
Comissão representando os funcionários do Banestes durante a primeira mesa de negociação com o banco (Fotos: Sergio Cardoso/Sindibancários-ES)
Foi iniciada nesta quarta-feira (03) a rodada de negociações relativas ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) dos funcionários do Banestes. “Saúde e condições de trabalho” foi o tema desta reunião de abertura com o banco. A representação dos empregados destacou o adoecimento mental crescente como um dos problemas centrais da categoria. Fora da pauta de negociações, a comissão questionou o Banestes sobre o comunicado intempestivo que anunciou o fim do home office e o retorno de todos os funcionários ao trabalho presencial (saiba mais no final deste texto).
Inicialmente, a dirigente do Sindicato dos Bancários/ES Vanessa Espíndula fez uma explanação sobre o adoecimento, destacando que estudos recentes têm confirmado que há uma epidemia de doenças relacionadas à saúde mental dos bancários. “A situação no Banestes não é diferente”. A dirigente citou a pesquisa “Nossa Saúde Importa”, concluída em junho último com bancários capixabas. A iniciativa é uma parceria entre o Sindicato e o Departamento de Psicologia Social da Ufes. A pesquisa apontou, ainda a partir de dados preliminares, que quase 40% dos bancários respondentes já foram trabalhar com atestado médico; 68% fazem tratamento psicológico ou psiquiátrico; mais de 30% usam medicamentos controlados. Ansiedade em nível grave, depressão e estresse são os males mais citados pelos bancários. “O adoecimento mental ganhou contornos tão relevantes entre os bancários que foi discutido nas conferências e congressos deste ano”, pontuou a dirigente.
Em seguida, a comissão apontou a sobrecarga de trabalho, insegurança em relação ao emprego, piora nas condições de trabalho, desigualdade na valorização dos empregados e a precarização das relações de trabalho como fatores que contribuem para o adoecimento mental.
Mais social, menos mercado
Os integrantes da comissão também fizeram críticas à atual direção por distanciar o Banestes do seu papel social de banco público e estadual e aproximá-lo, cada vez mais, do modelo de gestão de banco privado, voltado exclusivamente para o lucro. “Precisamos encontrar soluções conjuntas para esses problemas com objetivo de o Banestes ser um banco referência em qualidade de vida e saúde do trabalhador. Precisamos promover saúde, dar espaço e tranquilidade para o trabalhador adoecido se cuidar e também cuidar de seus familiares, promover mais tempo com a família e mitigar as atuais desigualdades de oportunidade, tratamento e valorização”, resimiu Vanessa.
Assédio
Outro tema na mesa na esteira do eixo condições de trabalho foi o assédio moral. O Banestes admitiu que está para implantar um programa de treinamento para gestores voltado para a gestão de pessoas. O dirigente Jonas Freire afirmou que as queixas de assédio que chegam ao Sindicato são recorrentes. “Esse é um problema muito grave que precisa ser urgentemente solucionado. Aliás, dentro da cláusula Assédio Moral/Organizacional da minuta apresentada ao Banestes, está previsto, entre outras ações, que o banco deverá providenciar curso de Gestão de Pessoas para todos os Gestores e funções de liderança de cada agência/Departamento sobre o tema assédio”, assinalou Jonas.
Outro questão levada à mesa apontou casos da perda de função de funcionários que se afastaram para tratamento de saúde e retornaram ao trabalho depois de seis meses. Os representantes do Banestes negaram essa situação. A comissão pediu então ao banco, já que a situação foi negada, que incluísse no novo ACT uma cláusula para assegurar que funcionários afastados por motivo de saúde não perderão a função no retorno da licença de saúde. O banco, entretanto, alegou que não poderia garantir a estabilidade de função no Acordo.
Os representantes do Banestes ficaram de levar as propostas discutidas com a comissão na mesa desta terça para avaliação da direção do banco.
Próximas reuniões com o Banestes (julho):
- 10/07 – Banescaixa e Plano de Cargos e Salários;
- 17/07 – Cláusulas Econômicas + Reajuste;
- 24/07 – Cláusulas Econômicas + REV;
- 31/07 – Cláusulas Sociais e Sindicais.
Encerramento do home office
Embora fosse um assunto fora da pauta das negociações, foi inevitável para a comissão não questionar o fim intempestivo do home office. O Banestes, por meio de um comunicado, anunciou nessa terça-feira (02) o encerramento do modelo home office para todos os funcionários do Sistema Financeiro Banestes (banco, seguradora e DTVM). O Colegiado da Diretoria decidiu que todos os funcionários devem retornar às unidades de lotação até o dia 1º de agosto.
O dirigente do Sindicato Marcelo Giacomin, que também integra a comissão de negociações, ponderou que uma decisão que irá causar profundas mudanças nas vidas dos trabalhadores não deveria ser tomada de maneira açodada. “É uma decisão unilateral. Precisamos ampliar essa discussão e avaliar a decisão do Banestes. Por isso estamos propondo a realização de uma plenária urgente”, assinalou Marcelo.
Plenária
Para tratar exclusivamente da questão do encerramento do home office, o Sindicato dos Bancários/ES irá fazer uma plenária (on-line) na próxima terça-feira (09), a partir da 19h, para analisar a decisão do Banestes de encerrar o home office e convocar todos os funcionários para o retorno ao trabalho presencial até o dia 1º de agosto.

