Integrante do núcleo duro do presidente Bolsonaro, o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, afirmou que torce para que a Covid-19 contamine “o quanto antes” os 70% da população que serão atingidos pelo coronavírus para que a economia possa ser retomada mais rapidamente.
Novaes compartilha da tese do presidente Bolsonaro, que tem defendido a quebra da quarentena e a retomada imediata da economia. Por esse pensamento, a contaminação em massa da população com menos de 60 anos garantiria a imunização precoce. Somente idosos e pessoas com quadros de doenças pré-existentes, o chamado grupo de risco, ficariam socialmente isolados. A tese, porém, é refutada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela maioria esmagadora da comunidade científica nacional e internacional, que indica isolamento social como a medida mais efetiva para reduzir a propagação da Covid-19.
Segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal carioca O Globo, que repercutiu as declarações do presidente do BB nesta segunda-feira, 30, Novaes ainda fez um apelo: “Deixe essa gente trabalhar!”.
Na avaliação da diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Goretti Barone, Novaes foi arrogante e irresponsável em suas declarações. “O presidente do BB não tem conhecimento científico algum para defender essa tese do contágio em massa. Essa não é uma função dele. Novaes está usando o cargo de presidente de umas das empresas públicas mais importantes do país para fazer política para Bolsonaro. A declaração é absurda porque põe em risco a vida das pessoas. São muitos os brasileiros pedindo o impeachment de Bolsonaro, agora podemos incluir também a saída imediata do presidente do Banco do Brasil”, dispara Goretti.
Ela disse ainda que a declaração de Novaes, como não poderia ser diferente, está repercutindo negativamente entre os empregados do BB. “Imagine o que se passa na cabeça dos empregados que estão na linha de frente obrigados a arriscar suas vidas para atender a população? É estarrecedor saber que o presidente da instituição para qual você trabalha quer fazer ‘roleta-russa’ com a vida das pessoas. Quem põe a vida da população em risco, que preocupação têm com seus empregados?”, questiona Goretti.
“Vida não tem valor infinito”
Na última quinta-feira, 26, Rubem Novaes já havia feito outra declaração pra lá de polêmica. Mais uma vez, para demonstrar fidelidade e apoio a Bolsonaro, cada vez mais isolado. Ele defendeu o fim do isolamento social, preconizado pela OMS e implementado pela maioria dos governadores do país, e a retomada imediata da atividade econômica.
A mensagem do presidente do BB, que circulou em um grupo de WhatsApp, dizia que “a vida não tem valor infinito”. “Muita bobagem é feita e dita, inclusive por economistas, por julgarem que a vida tem valor infinito. O vírus tem que ser balanceado com a atividade econômica”, afirmou Novaes.
Perguntado pelo jornal Folha de S. Paulo sobre a afirmação postada no WhatsApp, Novaes disse que o “lockdown [o confinamento, do termo em inglês] prolongado causará depressão econômica com efeitos piores que os da epidemia”. E completou: “Depressão econômica também mata muita gente, principalmente entre os mais pobres”.
Na ocasião, Goretti criticou a fala do presidente do BB. “Sua postura reflete a dificuldade para implementação das medidas de prevenção do BB. Precisamos, urgente, de um presidente na instituição que compreenda a função de um banco público neste momento de calamidade”.









