Novamente, não houve acordo entre a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e o Comando Nacional dos Bancários. A 11ª rodada de negociação desta quarta-feira (28) repetiu o roteiro das anteriores. Os bancos voltaram a apresentar uma proposta rebaixada que impõe perdas à categoria. Como não podia ser diferente, o Comando rejeitou mais uma vez a proposta. Sem acordo, as negociações serão retomadas nesta quinta-feira (29) a partir das 10h30. Nesta quinta, ao meio-dia, acontecem também as negociações do Banco do Brasil e Caixa.

Na avaliação do dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e membro do Comando Nacional, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), prevaleceu novamente a intransigência dos bancos, que insistem em apresentar uma proposta rebaixada. “Nossa reivindicação é o INPC mais aumento real de 5% sobre os salários, vales alimentação/refeição e demais verbas remuneratórias. Não podemos aceitar uma proposta que mal repõe a inflação. É um acinte da Fenaban tentar pôr na mesa mais uma proposta indecente, que está muito distante da nossa reivindicação. Sem falar que a proposta dos bancos tem o intuito de dividir a categoria, pois propõe um reajuste por faixas salariais. Definitivamente não podemos aceitar”, afirmou Carlão. 

Proposta indecente
A Fenaban propôs um ganho real ínfimo de 0,09% para a primeira faixa salarial (até R$ 5.593,97); na segunda faixa (de R$ 5.593,98 a R$ 8.360,95) o aumento, se é que se pode chamar assim, é de 0,04%. As demais faixas, acima de R$ 8.395,96, não teriam ganho real. Além disso, 34,9% dos bancários, que estão na última faixa (a partir de R$ 11.147,95), não teriam reajuste na data-base, apenas a reposição da inflação em dezembro.

Os integrantes do Comando destacaram que a proposta também prejudica o pagamento da PLR, que seria antecipada apenas em novembro e sem ganho real. A Fenaban não apresentou proposta de aumento maior nos vales alimentação/refeição, nem melhoria da PLR.

Mobilização e assembleia
O Comando reforçou aos bancários e às bancárias de todo o país que mantenham a mobilização de rua e nas redes sociais nos próximos dias e reconfirmou as assembleias para a próxima quarta-feira (04). 

Estado de greve
Durante toda a semana, a categoria em todo o país vem intensificando ações nas ruas e nas redes sociais para pressionar os bancos. Nessa segunda (26), os bancários da base capixaba se reuniram em assembleia para avaliar as negociações com a Fenaban. A categoria no Espírito Santo aprovou o estado de greve. Isso significa que a partir de agora, a qualquer momento, a categoria está pronta para deflagrar uma greve geral.

Os bancários capixabas aprovaram também a estratégia de venda zero. A orientação é suspender a venda de todos os produtos bancários até que a Fenaban apresente uma proposta que valorize a categoria. Outro encaminhamento da assembleia foi cobrar do Comando Nacional um calendário com indicativo de greve nacional para a categoria.

(Com informações da Contraf)