
Praça São Lucas, na Penha, amanheceu nesta quarta-feira com dezenas de corpos enfileirados – Tomaz Silva/Agência Brasil
A Intersindical, em conjunto com outras centrais sindicais, divulgou nota de repúdio à chacina no Rio de Janeiro. A operação “Contenção”, como foi batizada, executou mais de 120 pessoas na capital fluminense na última terça-feira (28). Na nota, as centrais classificam a operação como “um espetáculo de barbárie, que deixou um saldo macabro, fere a consciência nacional e envergonha o Brasil perante o mundo”. No Espírito Santo, o Fórum Estadual de Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes) faz um ato em protesto à chacina no Rio nesta sexta-feira (mais informações no final deste texto).
Carlos Pereira de Araújo (Carlão), coordenador-geral do Sindicato dos Bancários/ES, entidade filiada à Intersindical, também criticou a chacina no Rio. “O que houve no Rio foi execução. É inaceitável que dentro do Estado Democrático de Direito a própria força de segurança promova uma carnificina como essa. Independentemente das vítimas terem ou não passagem pela polícia, estarem ou não envolvidas com o tráfico de drogas ou terem mandados de busca em aberto, é obrigação do Estado assegurar que o cidadão tenha direito de exercer sua defesa dentro de um devido processo legal. O que vimos no Rio é um retrocesso civilizatório protagonizado pela extrema direita, que se pauta no ódio e na vingança, sobretudo contra os segmentos mais vulneráveis da sociedade, como os pobres e pretos – seguramente, as vítimas preferenciais do massacre no Rio”, lamentou Carlão.
Leia a seguir a nota das centrais
O espetáculo de barbárie ocorrido no Rio de Janeiro em 28 de outubro, que deixou um saldo macabro de mais de 130 mortos, fere a consciência nacional e envergonha o Brasil perante o mundo.
O massacre, resultado da Operação Contenção, revelou uma trágica e inaceitável política de segurança pública que, em vez de proteger, extermina. Trata-se de uma chacina de proporções históricas, com repercussões devastadoras para qualquer ser humano que valorize a vida e o Estado de direito.
A ação, desastrosamente comandada pelo governador Cláudio Castro, não apenas vitimou moradores das comunidades, mas estigmatizou toda a sociedade carioca, reforçando estereótipos, o medo e o abismo social que divide o país. O crime deve ser combatido, sim — com firmeza, mas dentro dos limites da Constituição e da lei.
Quando o próprio Estado assume o direito de matar sumariamente, ele se converte, ele mesmo, em agente da ilegalidade. O nível de violência aplicado em plena luz do dia, em uma das maiores cidades do mundo, arrasta o país de volta à barbárie e à impunidade.
O Supremo Tribunal Federal, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, determinou que o governador Cláudio Castro preste informações detalhadas sobre a operação. A decisão marca um passo importante na tentativa de conter o avanço da violência institucional no país.
Reiteramos apoio à ação do STF e clamamos que o governo federal atue com firmeza para interromper a escalada de selvageria e descontrole que se abateu sobre o Rio de Janeiro.
O Brasil precisa reafirmar que não há paz possível fora da legalidade e que a vida — todas as vidas — deve ser o princípio e o fim de qualquer política pública.
Assinam a nota: Nilza Pereira de Almeida, secretária Geral da Intersindical Central da Classe Trabalhadora; Sérgio Nobre, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores); Miguel Torres, presidente da Força Sindical; Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores); Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil); Antonio Neto, presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros) e José Gozze, presidente da Pública Central do Servidor.
Fejunes faz ato em Vitória
“Chamada Geral contra a Morte”, destaca a postagem do Fórum Estadual de Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes) nas redes sociais. A entidade convoca os capixabas para um ato nesta sexta-feira (31), a partir das 17h, na pracinha de Itararé, em Vitória.
O Fejunes chama a atenção para o genocídio do povos negro no Rio de Janeiro e no Brasil. “Muita dor ecoa nas comunidades cariocas, e em solidariedade às famílias e vítimas do ato genocida da Polícia Militar do Rio de Janeiro e do governador criminoso Claúdio Castro, que matou mais de 140 pessoas na maior chacina da história recente do país”.
A chamada do Fejunes contiua: “Não podemos naturalizar a banalização da barbárie contra pessoas negras e periféricas, nem permitir que o genocídio e a produção de morte seja a tônica do enfrentamento ao crime organizado no nosso país! A favela quer paz e direitos! Chega de mortes. O povo negro quer viver!”.








