Associados e entidades lançam manifesto em defesa da Cassi

09/10/2019 17:06

Propostas elaboradas foram encaminhadas para as entidades que compõem a mesa de negociação, Cassi e BB para serem analisadas como solução para a atual crise da Cassi

No último dia 27 de setembro, estudiosos, ex-diretores da CASSI, dirigentes de associações, sindicatos, federações e associados se reuniram para discutir soluções para a situação da Cassi. O encontro aconteceu na Associação dos Funcionários Aposentados do Banco do Brasil de São Paulo (AFABB-SP) e foi um importante espaço de construção de propostas em defesa da Cassi. Esse grupo resgatou a proposta construída pelo GT formado pelas entidades e funcionários/atuários da Cassi em novembro de 2018.

Como resultado desse debate foi publicado um manifesto com diretrizes alternativas para sanar os atuais problemas da Cassi. O documento foi encaminhado para a Contraf, Contec, Anabb, FAABB, AAFBB  – entidades que compõem a mesa de negociação -, Cassi e BB, para que seja analisado como uma alternativa para solução da crise atual da CASSI. Além do encaminhamento do manifesto às entidades, o documento também deveria ser submetido ao debate e aprovação dos associados em assembleias, que devem ser encaminhadas pela Contraf e Contec.

Confira o manifesto e as propostas das entidades:

 Manifesto CASSI – A CASSI tem Solução

A CASSI tem Solução

05/10/2019

Nós, funcionários do Banco do Brasil e associados da CASSI, abaixo assinados, que vimos acompanhando os debates e estudando alternativas para o reequilíbrio do Plano de Associados da CASSI e que votamos contrariamente às propostas apresentadas pelo Banco do Brasil nas duas consultas realizadas, reunimo-nos no dia 27/09/2019, em São Paulo, e deliberamos por divulgar o presente manifesto e proposta aos colegas, às entidades representativas de colegas da ativa e aposentados, e às entidades que compõem a Comissão Nacional de Negociação.

Manifesto – Proposta

A CASSI é uma empresa privada, criada pelos funcionários do Banco do Brasil, em 1944. Desde a sua criação, o modelo escolhido para de rateio de custos foi o chamado “Modelo Solidário”, o modelo de rateio por percentual comum da renda de todos. O “Modelo Solidário” parte da constatação de que, não temos como saber, de antemão, quem vai adoecer ou que tipo de doença terá. Não temos como saber com que idade cada um poderá necessitar de atenção médica. Não temos como saber o quanto custará o tratamento de uma enfermidade, quer seja numa criança, num adulto ou num idoso. Assim, todos devem contribuir com o mesmo comprometimento percentual de suas rendas para garantir a utilização dos serviços de saúde, para si e para todos os seus familiares, na medida de suas necessidades.

Por conta dessa opção – modelo solidário de rateio – é que a CASSI chegou aos seus 75 anos de existência, com os seguintes comprometimentos de renda para acolher aos associados e seus familiares:

A Consultoria Accenture, contratada pelo BB para analisar a CASSI, constatou que:

  • a CASSI tem 24% de usuários idosos, contra 5,6% da média de mercado;
  • a CASSI atende seus associados por toda a vida;
  • a CASSI trabalha a prevenção e a promoção de saúde, com foco na atenção primária à saúde;
  • a CASSI registra o menor custo per capita do mercado, em todas as faixas etárias, porque, faz mais exames e consultas para ter menos internações e cirurgias.

Hoje, o problema do Plano de Associados é financeiro. E, se o Plano de Associados tem o menor custo per capita do mercado, o problema não está nos seus custos. Está na sua arrecadação. Nosso desafio é resolver o problema da arrecadação mantendo a capacidade de pagamento dos associados, o que tem sido possível pela utilização do rateio pelo Modelo Solidário.

Estudo da CASSI – atuarial e financeiro – apresentado às entidades em novembro/2018, apontou uma necessidade de arrecadação equivalente a 14% da folha de pagamentos para que o Plano de Associados, no curto, médio e longo prazos, resgatasse o fluxo de caixa positivo, reconstituísse as reservas obrigatórias e livres e readequasse os índices de liquidez e solvência, bem como o volume de recursos garantidores.

Mantida a proporção contributiva atual, os funcionários, ativos e aposentados, deveriam passar a contribuir com 5,6% de seus salários e o BB com 8,4% das folhas de pagamento de ativos e aposentados.

Nossa proposta, a ser submetida aos funcionários do BB em assembleias é a seguinte:

Dessa forma, estaríamos arrecadando os 14% necessários para pôr fim à interferência da ANS e darmos início à retomada dos investimentos no aperfeiçoamento administrativo e na ampliação da Estratégia de Saúde da Família.

A coparticipação foi instituída nos modelos de mercado e assumida pela CASSI em 2007, para regular e inibir o “uso desnecessário” de consultas e exames. Agora está demonstrado que o uso, maior e coordenado, de consultas e exames na Estratégia de Saúde da Família faz com que o modelo preventivo tenha mais efetividade, fazendo com que a CASSI tenha o menor custo per capita em todas as faixas etárias. Por isso, a proposta visa, também, acabar com as coparticipações, tornando o plano mais barato e solidário para com os que mais precisam.

Pesquisa recente da Mercer & Marsh, apurou que as empresas brasileiras gastam, em média, com a saúde de seus funcionários, o equivalente a 13% das respectivas folhas de pagamentos. O BB tem compromisso estatutário de aportar 4,5% das folhas de pagamentos de seus funcionários aposentados e aposentáveis (os da ativa).

Temos certeza de que os associados aceitam aumentar sua contribuição para sanar o desequilíbrio da arrecadação, mas esperam que o Banco do Brasil assuma a sua contrapartida ao Plano.

Os funcionários do banco, associados da CASSI, até o momento só foram chamados a deliberar sobre propostas do BB. Está mais do que na hora de nossas entidades representativas chamarem assembleias em todo o País para aprovarmos a nossa proposta para o restabelecimento do equilíbrio do Plano de Associados.

O governo atual busca privatizar o Banco do Brasil. E, para facilitar a venda, busca reduzir seus custos, principalmente com benefícios a empregados.

Não adianta fazermos campanha para que outros defendam o Banco como importante instrumento para o desenvolvimento do País, se não fizermos a nossa parte nessa resistência.

Adelmo Vianna Gomes
Martha Tramm
Aloísio P. Cuginotti
Francisco Ricardo Soares
Mônica Ferreira de Almeida
Bento José Damasceno Ferreira
José Carlos Noronha
Neusa Mizue Yoda Fukimori
Brenno Almeida
José Carlos Vasconcelos
Nilson João de Oliveira
Carlos Guilherme Haeser
Liana Maia
Ricardo Tavares Fernandes
Cristiana Garbinatto
Luciana Vieira Belém
Rita Anchieta
Elisabeth B. S. Bueno
Luis Carlos da Rocha Leal
Rubens Rodrigues Costa
Fernando Amaral Baptista Filho
Luiz Antônio Carelli
Sandra Regina de Miranda
Francisco Assis Costa
Maria Goretti F. Barone Falqueto
Thiago de Vasconcelos Duda