Diante da possibilidade de riscos à saúde dos trabalhadores, o Comando Nacional dos Bancários solicitou à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) a suspensão imediata do uso de papéis térmicos com bisfenol A (BPA) e bisfenol S (BPS) em impressoras nas unidades bancárias. O tema está sendo discutido em mesa de negociação específica com os bancos. O Comando ainda aguarda retorno sobre a reivindicação feita no dia 8 de outubro.

Os representantes patronais informaram que os cincos maiores bancos que atuam no Brasil trabalham apenas com bobinas de papel térmico à base de bisfenol S (BPS), e não do bisfenol A (BPA). Mesmo assim, enquanto ainda não há estudos conclusivos sobre possível contaminação a partir do manuseio desse material, o Comando reforçou o pedido de suspensão do uso desse tipo de papel.

“Nossa maior preocupação no momento é garantir a prevenção de possível contaminação. Por isso, solicitamos a suspensão imediata do uso de papel com BPS.  Vamos seguir discutindo o tema com os bancos e buscando os órgãos de saúde responsáveis para que seja averiguado o real risco da presença desse componente químico no papel à saúde dos trabalhadores. Enquanto o tema for discutido em mesa de negociação, não vamos ajuizar ações coletivas”, explica o diretor de Saúde e Condições de Trabalho do Sindibancários/ES, Ronan Teixeira, que participou da mesa com a Fenaban.

O dirigente acrescenta: “Como estão sendo feitos estudos em relação ao tema, ainda não conclusivos, as assessorias jurídicas da Contraf e a nossa, do Sindicato, estão  analisando a viabilidade assertiva de entrar com ações tanto coletivas quanto individuais”.

Estudos 

Representantes dos bancários apresentaram o estudo publicado em 2014 pelo The Journal of the American Medical Association (Jama). Primeira a investigar em detalhes a contaminação pelo manuseio de papeis térmicos com o bisfenol A (BPA), a pesquisa mostrou que somente após duas horas manuseando os papéis térmicos, sem a utilização de luvas, o químico foi identificado na urina de todos (100%) os voluntários.

Antes de começar a experiência, 83% dos participantes já apresentavam bisfenol A na urina, em concentração média de 1,8 μg/L. Depois dos testes, sem luvas, além de haver o registro de bisfenol na urina de todos os participantes, a concentração média subiu cinco vezes mais (5,8 μg/L).

Desde 2020, a União Europeia proibiu o uso de papéis produzidos com BPA em países do bloco, que passaram a substituir o químico pelo BPS. Entretanto, esse segundo componente não acaba com a preocupação, o que fez com que a Suíça se tornasse o primeiro país no mundo a proibir tanto o BPA quanto o BPS na fabricação de papéis térmicos.

Aqui no Brasil, uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal Fluminense (UFF), em 2023, indicou que o BPS pode ser tão prejudicial quanto o BPA, especialmente para o coração. “Nós observamos que a combinação da obesidade com a exposição ao BPS intensifica a hipertrofia e a fibrose cardíaca, condições que podem evoluir para doenças cardiovasculares graves, como insuficiência cardíaca”, explicou a doutora Beatriz Alexandre-Santos, autora do estudo.

Proposta 

Ao final do encontro, a representação da Fenaban solicitou ao Comando Nacional os estudos que foram apresentados e sugeriu incluir outros entes no desenvolvimento de pesquisas sobre os impactos do BPS na saúde de bancários e bancárias.

A representação dos trabalhadores, por sua vez, sugeriu buscar entidades e pessoas especializadas, como médicos, pesquisadores de universidades, ministérios, Fiocruz e a Fundacentro.

 Com informações da Contraf