No próximo domingo (7), Dia da Independência, populares e militantes dos movimentos sociais se concentram próximo à rodoviária de Vitória, a partir das 8h, para engrossar o coro do 31º Grito dos Excluídos e Excluídas. Com o mote “Cuidar da casa comum e da democracia é luta de todo dia”, a edição deste ano do Grito chama a atenção para a destruição do planeta, condena os ataques sistemáticos à democracia brasileira e fortalece o Plebiscito Popular que consulta a população sobre o fim da escala 6X1, isenção do Imposto de Renda para os trabalhadores que ganham até R$ 5 mil e a taxação dos super-ricos.
O Sindicato dos Bancários/ES, como faz todos os anos, estará nas ruas empunhando as bandeiras do Grito. O coordenador-geral do Sindicato, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), convida a categoria bancária para a 31º edição do Grito. Ele diz que os eixos do Grito estão nas resoluções da Conferência Nacional da categoria bancária, “o que demonstra a atualidade das pautas. Atravessamos um momento crucial da nossa história. O Grito acontece em meio ao julgamento de Jair Bolsonaro, do alto oficialato das Forças Armadas e de assessores diretos do ex-presidente que urdiram a trama golpista para depor um presidente legitimamente eleito pelo povo”.
O dirigente destaca que o julgamento em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) é um marco na história da jovem democracia brasileira. “No final da ditadura de 1964 perdemos a chance de levar os operadores do regime para o banco dos réus e passar a limpo esta página infeliz da nossa história. Lamentavelmente, não o fizemos. Essa omissão serviu de incentivo para que Bolsonaro e seus asseclas tentassem um novo golpe. O desfecho do julgamento com a condenação de Bolsonaro e seu grupo golpista deve mudar o patamar da nossa democracia, que passa a ser referência para a comunidade internacional. Importante agora nos mantermos mobilizados para reafirmarmos a nossa soberania e denunciar esta novo golpe que está sendo tramado pela extrema direita no Congresso para anistiar Bolsonaro e o núcleo do golpe. É o golpe dos engravatados. Não podemos permitir. Sem anistia!”, brada Carlão.
Plebiscito Popular
O Grito também traz para as ruas a pauta que unificou a classe trabalhadora: fim da escala 6X1 sem redução salarial, a taxação das elites e a isenção de Imposto de Renda para os trabalhadores que ganham até R$ 5 mil.
O Sindibancários é uma das entidades que encampou o Plebiscito Popular e tem incentivado a população a votar no plebiscito a favor da classe trabalhadora. O secretário de Relações Sociais e Sindicais Marcelo Giacomin afirma que o fim da escala desumana de seis dias de trabalho e apenas em de descanso tem tudo a ver com o Grito. “Esses trabalhadores estão excluídos da vida familiar, do lazer, da sua fé e de todas as outras atividades essenciais para o ser humano que são sequestradas diariamente pela escala 6X1”.
O dirigente acrescenta que a taxação dos super-ricos e a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil também está alinhada ao Grito. “Taxar os mais ricos é uma questão de justiça social. É o único caminho para reduzirmos o fosso da desigualdade no Brasil”, acentua Marcelo.
O dirigente tem razão. Segundo um estudo da Unicamp com base nas declarações de Imposto de Renda em 2021, os 10% mais ricos concentravam 78,4 % da riqueza total declarada, os 1% mais ricos tinham 29,9 %, e o 0,1% mais rico, 18,9 % — além disso, quase 11 milhões de declarantes registravam riqueza negativa.
Hoje cerca de 160 mil brasileiros (0,01%) viram sua renda crescer cinco vezes mais rápido que a média nacional: enquanto essa elite teve alta real de 6,9 % de 2017 a 2023, a média brasileira ficou em apenas 1,4 %.
Planeta sob ameaça
Ao recomendar que devemos “cuidar da casa comum”, a mensagem do Grito é a preocupação com o planeta, que está prestes a entrar no chamado pelos cientistas ponto de não retorno, ou seja, quando as medidas para conter a destruição do meio ambiente já não são mais capazes de reverter o dano.
A mensagem do Grito sobre o ponto de não retorno diz o seguinte: “O ritmo da natureza não é capaz de reciclar o ar, a água, os oceanos, as florestas, enfim, os ecossistemas em geral, com a mesma velocidade com que os contamina a política econômica globalizada”.
Os materiais de divulgação do 31º Grito fazem uma crítica direta ao capitalismo como principal agente da destruição do planeta. “A partir da Revolução Industrial, acelera-se de maneira frenética e vertiginosa um projeto de produção, consumo e descarte que vem causando a ruína da terra juntamente com a ruína de uma justa prática política. O sistema capitalista, de filosofia liberal, revela-se selvagem e antropofágico. Ao mercantilizar aquilo que toca, devora-se a si mesmo e devora tudo o que encontra pela frente. Fartura de bens, miséria, fome e desperdício coexistem lado a lado de forma estridente e escandalosa”.

