O Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) se reuniram nesta segunda-feira, 23, para discutir as atividades da categoria nas unidades e departamentos bancários e as medidas a serem tomadas para proteger a saúde de bancários e clientes ante a pandemia causada pelo novo coronavírus (Covid-19).
Na pauta, o Comando Nacional apresentou ao todo um conjunto de 17 reivindicações à Fenaban, com destaque para o fechamento de agências e demais unidades, mantendo somente as atividades essenciais no setor financeiro, como compensação bancária, redes de cartões de crédito e débito, caixas bancários eletrônicos e outros serviços não presenciais de instituições financeiras; suspensão das demissões; das metas e dos descomissionamentos; trabalho em casa (home office) para todos os bancários e bancárias, com exceção de quem terá que ir às agências para dar suporte ao funcionamento dos caixas eletrônicos, devendo haver escala de revezamento. A proposta é que não seja incluído no mesmo os funcionários que estão nos grupos de risco; os que não têm com quem deixar os filhos menores e os que convivem com pessoas enquadradas no chamado grupo de risco, como por exemplo os empregados que têm pais idosos (veja abaixo as demandas na íntegra).
Adauto de Oliveira Duarte, diretor de Políticas de Relações Trabalhistas e Sindicais e negociador da Fenaban, recebeu as demandas, prometeu levá-las aos bancos e apresentar uma devolutiva ao Comando nesta terça-feira, 24. Durante a vídeoconferência, o negociador da Fenaban tentou supervalorizar o papel dos bancos, insistindo que as unidades bancárias precisam “ficar abertas para cumprir seu papel humanitário”.
Para Carlos Pereira Araújo (Carlão), que integra o Comando Nacional pelo Espírito Santo, o que os bancos estão fazendo pelos empregados e clientes é muito pouco. “Existe um grande exagero nessa narrativa da Fenaban. Não há nada de humanitário nas medidas adotadas pelos bancos em meio a essa crise sem precedentes”. Segundo Carlão, o Comando fez duras críticas à Fenaban porque os bancos estão ignorando as demandas da categoria. “Os bancos não estão tomando as medidas efetivas e necessárias para proteger a saúde dos bancários e clientes”. O dirigente sindical lembrou que muitas das medidas tratadas na reunião desta segunda-feira já haviam sido apresentadas aos bancos, mas foram solenemente ignoradas. “É a segunda vez que apresentamos as reivindicações à Fenaban. Algumas medidas são novas, mas a maioria foi entregue na reunião anterior. O problema é que eles não as cumprem”, protestou Carlão.
“Hoje [23] mesmo, o Sindicato dos Bancários/ES percorreu agências bancárias na Grande Vitória e flagrou que muitas delas apresentavam aglomerações, sobretudo as do Itaú, situação que põe em risco empregados e clientes”, afirma Carlão. No Espírito Santo há um decreto governamental que determina o fechamento das agências, restringindo o atendimento a pessoas portadoras de doenças graves.
Carlão acrescentou ainda que tem sido muito importante as iniciativas que os sindicatos têm tomado país afora, em nível estadual e municipal, para aumentar a pressão para o fechamento dos bancos. “No Espírito Santo, por exemplo, além do fechamento irrestrito dos bancos, estamos trabalhando também para que o governador edite um novo decreto determinando o fechamento de financeiras, correspondentes bancários e departamentos dos bancos”, sublinhou Carlão.
Veja abaixo as reivindicações apresentados pelo Comando Nacional à Fenaban:
- Fechamento das agências bancárias e demais unidades.
- Fechamento imediato das agências em hospitais e aeroportos.
- Suspensão das metas.
- Manter atendimento não presencial das atividades consideradas essenciais pelo decreto 10.282/2020, que estabelece em seu artigo 3º, § 1º, inciso XX, que são atividades essenciais no setor financeiro: compensação bancária, redes de cartões de crédito e débito, caixas bancários eletrônicos e outros serviços não presenciais de instituições financeiras.
- Agendamento para casos de atendimento presencial em caso de extrema necessidade.
- Redução da jornada para os que tiverem que ir ao local de trabalho.
- Garantia de deslocamento seguro para os que tiverem que fazer o atendimento presencial de alimentação e processamento do autoatendimento.
- Suspensão das demissões.
- Home office para todos os bancários e bancárias, com exceção de quem terá que ir às agências para dar suporte ao funcionamento dos caixas eletrônicos, devendo haver escala de revezamento. Não podem ser incluídos no revezamento os funcionários que estão nos grupos de risco; quem não tem com quem deixar os filhos menores e aqueles que co-habitem com pessoas enquadradas no grupo de risco, como, por exemplo, pais idosos.
- Garantia da ultratividade dos acordos e convenções coletivas até 31/01/2021.
- A MP 927 não será adotada sem negociação coletiva com o Comando Nacional dos Bancários.
- Suspensão dos descomissionamentos.
- Antecipação do vale-alimentação.
- Que os bancos façam campanha na mídia orientando os clientes sobre o uso dos meios digitais, de caixas eletrônicos e os riscos de contaminação pelo coronavírus.
- Disponibilização de máscaras, luvas e álcool em gel para os bancários que irão realizar as atividades essenciais nas agências.
- Suspensão dos vencimentos dos boletos por sessenta dias.
- Isenção de tarifas para clientes com renda de até dois salários mínimos e de três transferências eletrônicas por mês (TED e DOC) para diminuir a contaminação pelo uso de cédulas.






