Nessa segunda-feira, 1, durante a rodada que discutiu com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) “Saúde e Condições de Trabalho”, os representantes do Comando Nacional dos Bancários foram enfáticos: a maior causa do adoecimento na categoria bancária é a pressão, com assédio moral, por metas abusivas. Foram apresentados aos bancos um farto acervo de dados, comprovando que o adoecimento do bancário e da bancária está diretamente relacionado ao modelo de gestão dos bancos, pautado na pressão por metas cada vez mais abusivas e desumanas. 

Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), nos últimos cinco anos, o número de afastamentos de bancários aumentou 26,2%, enquanto no geral a variação foi de 15,4%. “Apesar dos dados serem incontestáveis, os representantes da Fenaban resistem em relacionar o aumento do adoecimento da categoria, sobretudo das doenças mentais, com esse ambiente tóxico de cobrança por metas que tomou conta dos bancos”, afirma Carlos Pereira de Araújo (Carlão), integrante do Comando e diretor do Sindicato dos Bancários/ES. 

Carlão diz que o argumento dos bancos de tentar desvincular o assédio como principal causa do adoecimento caiu por terra quando o Comando apresentou dados comparativos com outras categorias. “Os bancos defendem que o aumento do adoecimento é um fenômeno da humanidade que não tem relação com as metas abusivas, mas contra fatos não há argumentos. Quando se analisa os dados levantados pelo Dieese, fica evidente que a categoria bancária adoece mais em relação a outras”, aponta.

Saúde é prioridade

Saúde e as condições de trabalho são sempre apontados como uma das maiores preocupações dos bancários. “Nos congressos, nas plenárias e mesmo nas conversas tête-à-tête com o bancário, esse é um tema recorrente”. Carlão diz que a ganância sem fim dos bancos por lucros cada vez maiores tem intensificado essa cobrança por metas nos últimos anos. “Essa pressão cria um clima de competitividade insano na busca por metas. O resultado, não podia ser diferente, é o adoecimento em massa”. 

Ele acrescenta ainda que as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort), doenças que mais acometiam a categoria, deram lugar a doenças como depressão, ansiedade, síndrome de burnout, síndrome do pânico, entre outras. 

O levantamento do Dieese, a partir de dados do INSS, aponta que as doenças mentais e comportamentais representavam 23% dos afastamentos previdenciários da categoria em 2012. Em 2021 o índice passou para 36%. Entre os afastamentos acidentários (B91), o salto foi de 30% em 2012 para 55% em 2021. As doenças nervosas cresceram de 9% para 16%.

O Comando lembrou aos representantes da Fenaban que, recentemente, o Santander foi condenado pela Justiça do Trabalho a pagar R$ 275 milhões de indenização por cobrança de metas abusivas, em uma ação coletiva movida pelo Ministério Público do Trabalho com base em estudos embasados em diversos dados, pesquisas e entrevistas com trabalhadores da categoria. Na decisão, a Justiça proibiu o banco de continuar a exercer as práticas abusivas de imposição de metas.

Também ganhou grande repercussão, no início de julho último, as denúncias de assédio moral e sexual que levaram à queda do ex-presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

Tema será retomado

No final, os bancos insistiram que é preciso realizar estudos para se comprovar se de fato o adoecimento mental é consequência da pressão por metas e do assédio moral. Mas, após o Comando apresentar tantas evidências, a Fenaban concordou em analisar as propostas da categoria e agendar uma nova reunião para retomar a discussão.

Próxima reunião

A próxima reunião da Campanha Nacional dos Bancários 2022 com a Fenaban acontece na quarta-feira, 3. A reunião abre as rodadas de negociações das cláusulas econômicas.