Bancários e bancárias da Caixa definiram como eixos centrais para 2025 a defesa do Saúde Caixa e a luta por melhores condições de Trabalho. A pauta foi debatida em congresso específico nesta sexta-feira, 27, reunindo bancários do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. O congresso integra a programação do VIII Congresso Estadual dos Bancários e das Bancárias, que acontece em Nova Almeida, na Serra, e vai até domingo, 29.

Na parte da manhã, o evento focou no Saúde Caixa, discutindo os desafios para a sustentabilidade do plano e as estratégias para resistir às ofensivas contra essa conquista dos empregados. Os bancários defendem reajuste zero para os trabalhadores, aumento da contribuição da Caixa e fim do teto de 6,5%, com manutenção da solidariedade e do pacto geracional – princípios fundantes do Saúde Caixa e fundamentais para a sua preservação.

Os participantes acompanharam também a mesa “Inovações, tecnologias, terceirização e emprego bancário”, com participação do economista Gustavo Carvazan, do Dieese. O debate aconteceu em conjunto com empregados de outros bancos públicos e privados. Veja a cobertura [link].

Na avaliação do diretor Igor Bongiovani, os debates específicos foram ricos e deixam o desafio da mobilização. “Esse é um ano de renovação do Acordo Coletivo e é imprescindível a mobilização de toda a categoria, incluindo os aposentados, para que de fato tenhamos melhores condições de trabalho e um plano que seja sustentável, superavitário e que atenda os anseios dos bancários. Nosso desafio é grande e contamos com todos”, disse.

Saúde Caixa

Leonardo dos Santos Quadros foi o convidado da mesa sobre o Saúde Caixa. Ele é diretor da Fenae e teve participação no GT nacional do Saúde Caixa e na mesa de negociação. Quadros apresentou em detalhes o histórico de financiamento do plano, explicando o desequilíbrio financeiro iniciado a partir de 2016.

“Reajustes baixos e falta de reposição do quadro de funcionários após planos de desligamento voluntário reduziram a folha de pagamento. Somou-se a isso a ameaça da CGPAR 23, que impôs um teto 6,5% da folha sobre a contribuição da Caixa. Desde então, o banco se utiliza desse teto para reduzir a sua participação no custeio, descumprindo o modelo solidário 70/30, que prevê o custeio de 70% do plano pela Caixa e 30% pelos empregados”, explica. O teto está previsto no estatuto da Caixa desde 2017 e manteve-se após a revogação da CGPAR 23, em 2021.

O adoecimento da categoria, causado pelas más condições de trabalho e o assédio moral, também impactou as despesas. Leonardo usa como exemplo o número de afastamentos reconhecidos pelo INSS por doenças mentais ou comportamentais. “Se em 2021 tivemos 1.091 casos na Caixa, em 2024 esse número subiu para 2.417”, salienta.

O cenário, segundo o palestrante, é de aumento acelerado das despesas sem novas receitas, o que eleva a previsão de déficit, estimado em R$ 500 milhões no acumulado.

Cobrança por faixa etária não é solução

Enquanto a Caixa opera para colocar esses custos nas costas dos empregados, defendendo um modelo de cobrança por faixa etária, os trabalhadores querem mudanças profundas no plano, a fim de garantir um Saúde Caixa sustentável e justo.

“A cobrança por faixa etária parece atrativa para os segmentos mais novos, mas com o passar dos anos todos vão envelhecer, e a tendência é um comprometimento cada vez maior da renda, podendo chegar a 30% para os mais velhos, o que torna o plano inviável. Esse modelo não resolve o problema de financiamento e ainda divide o funcionalismo. Precisamos garantir reajuste zero, maior contribuição da Caixa e a manutenção da solidariedade”, alertou Leonardo.

Durante o Congresso, múltiplas falas ressaltaram a urgência de reforçar a luta coletiva e unificar os empregados em torno da defesa do Saúde Caixa.

“A tarefa não é fácil, mas a unidade é primordial. Estamos sangrando com o sucateamento do Saúde Caixa. Nosso plano tem perdido qualidade nos atendimentos e na rede de credenciada, e precisamos nos movimentar agora; sair daqui com o compromisso de discutir esse tema nas unidades, conversar com os colegas e combater o individualismo”, sublinha Ronan Teixeira, diretor do Sindibancários/ES.

