Os representantes dos bancos receberam nesta quinta-feira, 23, a minuta com as reivindicações da categoria bancária. No ato virtual, membros do Comando Nacional dos Bancários fizeram a entrega formal do documento à Comissão de Negociação da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Ao receberem a minuta, os representantes dos bancos reafirmaram o compromisso de manter a mesa única de negociação. Causou estranheza aos representantes do Comando, porém, a ausência da Caixa na mesa, que normalmente é representada pelos cinco maiores bancos: Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e Caixa.

Após a entrega da minuta geral, estava combinado que os representantes da Caixa receberiam a minuta específica do banco. Questionada sobre a ausência, a Federação explicou ao Comando que houve uma limitação na agenda dos representantes da Caixa, mas que todos estavam representados na mesa.

Na avaliação de Carlos Pereira de Araújo (Carlão), que integra o Comando, a ausência da Caixa é antes de mais nada um desrespeito aos mais de 80 mil empregados e empregadas do banco público. “Esses bancários debateram assuntos importantes que integram a minuta de pauta específica da Caixa nas conferências, nos congressos para depois serem solenemente ignorados desta maneira. Isso é um acinte aos bancários da Caixa que têm se exposto ao coronavírus na linha de frente para pagar benefícios sociais como o auxílio emergencial e o FGTS”.

Carlão acrescentou ainda que o recado dado pela Fenaban, de que a minuta poderia ser entregue ao banco por e-mail, só acentuou o desrespeito por parte do banco. O Comando comunicou que irá reiterar à Caixa que a entrega da minuta seja feita aos representantes do banco.

Carlão afirma que a ausência da Caixa causa preocupação. “Defendemos e sabemos a importância da mesa única, uma conquista de quase duas décadas. A presença da Caixa na mesa é imprescindível”.

Minuta geral

Na apresentação da minuta geral à Fenaban, os membros do Comando destacaram alguns pontos do documento. Entre as prioridades apontadas na pauta estão a manutenção dos direitos adquiridos, defesa do emprego, defesa da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) válida para toda a categoria (independentemente do nível salarial), ganho real nas cláusulas econômicas (os bancários reivindicam aumento real de 5%), mesa única de negociação com os bancos (com bancos públicos e privados) e a defesa dos bancos públicos. A categoria também aprovou a reivindicação de uma PLR de três salários mais parcela fixa de R$ 10.742,91; possibilidade de sindicalização eletrônica; cláusula nova garantindo direitos e condições de trabalho para a realização do home office.

A definição da pauta final de negociação começou no início do mês de junho, com a consulta aos bancários e os debates nas conferências estaduais. Durante a 22ª Conferência Nacional, em São Paulo, 635 delegados que representam trabalhadores de bancos públicos e privados de todo o país definiram os itens para a Campanha Nacional Unificada 2020.