Bancários e bancárias da Caixa reunidos no congresso estadual da categoria

Com o modelo de gestão opressor instaurado na Caixa, o adoecimento mental de bancários e bancárias aumentou exponencialmente nos últimos anos. Esse é o triste resultado da pesquisa “De mal a pior. Trabalho e adoecimento na Caixa” realizada pela Fenae sobre a saúde dos empregados, ativos e aposentados, apresentada durante o congresso específico dos bancários da Caixa, na última sexta-feira, 13.

De acordo com o levantamento, realizado em novembro e dezembro de 2021, cerca de 42% dos bancários tiveram algum problema de saúde relacionado à atividade que exercem na Caixa nos últimos 12 meses. Mas no Espírito Santo esse dado é ainda maior: 49%.  Os números revelam um cenário preocupante: o trabalho na Caixa tem afetado negativamente a saúde dos empregados. No Espírito Santo, cerca de 59% afirmaram sofrer de ansiedade e 41% de depressão.

Responsável pela pesquisa, a psicóloga e doutora em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações, Fernanda Souza Duarte, alertou sobre o aumento expressivo do número de trabalhadores com algum tipo de doença psíquica. Há 15 anos, a Ler/Dort era a principal doença entre os bancários da Caixa. Mas desde 2018, o adoecimento mental tem sido a principal causa de afastamentos de empregados da Caixa

A saída é coletiva

Na maioria dos casos, o bancário adoecido busca atendimento psiquiátrico e psicológico, às vezes leva a situação à judicialização. Mas o combate ao adoecimento mental não deve se restringir às medidas individuais. É preciso lutar pelo fim das metas, por melhores condições de trabalho, por contratação de mais empregados e respeito aos direitos dos bancários. Nesse processo, é fundamental que os bancários afastados por adoecimento psíquico procurem o Sindicato e solicitem a emissão do Comunicado de Acidente de Trabalho (CAT).

A saída é coletiva, como defendeu a diretora de Saúde e Previdência da Fenae, Fabiana Matheus, durante o congresso. “Hoje, a gestão na Caixa é baseada na imposição do medo, é uma gestão adoecedora. Uma das principais denúncias que recebemos é de bancários que vivem ou presenciam o assédio moral no cotidiano do trabalho. Constatamos que por dificuldade ou medo, os bancários não fazem a relação do adoecimento com o trabalho, não procuram o sindicato e raramente emitem a CAT. A subnotificação de CAT é gigantesca. Mas o adoecimento é coletivo e só vamos sair dessa situação juntos, atuando coletivamente”.

De acordo com a pesquisa, no Espírito Santo 55% dos bancários relataram sofrer pressão no ambiente bancário. A média nacional é de 36%.  Além disso, 71% dos empregados capixabas já testemunharam cenas de assédio moral nas agências.

“Percebemos uma naturalização do adoecimento bancário e precisamos combater essa lógica. Essa pesquisa é importante para nortear nossas ações. Precisamos avançar e buscar  ações concretas para por fim a esse modelo de gestão adoecedor. A emissão da CAT, nesse sentido, é importante não apenas para fins jurídicos, mas principalmente para nortear as ações na luta por melhores condições de saúde e trabalho”, enfatizou o diretor e secretário de Saúde do Sindibancários/ES, Ronan Teixeira.

No congresso, os bancários capixabas da Caixa definiram como um dos principais eixos a luta pelo fim do GDP como modelo de gestão das pessoas. “Precisamos lutar pelo fim do GDP que é um modelo de gestão adoecedor e extremamente perverso”, destaca Ronan.