Ronan lembra que a solidariedade está na base do Saúde Caixa e que é preciso resgatar o sentido dessa palavra. “Se alguém está em tratamento de doença grave e precisa utilizar mais o plano ou tem uma configuração familiar diferente, tudo isso nos interessa enquanto grupo. O Saúde Caixa não é um plano de mercado e temos que defender isso. Quem cuida do Brasil merece cuidado! Isso não é um favor da Caixa, é uma obrigação. O Saúde Caixa foi conquistado com luta e os ataques só cessarão se a Caixa sentir a nossa força”.

A mesa foi coordenada pela diretora de base Gabriela Pereira da Silva, que atua na agência UFES.

Condições de trabalho

Tatiana Oliveira, integrante do Comando Nacional dos Bancários e da CEE, debateu os problemas de condições de trabalho na Caixa, dentre eles o esvaziamento das funções de caixa e tesoureiro.

“Garantimos com a negociação um compromisso de que a Caixa não mexerá na situação dos caixas e tesoureiros sem negociar com o movimento sindical, mas esse compromisso não é suficiente. Sabemos que há uma tendência de esvaziamento e, além de fazer um diagnóstico, precisamos discutir a nossa organização e intervenção para reverter esse quadro”, destaca.

Tatiana relaciona as ações do banco com um aumento da exploração do trabalho, um movimento do Capital que afeta toda a classe trabalhadora e deve ser combatido conjuntamente.

“O coração do trabalho por aplicativo é a remuneração por demanda. Então o trabalhador fica lá, disponível por 14 horas ou mais, mas só recebe pelo período efetivamente trabalhado. É muito diferente da experiência da CLT, em que temos uma jornada fixa. No caixa-minuto ou tesoureiro-minuto, o banco traz para o celetista a lógica do trabalho por demanda. Não existe redoma de vidro, todos seremos impactados por essa mudança, por isso essa luta é da classe trabalhadora”, alerta.

Unidade

O encontro contou com a participação de representantes de diversas organizações, que reafirmaram a unidade em prol do Saúde Caixa e por condições dignas de trabalho na Caixa.

“Assim como esteve no movimento pelas 6h, a Apcef/ES está presente na luta pelo Saúde Caixa e por melhores condições de trabalho. É uma conjuntura difícil e seguiremos lado a lado com as entidades que se posicionam pelos nossos direitos”, pontuou Cláudio Bastos, presidente da Associação de Pessoal da Caixa (Apcef/ES).

“Nossa prioridade esse ano é o Saúde Caixa, essa é uma luta comum e estamos aqui pra construir junto”, saudou Paola Pellacani, diretora da Associação dos Gestores da Caixa Econômica Federal (Agecef/ES).

A Caixa é uma locomotiva que leva a categoria pra luta, com greves históricas e grande protagonismo. Para a nossa Federação é um orgulho fazer parte dessa movimento e dessa história”, destacou Cláudio Merçon, dirigente da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Fetraf RJ/ES).

Quarenta anos das seis horas

A abertura do congresso específico foi marcada por emoção e simbolismo, com um resgate da histórica greve de 1985, que em outubro completa 40 anos. O movimento paredista durou 24h, teve adesão de quase 100% da categoria e assegurou aos bancários da Caixa a jornada de 6 horas e o direito à sindicalização – conquistas que inseriram de vez o empregado da CEF na categoria bancária.

“Foi um movimento autêntico, que nasceu pela base, fora da estrutura sindical, apresentando outra forma de organização e resistência. As conquistas que se sucederam à greve das 6h confirmam o acerto dessa história. O movimento das 6h é semente que renasce todos os dias, e contar essa história é não deixar morrer essa experiência, inspirando novas gerações e lutas” disse a diretora do Sindibancários/ES Rita Lima, uma das protagonistas da greve.

Delegados do Concef

Durante o evento, foram eleitos os delegados e delegadas que representarão a Fetraf/RJ-ES no Conecef. Conheça:

  1. André Tosta (titular – ES)

  2. Cláudio Bastos (titular – ES)

  3. Emannuelly Valladares Teixeira (titular – ES)

  4. Fernando Correia de Sá (titular-RJ)

  5. Gabriela Pereira da Silva (suplente-ES)

  6. Gilssara Ventura da Silva (suplente – ES)

  7. Igor Bongiovani Vasconcelos (titular – ES)

  8. Jackeline Scopel Pereira (titular – ES)

  9. Paola Pellacani (titular – ES)

  10. Reginaldo de Mello (suplente-ES)

  11. Rita Lima (titular – ES)

  12. Ronan Vieira Teixeira (nato – ES)

  13. Teresa Helena Alves Logo (titular – ES)

  14. Thalles Gomes Waichert Santos Costa (titular – ES)