Contradição: BB registra lucro recorde de R$ 18,1 bilhões

13/02/2020 17:59

Lucro recorde é resultado da política de reestruturação do banco, com cortes de pessoal, redução de remuneração e fechamento de agências

O Banco do Brasil foi o quarto dos cinco maiores bancos a apresentar os resultados de 2019. O BB registrou lucro líquido de R$ 18,1 bilhões. O resultado representa um aumento de 41% na comparação com 2018, quando a instituição apurou lucro de R$ 12,8 bilhões. O Itaú, que também atingiu lucro recorde em 2019 (R$ 28,3 bilhões), detém o melhor resultado entre os quatro maiores bancos; Bradesco vem na sequência com lucro líquido de R$ 22,6 bilhões; seguido de Santander, com R$ 14,5 bilhões. A Caixa ainda não apresentou os resultados de 2019.

Para o diretor do Sindicato dos Bancários/ES, Thiago Duda, o lucro recorde do BB é resultado da política de reestruturação do banco, com cortes de pessoal, redução da remuneração, perdas de comissionamentos e fechamento de agências. O dirigente sindical afirma que o banco nos últimos anos vem registrando lucros ascendentes, mas nunca credita esses resultados aos méritos dos funcionários, que estão trabalhando no limite.

“Esse pacote de reestruturação que está sendo imposto pelo banco quer tentar tirar ainda mais do empregado. As metas são cada vez mais desumanas. O empregado bate a meta ano após ano, quando não consegue entregar, é penalizado com a perda de comissionamento. Não é por acaso que há um número crescente de funcionários adoecendo devido a essa pressão”, protesta Duda.

Ele chama a atenção para contradição dessa cobrança. “Se os lucros crescem e estão cada vez mais consolidados, essa é a prova irrefutável de que os empregados estão cumprindo suas metas. Aliás, pelo resultado recorde do ano passado, estão entregando bem mais que o próprio banco esperava”, assinala o sindicalista.

Ele também apontou a contradição entre os resultados e o discurso do presidente do BB, Rubem Novaes, que insiste em defender a privatização do banco. “Quando mais o banco acumula lucros, mais ele fala em privatizar. A intenção de Novaes é entregar o banco para o capital estrangeiro em lotes, como está fazendo agora com a BB-DTVM”, afirma Duda.

Segundo ele, a venda da maior gestora de investimento do país confirma o plano de Novaes de privatizar o banco em fatias. A BB-DTVM, que lidera o segmento de fundos de investimentos de terceiros no país, com R$ 1,1 trilhão em ativos, deve ser negociada com uma instituição estrangeira até o final de junho deste ano, como o próprio Novaes já adiantou.

“Não há lógica nenhuma em entregar uma empresa pública lucrativa à iniciativa privada. Isso é uma enorme contradição. Embora a função primordial do banco público não seja o lucro, o BB está longe de ser uma empresa deficitária. Muito ao contrário, nos últimos 20 anos, o BB repassou à União cerca de R$ 57 bilhões, além de ter gerado trabalho e renda direta e indiretamente para milhares de trabalhadores, levado crédito para o campo, para o micro e pequeno empresário, financiado obras de infraestrutura entre outras linhas de fomento de caráter social”, finaliza Duda.