Átila Iamarino, entrevistado do Roda Viva (TV Cultura SP) dessa segunda-feira, 30, quebrou o recorde de audiência do programa, no ar deste setembro de 1986. Motivo: muita gente queria ouvir o que o biólogo e pesquisador de 36 anos tinha a dizer sobre a pandemia do coronavírus. Se autointitulando como youtuber científico, o pesquisador mostrou na TV aberta sua capacidade de falar fácil, sem academicismo, sobre o vírus que se tornou o maior drama da humanidade. Ele alertou que as medidas de isolamento e distanciamento social adotadas por estados e municípios brasileiros têm sido acertadas para que o Brasil não seja a Espanha amanhã. O país europeu soma quase 100 mil casos confirmados e mais de oito mil mortes pela Covid-19.
Os jornalista quiseram saber a opinião do pesquisador sobre a “tese” do isolamento vertical defendida pelo presidente Bolsonaro, que restringe a quarentena ao grupo de risco – pessoas com mais de 60 anos de idade ou com comorbidades. Iamarino não quis nem analisar o isolamento vertical, que segue na contramão do isolamento social horizontal, medida preconizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e seguida hoje pela maioria dos países e estados brasileiros para conter a propagação do coronavírus. Ele disse que não há nenhum estudo científico que comprove a eficácia do isolamento vertical. “Hoje nós só temos um país que não está fazendo nada, que é a Bielorrússia. Nós vamos ver se quem está certo é um único país no mundo ou o que os estados brasileiros estão fazendo. Só lavar as mãos com vodka não adianta. Tem que ser com água e sabão”, ironizou.
O presidente Bolsonaro e o seu núcleo mais radical, o chamado “Gabinete do Ódio”, comandado pelos seus três filhos, têm divulgado farta quantidade de conteúdo falso nas redes sociais na tentativa de alastrar a “tese” do isolamento vertical, que permitiria a volta imediata da população ao trabalho, como quer o presidente, defendendo que essa seja a solução para salvar a economia.
Na entrevista, Átila Iamarino analisou os cenários das curvas de crescimento do coronavírus considerando as diferentes medidas de isolamentos. O biólogo passou a chamar atenção nas redes sociais ao analisar as projeções do Imperial College of London, de que poderiam morrer mais de 1 milhão de pessoas no Brasil, caso não fossem tomadas medidas de isolamento social para impedir a disseminação do vírus. Leia a seguir alguns trechos da entrevista de Átila Iamarino ao Roda Vida.
Brasil pode ser Espanha amanhã
“Então, a Espanha de agora é o futuro para onde o Brasil estava rumando se não tomasse as medidas que tomou há uma semana, duas. Se chegar em abril e a gente não tiver chegado na situação da Espanha, de ter leito faltando em hospital, ter que colocar corpo em necrotério e câmara refrigerada, ter os velhinhos morrendo em casa, é resultado da ação direta de ter parado agora”
Riscos do contágio
“A Covid mata de 10 a 20 vezes mais que o vírus da gripe comum, hospitaliza de 10 a 20 vezes mais pessoas que a gripe comum, então ela satura o Sistema de Saúde muito rapidamente, ela pode se transmitir para duas a três pessoas logo em seguida, isso é mais viral que memes na internet, que normalmente se espalham para duas pessoas ou menos, em média”.
Ciência e imprensa no front da batalha
“Temos duas ferramentas que estavam em descrédito. É bom renovar a confiança. A imprensa, que vem sendo atacada, é de extrema importância, é confiável gente competente que apura informação. A outra é a ciência. Seja histórica, para reconstruir e construir cenários, ou para prever, como a biologia.”
Novo mundo após a pandemia
“De imediato, até tomarmos a vacina, teremos que tomar precauções. Nesse meio tempo, as pessoas vão mudar. Tem pais e mães convivendo mais com os filhos. Convivemos com um problema de alguém do interior da China. O mundo vai ser mais diferente mas espero que seja mais unido”, disse.









