Uso de inteligência artificial e de novas tecnologias para a contratação e avaliação de bancários e bancárias em trabalho remoto foram alguns dos temas tratados na reunião do Comando Nacional dos Bancários e da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) em reunião que aconteceu nesta quinta-feira, 25, em São Paulo. 

As partes deliberaram pela abertura de mesa específica de negociação, com definição de calendário de reuniões e desenvolvimento de análises sobre o tema, visando à construção coletiva setorial, tendo como princípios a transparência, o respeito à privacidade e a governança ética da tecnologia.

“Essa discussão dialoga com as mil demissões impostas pelo Itaú após avaliação por inteligência artificial. Esse monitoramento que o Itaú inaugura atinge sobretudo quem está em home office, mas não só. Reivindicamos o uso ético da tecnologia, com transparência desde a contratação, garantindo ampla divulgação entre os trabalhadores das ferramentas de monitoramento utilizadas, e que essas tenham razoabilidade”, afirma Carlos Pereira de Araújo (Carlão), coordenador-geral do Sindicato e membro do Comando.

Carlão lembra que “os demitidos, em sua maioria, nem sabiam que estavam sendo monitorados, nem a chefia imediata sabia desse modelo”. Esses bancários e bancárias contestam a afirmação de que eles se afastavam do trabalho durante o expediente. “Os trabalhadores têm o direito de contestar as afirmações da inteligência artificial”, afirma o dirigente. “Ao final da reunião, os bancos aceitaram reabrir o debate com os bancários por meio do Comando, para colocar cláusulas na Convenção Coletiva sobre o tema, “e que tenham um grau de razoabilidade e equilíbrio, que seja do interesse dos trabalhadores e dos bancos, com acompanhamento pelos sindicatos. Na nossa avaliação foram demissões arbitrárias do Itaú”. 

Durante a reunião, o Comando destacou a necessidade de estabelecer regras e limites para o uso de ferramentas tecnológicas para o monitoramento do trabalho dos bancários. Também foi cobrado o direito à informação das entidades sindicais sobre esses mecanismos de avaliação de desempenho, produtividade e aderência dos trabalhadores. O Comando cobrou o uso da tecnologia para melhorar o trabalho e a vida dos bancários e bancárias.

Diversidade

Em relação ao 4º Censo da Diversidade no setor bancário, que está garantido na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), o Comando alertou que a coleta de dados por meio de um link específico de cada instituição financeira pode reduzir a participação de bancários liberados, ou cedidos, que não tenham acesso à intranet.

Segundo a Fenaban, cerca de 27 mil bancários responderam ao censo na primeira semana. Sobre a participação de funcionários sem acesso à intranet, a representação dos bancos disse que a questão será analisada, mas que a maior dificuldade é a segurança de dados.