Os representantes do Comando Nacional do Bancários se reuniram virtualmente nesta sexta-feira, 31, com a Comissão de Negociação da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Nesta segunda reunião, como previsto, foram definidos o calendário e as pautas temáticas que serão tratadas nas primeiras reuniões. Durante o mês de agosto, estão previstas 12 reuniões (veja calendário no final da matéria). “Ampliar o número de reuniões, aproveitando que as discussões são virtuais, era uma demanda do Comando para acelerar o calendário”, afirma Carlos Pereira de Araújo (Carlão), membro do Comando Nacional.

A próxima reunião, que acontece nesta terça-feira, 04, vai discutir o teletrabalho ou home office. Na quinta, 06, o tema é emprego. “Vamos abrir as negociações com dois temas centrais na Campanha Nacional deste ano: home office e emprego. A pandemia do novo coronavírus acabou acelerando o home office, que já estava no planejamento dos bancos. Segundo o dirigente, a preocupação em garantir o isolamento social fez com que bancários e bancárias, de uma hora pra outra, se vissem trabalhando em casa. “Esse processo ocorreu de maneira atribulada e levantou muitos problemas que precisam ser discutidos com os bancos, como a regulamentação legal do teletrabalho, equipamentos necessários, despesas assumidas pelo empregado entre outras questões”, assinala Carlão.

O emprego, na avaliação do dirigente, é outra pauta central. Segundo ele, a crise sanitária traz desdobramentos que têm recaído especialmente sobre a classe trabalhadora. “As taxas de desemprego que já eram altas antes da pandemia estão subindo mês a mês e projetam um quadro ainda mais preocupante para o fim deste ano e 2021. É muito importante que os bancos se comprometam em assegurar os empregos dos bancários e das bancárias. A história deste país mostra que com ou sem crises os bancos ganham sempre. Basta olhar os resultados dos últimos anos”.

Carlão ressalta que em 2011 o lucro líquido dos bancos foi de R$ 62,5 bilhões. “Em 2019, ou seja, oito anos depois, os bancos praticamente dobraram esse lucro, que rompeu a casa dos R$ 118 bilhões. Qual outro setor da economia brasileira conseguiu um resultado como esse?”, questiona. Ele chama atenção para os resultados divulgados pelo Bradesco e Santander nesta semana. “Em meio à pandemia, o Santander lucrou quase R$ 6 bilhões no primeiro semestre deste ano. Esse resultado seria ainda maior, mas o banco fez uma reserva de R$ 10,4 bilhões, a chamada provisão para créditos de liquidação duvidosa (PDD), que reduziu o seu lucro líquido. Essa jogada contábil, um jabuti da legislação brasileira, favorece os bancos e prejudica os bancários, que vão sofrer redução na PLR”.

O dirigente afirma que o Bradesco, que apurou lucro líquido de R$ 7,626 bilhões no primeiro semestre deste ano, adotou a mesma estratégia, que deverá ser seguida pelos outros bancos. “Com resultados tão expressivos, assegurar os empregos dos bancários e das bancárias é o mínimo que esperamos dos bancos”.

Na reunião desta sexta os bancos sinalizaram que os lucros bilionários não vão tornar as negociações menos duras. Carlão diz que os bancos não aceitaram a proposta do Comando de um pré-acordo para prorrogar o atual ACT por mais três meses ou enquanto durarem as negociações. “Os representantes da Fenaban disseram que não era necessário firmar o pré-acordo”.

Carlão alerta que a as negociações, como todos já previam durante as conferências regionais e nacional, serão difíceis e exigirão uma união muito grande da categoria. As federações e sindicatos se comprometeram a intensificar essa mobilização junto à categoria. Precisamos estar muito unidos, em sintonia. Cada bancário precisa participar, cobrar, pressionar. Esse engajamento da categoria na Campanha Nacional deste ano será decisivo para uma boa negociação”.

Ele acrescentou que o sistema diretivo do Sindicato dos Bancários/ES, após reunião nessa quinta-feira, 30, aprovou a construção de um calendário de mobilização para o Espírito Santo. “Vamos definir as datas das ações de mobilização, organizar plenárias gerais e específicas (Caixa, do Banco do Brasil e Banestes). É importante que a categoria fique o tempo todo antenada nas informações que são divulgadas no site do Sindicato e nas redes sociais. Precisamos estar mobilizados e engajados na luta”, conclama Carlão.

Após a reunião com a Fenaban, o Comando Nacional dos Bancários entregou aos representes do Banco do Brasil a minuta específica com as propostas dos empregados do banco. Os representantes receberam a minuta e prometeram analisá-la, sinalizando que estão abertos para iniciar as negociações.

Os representes da Caixa que estiveram ausentes na reunião passada, marcaram presença desta vez. Eles informaram que receberam a minuta da Caixa (por e-mail), que deveria ser entregue ao banco na reunião anterior. O Comando Nacional, porém, insistiu em fazer a entrega formal da minuta à Caixa.