No mês da Consciência Negra, celebrado no dia 20 de novembro, um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela:  “as desigualdades sociais por cor ou raça seguem evidentes no mercado de trabalho”. O racismo e a violência contra negros e negras, principalmente nas periferias das grandes cidades, são outros problemas sociais nesse Brasil que ainda não superou seu passado escravocrata. 

Para marcar a resistência e a luta contra todas as formas de discriminação ao povo negro, no próximo sábado, dia 19, acontecerá em Vitória a XV Marcha Estadual Contra o Extermínio da Juventude Negra, com o mote “Nascem milhares dos nossos cada vez que um nosso cai”. A concentração será na Praça Costa Pereira, a partir das 14 horas. De lá, os manifestantes seguirão até a sede do Museu Capixaba do Negro, onde será finalizado o ato com II Festival de Cultura Negra.

“Convidamos os bancários e as bancárias capixabas a participarem da Marcha, que é um importante ato de denúncia do racismo que segrega e mata negros e negras todos os dias no Brasil. A luta pelo fim da desigualdade social por cor ou raça é de todos nós. O racismo estrutural está escancarado, por exemplo, na categoria bancária que é predominantemente formada por brancos. São esses também que ocupam, majoritariamente, os cargos mais altos e têm os maiores salários. Precisamos combater, portanto, a discriminação racial no nosso cotidiano para que seja possível a construção de uma nova sociedade em que a herança escravocrata seja de vez abolida”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES Mônica Paes, responsável pela Secretaria de Igualdade e Diversidade.

Desigualdades

Os dados do estudo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, que foram divulgados pelo IBGE na sexta-feira, 11, são relativos ao ano de 2021. Mostram que, os pretos (9,1%) e pardos (47%) são maioria da população brasileira, mas os indicadores que refletem melhores condições de vida são favoráveis aos brancos. 

As taxas de desocupação, por exemplo, foram de 11,3% para os brancos, de 16,5% para os pretos e de 16,2% para os pardos. Se comparados ao ano anterior, quando os percentuais foram de 11,1%, 17,4% e 15,5%, respectivamente, constata-se que pretos e pardos seguem pelo segundo ano consecutivo em desvantagem no mercado de trabalho.  

A informalidade também atinge mais pretos e pardos do que brancos. Em 2021, a taxa geral era 40,1%. Os brancos tinham uma taxa menor, de 32,7%, e os pretos (43,4%) e pardos (47,0%), maior que a média nacional. Essa diferença acompanha toda a série do estudo.

Salário maior

A desigualdade está mantida entre os empregados, observando-se o rendimento médio dos trabalhadores ocupados. Enquanto os brancos ganhavam, em 2021, R$ 19 por hora, os pretos recebiam R$10,9 e os pardos R$11,3.

O estudo aponta que os rendimentos são maiores entre aqueles que têm níveis de instrução mais elevados, mas as diferenças por cor ou raça permanecem também nesse recorte. As pessoas brancas com ensino superior completo ou mais ganharam em média 50% a mais do que as pretas e cerca de 40% a mais do que as pardas.

Cargos gerenciais

Os ocupados pretos ou pardos eram maioria (53,8%) no mercado de trabalho em 2021, mas estavam em somente 29,5% dos cargos gerenciais, enquanto os brancos ocupavam 69,0% deles. Na classe de rendimento mais elevada, somente 14,6% dos ocupados nesses cargos eram pretos ou pardos, enquanto entre os brancos essa proporção era de 84,4%.

Taxas de pobreza 

Uma análise das linhas de pobreza propostas pelo Banco Mundial atesta a maior vulnerabilidade das populações preta e parda. Em 2021, considerando a linha de U$$ 5,50 diários (ou R$ 486 mensais per capita), a taxa de pobreza dos brancos era de 18,6%. Já entre pretos, o percentual foi de 34,5% e entre os pardos, 38,4%. Na linha da extrema pobreza, (US$1,90 diários ou R$ 168 mensais per capita), as taxas foram 5,0% para brancos, contra 9,0% dos pretos e 11,4% dos pardos.

Renda

Em relação ao rendimento de todas as fontes, que inclui, além do trabalho, aposentadoria e pensão, a distinção também permanecia. Em 2021, o rendimento médio domiciliar per capita da população branca, de R$1.866, era quase o dobro do verificado para a populações preta (R$964) e parda (R$945), diferença que se mantém desde o início da série histórica, em 2012. Também no ano passado, os rendimentos foram os mais baixos da série, com maior queda entre os pretos (-8,9%) e pardos (-8,6%). Entre os brancos, a redução de rendimento frente ao ano anterior foi de 6,0%.

Moradia

Pretos e pardos enfrentam uma situação de maior insegurança de posse e de informalidade da moradia própria. Entre a população residente em domicílios próprios, 20,8% das pessoas pardas e 19,7% das pessoas pretas residiam em domicílios sem documentação da propriedade, enquanto a proporção entre as pessoas brancas era praticamente a metade (10,1%).

Uma das fontes utilizadas no estudo, a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) 2017-2018 indicou o valor hipotético de aluguel dos domicílios próprios de acordo com avaliação dos moradores. Entre os domicílios com pessoas responsáveis brancas, o valor médio era de R$998, enquanto no de pessoas pardas, o valor era de R$ 555 e de pessoas pretas, R$ 571. Segundo o IBGE, os domicílios das populações preta e parda têm menos acesso a saneamento e menor número de cômodos, o que reflete em um valor menor desses domicílios.

Anote

🔴 XV Marcha Estadual Contra o Extermínio da Juventude Negra

📍 Praça Costa Pereira (Vitória-ES)

🗓️ Sábado (19/11) às 14h até o Museu Capixaba do Negro, onde será realizado o II Festival de Cultura Negra.

 

Com informações do Portal do IBGE