No último dia 30 de outubro, bancários e bancárias da Caixa comemoram 36 anos da conquista da jornada de seis horas.  Nesta data, em 1985, os empregados da Caixa, então considerados economiários, iniciaram a primeira greve nacional pelo direito à jornada de seis horas, pelo reconhecimento como trabalhadores bancários e pelo direito à sindicalização. Começava ali uma jornada de lutas e conquistas desses trabalhadores que se tornaram referência para toda categoria bancária.

Foram 24 horas de paralisação, mas muito latentes. A força do movimento, que teve a participação efetiva de todos os empregados, foi primordial para garantir a mudança na legislação e o equacionamento da jornada de trabalho dos empregados, além de outras conquistas.

A diretora do Sindibancários/ES Rita Lima, hoje aposentada da Caixa, foi uma das protagonistas dessa luta, da qual fala com orgulho.  “É marcante porque foi a primeira greve dos empregados da Caixa por uma reivindicação classista, que é o direito à sindicalização e a redução da nossa jornada de trabalho”, conta. No Espírito Santo, todas as agências da Caixa aderiram à paralisação.

A greve de 1985 foi o início de uma jornada de luta organizada dos empregados da Caixa, com a realização de greves nacionais amplas e unificadas, e que influencia toda a categoria bancária até hoje.

“É preciso manter viva essa data histórica e valorizar essa conquista, porque foi um marco na trajetória de luta dos empregados da Caixa e da categoria bancária. Esse movimento grevista foi o pontapé para outras lutas e vitórias que tivemos ao longo desses 36 anos. Devemos nos inspirar nele para seguirmos mobilizados em defesa da Caixa 100% pública, por melhores condições de trabalho, do Saúde Caixa, dos nossos direitos conquistados, como a jornada de seis horas, que é sempre alvo de ataques”, destaca Rita Lima.

As origens da greve de 1985

As mobilizações que resultaram na greve de 1985 começaram muito antes, em 1981, quando a Caixa admitiu 20 mil escriturários básicos por meio de concurso, que ingressaram no banco ganhando salário 50% inferior ao dos funcionários que já trabalhavam na instituição.

A diferenciação causou descontentamento nos trabalhadores, que reivindicavam isonomia de tratamento. Diante das pressões, a Caixa realizou, em 1984, dois processos seletivos internos que possibilitavam o enquadramento de apenas 4 mil dos 20 mil escriturários básicos. Alguns bancários, em São Paulo, em forma de protesto se negaram a fazer as provas. Eles foram demitidos, o que gerou uma grande mobilização em prol da reintegração desses trabalhadores, pelo enquadramento dos 20 mil escriturários aprovados no concurso, pela jornada de seis horas, pelo reconhecimento dos funcionários da Caixa enquanto bancários e pelo direito à sindicalização.