Ante os números de casos e óbitos que seguem em patamares elevados em fevereiro, a Comissão de Organização dos Empregados (COE) cobrou do Bradesco mais rigor no protocolo de segurança sanitária para proteger a saúde e a vida dos bancários e das bancárias e reduzir a propagação e o contágio da variante ômicron.

Os representantes da COE também pediram a suspensão de visitas a clientes enquanto a transmissão do vírus se mantiver em patamares elevados; o controle de acesso às agências bancárias, para garantir o distanciamento dos clientes e funcionários; o fornecimento de máscaras tipo N95, que são mais eficazes na filtragem do vírus; a redução das metas; a testagem de todos os trabalhadores das agências, bancários e terceirizados; o afastamento imediato dos infectados e a mais celeridade no processo de sanitização das agências.

O pleito da COE se justifica pelos números da covid que começaram a subir em janeiro e se mantêm em alta em fevereiro. As curvas de novos casos e a média móvel de mortes (14 dias) continuam em franca ascensão em praticamente todo o país. Dados dessa quarta-feira, 09, reportam mais de 635 mil mortes no Brasil, com média móvel de 873 – um crescimento de 109% em comparação com os últimos 14 dias.

Casos em alta no ES

O diretor do Sindicato dos Bancários/ES Fabrício Coelho chama a atenção para os dados do Espírito Santo, que acompanham a tendência de alta nacional . O dirigente afirma que o número de óbitos acumulados no Estado já se aproxima de 14 mil e a média móvel (14 dias) já está em 25 mortes. “Esses números assustam e preocupam todos nós. Essa média móvel de óbitos já se iguala aos dados de abril de 2020, véspera da primeira onda da covid; e aos de maio do ano passado, quando a média móvel de mortes chegou a 80”.

O dirigente destaca que esses números, proporcionalmente, indicam que a taxa de letalidade por 100 mil habitantes no Espírito Santo é de 0,62%, e a nacional de 0,41%. Fabrício também comenta a explosão de casos na categoria bancária. De acordo com levantamento da Secretaria de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato, foram registrados 458 casos conhecidos de covid em 2021, contra 529 de janeiro deste ano. Importante ressaltar que os dados podem estar subnotificados.

A maioria dos bancos, adverte Fabrício, não repassa para o Sindicato os dados sistematizados de casos e óbitos. “Como é uma contagem feita a partir do cruzamento de várias fontes, pode haver subnotificação”.
O dirigente, reforçando a importância da reivindicação da COE de tornar os protocolos mais rigorosos, aponta que o Sindicato registrou 77 casos de covid entre os bancários do Bradesco no Estado somente no mês de janeiro. “Nessa primeira semana de fevereiro, a partir de dados ainda parciais, já temos mais 17 casos reportados no Bradesco. Mais que a percepção do aumento da doença, que é visível, os números alertam para a necessidade de apertarmos os protocolos”.

Afastamento e sanitização

A COE Bradesco cobra ainda o cumprimento do protocolo de afastamento e o fechamento de agências e a sanitização adequada em casos de infecção de bancários e terceirizados. O banco informou que medidas estão sendo revistas – como o processo de sanitização, que está mais célere, devido à utilização de um novo produto que permite a abertura da agência 45 minutos após sua aplicação – e firmou o compromisso de responder às demandas apresentadas. O Bradesco se comprometeu também a reforçar a importância com a atenção aos protocolos a todos os funcionários do banco.

Grupo de risco

O Bradesco solicitou também a retomada das tratativas para o retorno ao trabalho presencial do grupo de risco. O movimento sindical conquistou a manutenção do grupo de risco em home office até a primeira semana de março. O banco assumiu o compromisso de se reunir com os representantes dos trabalhadores, após o carnaval, para negociar o tema.

A COE voltou a reivindicar também o acordo de teletrabalho, que até o momento não foi aplicado pelo Bradesco.