Conferência aprova a minuta de reivindicações da Campanha Nacional 2024

10/06/2024 12:30

O fim do assédio e dos instrumentos adoecedores na cobrança de metas estão na minuta de reivindicações aprovada

Delegação capixaba

Os bancários vão reivindicar na Campanha Nacional 2024 reposição da inflação do último período mais aumento real de 5%, maior participação nos lucros e resultados (PLR) e a ampliação de direitos. O fim do assédio e dos instrumentos adoecedores na cobrança de metas também estão na minuta de reivindicações aprovada na 26ª Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro realizada no último final de semana (7 a 9) em São Paulo.

Outros eixos de luta são: representação de todos os trabalhadores do ramo financeiro; defesa dos empregos, impactos dos avanços tecnológicos no trabalho bancário; redução da taxa de juros para induzir o crescimento econômico e geração de emprego e renda; uma reforma tributária para tributar os super ricos e ampliar a isenção do imposto de renda na PLR; fortalecimento das entidades sindicais e da negociação coletiva; ampliação da sindicalização; fortalecimento do debate sobre a importância das eleições de 2024 para a classe trabalhadora na defesa de seus direitos e da democracia, com eleição de candidatos e candidatas que tenham compromisso com essa pauta.

A delegação do Espírito Santo e a Intersindical defenderam um índice maior de aumento real (10%), mas foi voto vencido na plenária, prevalecendo os 5%. Também a PLR defendida pelos capixabas e integrantes da Intersindical foi de distribuição linear para todos os bancários. O modelo aprovado repete os anos anteriores. Como avanço, o diretor do Sindicato Carlos Pereira de Araújo (Carlão) destacou o consenso em relação à formulação do eixo que terá como desdobramentos cláusulas que garantam o fim do assédio moral e dos instrumentos adoecedores na cobrança de metas. “Esperamos que essa campanha seja um marco histórico na luta contra o assédio moral e o adoecimento mental da categoria”, afirmou.

Consulta nacional

Os resultados da Consulta Nacional aos Bancários, realizada de 17 de abril a 2 de junho com trabalhadores da categoria de todo o país, foram apresentados durante a conferência. No total, a consulta ouviu 46.824 trabalhadoras e trabalhadores da categoria em todo o país. Aumento real, aumento da PLR e aumento maior para os vales alimentação e refeição foram apontadas como as três prioridades econômicas.

Endividamento

A Consulta deste ano também mediu o endividamento da categoria. Entre os respondentes, 71% têm dívidas, sendo que 10% possuem dívida em atraso. Desse percentual, 66% possuem dívidas em atraso com empresas de cartão de crédito e 44% são dívidas de crédito pessoal.

Sobre o financiamento da luta para manutenção e conquistas de direitos, 92,4% acredita que deve ser responsabilidade de todos os bancários, pois todos se beneficiam das conquistas. Apenas 6,8% acreditam que somente sócios dos sindicatos devem se responsabilizar pelo financiamento da luta, mesmo que todos os bancários sejam beneficiados.

A Consulta também questionou sobre a forma preferida de participação nas assembleias da categoria. Apenas 12% prefere participar presencialmente. A grande maioria, 87% prefere participar por meio virtual/remoto, com votação por plataformas digitais na internet.

Com relação às eleições municipais, 74% avaliam como muito importante eleger candidatas e candidatos comprometidos com as pautas dos trabalhadores para as prefeituras e câmaras municipais. Outros 18% avaliam como importante a eleição de candidatos com esse perfil. Apenas 4% avaliam como pouco importante e outros 4% que isso não tem importância.

Reforma tributária

A categoria também foi convidada a avaliar o grau de importância sobre diversos pontos referentes à reforma tributária.

  • A ampliação da faixa de isenção do imposto de renda cobrado sobre a PLR é muito importante para 85%, importante para 11%, pouco importante para 2% e para 1% não tem importância;
  • A isenção do imposto de renda para quem recebe salário de até R$ 5 mil é muito importante para 74%, importante para 19%, pouco importante para 4% e para 2% não tem importância;
  • A cobrança do imposto sobre grandes fortunas para pessoas físicas com riqueza acima de R$ 10 milhões é muito importante para 69%, importante para 16%, pouco importante para 8% e para 7% não tem importância;
  • O fim da isenção de imposto de renda para lucros e dividendos é muito importante para 67%, importante para 15%, pouco importante para 9% e para 8% não tem importância.