O Grupo de Trabalho Caixa do Futuro fez sua primeira reunião nessa quinta-feira (31). Constituído por empregados e empregadas indicados pelos sindicatos e por representantes da Caixa, o GT tem como desafio refletir sobre ações em defesa do caráter público do banco, valorização e manutenção dos direitos dos empregados e garantia da qualidade do atendimento aos clientes.
Representante do Sindicato dos Bancários/ES no GT, o dirigente André Tosta destacou a importância da iniciativa. Ele afirmou que as questões às quais o grupo está se propondo a discutir têm impactos diretos na vida do empregado e da empregada da Caixa. Maior instituição brasileira em número de usuários, com mais de 150 milhões de clientes, a Caixa é referência de banco com caráter social. “Não podemos perder de vista a vocação social da Caixa como banco de fomento e desenvolvimento socioeconômico do país”. André disse que a Caixa não pode espelhar o atual modelo de negócios dos bancos privados, que têm a imposição de metas como principal instrumento para aumentar as margens de lucro. “Como os números têm confirmado, a política de metas é o hoje o principal gatilho do adoecimento mental da categoria bancária. São questões que precisam ser urgentemente discutidas, e o GT pode ser um fórum interessante para este debate. Essas questões precisam ser enfrentadas”, advertiu.
Rafael de Castro, da Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa), também destacou a importância do GT trazer para a discussão questões como as metas. “Um banco com produtos voltados para as reais necessidades das pessoas, que se vendam sozinhos, sem ter que ser ‘empurrados’ pelos empregados aos clientes, para que se batam as metas de vendas estabelecidas pelo banco”.
Sobre a expectativa do GT, Rafael acrescentou: “É aqui, na mesa de negociações, que podemos estreitar essa relação para juntos defender o banco público e valorizarmos o trabalho das empregadas e empregados. Assim vamos resgatar o orgulho que sempre tivemos de trabalhar na Caixa”, disse.
Foco no cliente
Durante a reunião, os representantes da Caixa fizeram uma apresentação sobre sua “cultura organizacional”, ressaltando que o propósito da Caixa é “transformar a vida das pessoas”, sendo indispensável ao Brasil, atuando com agilidade, eficiência e centralidade no cliente. E que, nesta cultura organizacional, “cooperar é melhor do que competir”.
Super Caixa
Outro ponto apresentado pelo banco foi com relação ao programa de premiação SuperCaixa. Recentemente lançado, o programa altera o modelo de comissionamento por venda. Alvo de críticas por parte do movimento sindical e das associações de empregados, o novo programa aumenta a dificuldade para o empregado se habilitar ao recebimento das comissões e diminui a frequência dos pagamentos, que deixam de ser trimestrais e passam a ser semestrais.
“Este é um assunto muito delicado, pois enxergamos fatores adoecedores nesta modalidade de premiação. Acreditamos que quando negociado com as entidades de representação dos trabalhadores e estabelecidos critérios objetivos, não existem tantas reclamações como as que estamos recebendo das nossas bases”, disse Rafael de Castro.
“O problema é que, se a unidade não entregar o azul, ninguém naquela unidade recebe a remuneração, mesmo que tenha cumprido 100% das metas individuais e contribuído para o resultado coletivo da Caixa, isso pode desestimular os colegas e não reconhecer o esforço das entregas”, observou Joana. “No regramento anterior do TDV (time de vendas), os empregados poderiam alcançar até R$ 50 mil por trimestre. Sem estar atrelado ao resultado da unidade, e ainda assim, mais de 90% das unidades da Caixa fecharam acima dos 100%, o que reflete a dedicação dos empregados”, afirmou Joana Lustosa da Apcef do Amapá.
“Outra questão agora é, além de condicionar aos 100%, ampliaram os gatilhos, fazendo com que as pessoas tenham que vender mais para ganhar menos”, completou a dirigente.
Outra mudança que pode prejudicar os trabalhadores é a vinculação do pagamento à remuneração base (RB). Além disso, deixa de ser trimestral e passa a ser semestral. O teto por semestre passa a ser de até quatro RBs. Antes era de até R$50 mil por trimestre.
“Da forma como estabelecido pela Caixa, quando há um esforço do empregado e ele atinge sua meta individual, mas existe problema na unidade, ele não recebe a premiação. Ao invés de a premiação ser um estímulo, funciona ao contrário”, disse Fernanda dos Anjos da Apcef-SP.
Segundo a representação dos trabalhadores, ao contrário do que foi afirmado pela Caixa, os empregados reclamam que a nova forma de premiação da Caixa dificulta o atingimento da meta estabelecida e, se for atingida, os valores pagos serão menores do que os que eram pagos no formato anterior. A Caixa nega.
Outra revisão pedida pela representação dos trabalhadores foi com relação ao absenteísmo. O banco disse que as ausências prejudicam apenas do nível das Superintendências Regionais para cima. Os empregados observaram que se as superintendências são prejudicadas elas fazem pressão nos níveis inferiores. Ou seja, mesmo que não oficializado, há prejuízo também para os níveis mais baixos.
VPN
Os empregados questionaram o banco sobre a volta do funcionamento da Rede Virtual Privada (VPN) que está desativada e impede o trabalho remoto (home office). A volta do funcionamento da VPN está prevista para acontecer nesta sexta-feira (1º/8). O banco deve enviar uma circular interna sobre o assunto ainda nesta quinta-feira (31/7).
A falta do VPN causa diversos problemas aos empregados, uma vez que o banco não tem estrutura adequada suficiente para que todos os empregados realizem suas atividades em alguma unidade.
Outras pautas
A representação dos empregados também apresentou outros questionamentos para que a Caixa traga respostas na próxima reunião. Entre elas a disponibilização, ou não, de celulares para o uso do App de visitas PJ; a falta de estrutura para o retorno ao trabalho presencial dos empregados que realizam as atividades em formato remoto; e questões relacionadas à reestruturação de agências digitais, novos formatos de agências.
A representação dos empregados também cobrou o debate sobre carreiras e sobre novas ferramentas de mensuração, que privilegiem a cooperação entre colegas e unidades e não o canibalismo ou autofagia, que só incentivam disputas entre unidades da própria Caixa.
Próximas reuniões
A próxima reunião do GT Caixa do Futuro deve acontecer no dia 3 de setembro, de forma remota, por videoconferência.
(Com informações da Fenae)

