocional e agravado o sentimento de insatisfação entre os empregados”, avaliou o coordenador da CEE/Caixa, Felipe Pacheco.

Um dos pontos de discussão foi a adoção de penalidades em 129 agências incluídas no projeto piloto do Gênesis. Para a CEE, não faz sentido que unidades ainda em fase de teste sejam submetidas a metas rígidas e punições antes mesmo da consolidação de um modelo definitivo.

Também houve críticas à implementação das plataformas PJ. A representação apontou falta de negociação prévia, precariedade nas condições de trabalho, insuficiência de pessoal, ausência de treinamento adequado e pressão constante por metas. Segundo os representantes, trabalhadores que sempre atuaram no atendimento à Pessoa Física estão sendo empurrados para novas atribuições, muitas vezes sem preparação e sem a estrutura necessária para absorver a demanda.

“A Caixa diz que está preocupada com a questão da saúde mental dos empregados, mas está fabricando pessoas doentes, além de descumprir o Acordo Coletivo. É isso que está acontecendo com essa plataforma PJ”, afirmou Cardoso.

Outro ponto fortemente debatido foi a situação de caixas e tesoureiros, tema que se arrasta há meses sem solução definitiva. A representação cobrou resposta concreta sobre o futuro dessas funções diante da redução do atendimento presencial, do fechamento ou transformação de unidades e das mudanças no modelo operacional do banco. A principal preocupação é garantir que nenhum trabalhador tenha perda de renda em razão da reestruturação.

Ao abordar o tema, a representante dos empregados, Luiza Hansen, destacou o clima de incerteza que se espalhou. “A cobrança aqui é por uma solução definitiva, que garanta, em especial, que os colegas não tenham sua renda afetada. Hoje ainda há muita insegurança sobre qual caminho a Caixa pretende seguir”, afirmou.

O avanço do adoecimento mental entre bancários também ganhou destaque. Felipe Pacheco citou pesquisa da Fenae que revela um cenário alarmante: 32% dos empregados afirmam viver sob ameaça permanente de descomissionamento, percentual que sobe para 45% entre trabalhadores de 40 a 49 anos. O levantamento mostra ainda que 37% já receberam diagnóstico de problemas de saúde mental relacionados ao trabalho, enquanto 61% dizem não perceber apoio adequado da empresa à saúde mental.

Em resposta à comissão, a Caixa informou que está avaliando reivindicações relacionadas ao Super Caixa, que pretende aperfeiçoar seus modelos de atendimento e gestão e que continua estudando alternativas para caixas e tesoureiros. Para a representação dos empregados, no entanto, as respostas seguem insuficientes. “São respostas vazias que não atendem às demandas dos empregados diante da gravidade dos problemas enfrentados diariamente por quem sustenta o banco”, avaliou Cândida Fernandes (Chay). “Vamos encaminhar ao Comando a reincidência dessas respostas vazias do banco, de forma a definir outras formas de atuação, como mobilização da base e as medidas cabíveis para proteger os empregados”, reiterou.

Ronan também ressaltou que é fundamental que o banco volte a respeitar a mesa de negociação: “A mesa de negociação deve ser exclusivamente para a gente pensar e definir melhorias para os problemas e as solicitações dos trabalhadores”.

Saúde Caixa

A CEE também cobrou da Caixa uma mesa específica para discutir o Saúde Caixa. A representação reforçou pautas já conhecidas dos empregados, como a retirada do teto de custeio de 6,5% e a volta do modelo em que a Caixa efetivamente arque com 70% dos custos do plano, melhorias nos processos de credenciamento e descredenciamento, além da ampliação da rede de atendimento, incluindo a possibilidade de compartilhamento da rede credenciada com a Cassi. Uma nova mesa de negociação sobre o Saúde Caixa será realizada no fim de maio.

“Nesse quadro de um adoecimento cada vez maior dos trabalhadores da Caixa, é fundamental que a gente tenha um plano que nos atenda. Já foi provado na negociação que o plano pode ser superavitário simplesmente se a Caixa voltar a cumprir, de fato, com os seus 70%. E o único caminho para isso é a derrubada dos 6,5% do teto”, reforçou Ronan.

 

Fonte: Fenae com edições Sindibancários/ES