O Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) encerraram nessa terça-feira (4) a sexta rodada de negociação sem uma posição dos bancos sobre as demandas da categoria. A estratégia da “enrolação” tem se repetido na mesa de negociações específicas do Banco do Brasil. Para os integrantes da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), o BB perdeu, mais uma vez, a oportunidade de apresentar respostas às reivindicações dos bancários. Na rodada desta quarta-feira (5), a representação dos funcionários se concentrou em três eixos: abertura de concursos públicos, soluções para o custeio da Cassi e o aperfeiçoamento do programa de cargos e salários (PCS), também conhecido como programa de carreira e remuneração (PCR).
“Levamos à mesa de negociações pontos críticos. Por exemplo, insistimos na urgência de abertura de concurso público. A redução sistemática do número de funcionários tem gerado sobrecarga de trabalho. Em meio a metas cada vez mais intangíveis, isso se torna um gatilho para o adoecimento mental. Fomos enfáticos: a única saída viável para solucionar o problema da sobrecarga de trabalho é a realização de novos concursos públicos”, afirmou a dirigente do Sindicato dos Bancários/ES Nathalia Galini, que também integra a CEBB.
Os representantes da CEBB afirmaram que a falta de funcionários é uma realidade nas agências e departamentos do BB em diversas localidades do país. Nathalia disse que o problema também é enfrentado pelos bancários capixabas, cada vez mais sobrecarregados com o número reduzido de bancários.
Com relação às metas, a representação dos bancários relatou que há uma grande insatisfação dos trabalhadores e trabalhadoras. “Os colegas alegam que as metas impostas são inatingíveis. Como as metas são intangíveis, muitos bancários não conseguem cumpri-las e sofrem prejuízos na remuneração (PLR)”, explicou.
Sobre as metas, o banco se comprometeu a convocar uma mesa específica para apresentar um programa novo, chamado Revisa, onde as unidades teriam a oportunidade de pedir uma revisão, após o recebimento de indicadores.
Custeio Cassi
A CEBB reivindicou que o banco apresente um plano de custeio, com o aumento da responsabilidade da empresa na sustentabilidade da Cassi. O banco reconheceu a urgência sobre a questão financeira da caixa de assistência, mas ponderou que para se alcançar uma “solução definitiva e estruturante” precisará de mais tempo. Os representantes do BB afirmaram que ainda estão estudando um modelo de custeio para franquear o acesso de todos os egressos ao plano de saúde. “Na prática, não houve avanços na pauta da Cassi. Continuamos no mesmo lugar”, criticou Nathalia.
PCS/PCR
A CEBB ressaltou que o Programa de Cargos e Salários (também conhecido como Programa de Carreira e Remuneração) precisa passar por um aperfeiçoamento, com foco na revisão de critérios de progressão, valorização do mérito, reajuste de adicionais de função e atualização dos vencimentos do funcionalismo.
Vocação pública do BB
A representação dos trabalhadores também destacou outros eixos de discussão na reunião. Uma das críticas se referiu ao afastamento do BB de seu papel como banco público. Nathalia afirmou que o BB tem se aproximado cada vez mais do modelo dos bancos privados. Segundo ela, a meta passou a ser a ferramenta de opressão do banco para atingir resultados recordes ano a ano.
Cláusulas econômicas e condições de trabalho
Os interlocutores do BB fizeram uma apresentação na tentativa de provar que existe crescimento de carreira no banco, criticando, também, os pedidos de reajustes de verbas da minuta de reivindicações da categoria.
O movimento sindical rebateu. Segundo os integrantes da CEBB, a minuta de reivindicações é uma construção democrática e coletiva e que envolve funcionários do país inteiro. “A minuta é uma construção legítima e democrática dos funcionários e funcionárias das bases de todo o país. O documento de reivindicações expressa um anseio comum. Exigimos respostas do banco que garantam um reajuste justo e a efetiva valorização da categoria”, sublinhou a dirigente.
Próxima mesa
Os representantes dos trabalhadores e do BB voltarão a se reunir no dia 14 de agosto. “Com a proximidade da data-base, esperamos que o banco apresente respostas efetivas às nossas pautas na próxima reunião, demonstrando compromisso real com o reconhecimento e o respeito aos seus funcionários e funcionárias”, finalizou Nathalia.
(Com informações da Contraf)









