Nesta quinta-feira,12, diretores do Sindicato dos Bancários se reuniram com a assessoria que representa o liquidante da empresa Dacasa, conforme decisão do Banco Central (BC). Salários, tíquete-alimentação/refeição e planos de saúde pagos com atraso em fevereiro foram um dos pontos da pauta. Klayton Furuguem e João Manoel Rosa, da assessoria do liquidante, admitiram que de fato houve atraso nos pagamentos dos empregados. Segundo eles, isso ocorreu por causa de burocracias enfrentadas pelo liquidante nos primeiros dias, como abertura de contas bancárias, por exemplo. “Eles garantiram que esse problema foi superado e que não se repetirá”, afirma o diretor do Sindicato Fabrício Coelho, que esteve na reunião ao lado de Cláudio Merçon e Cláudia Garcia, também da diretoria do Sindicato.

O diretor disse que o Sindicato também cobrou do liquidante uma posição sobre o passivo trabalhista que a Dacasa tem com os empregados. Segundo Fabrício, a Justiça do Trabalho já determinou que o Grupo Dadalto, que é dono da Dacasa, fizesse o provisionamento para pagamento do passivo trabalhista que gira em torno de R$ 63 milhões. “Desde 2017, porém, o Sindicato vem denunciando que o Grupo Dadalto tem tirado dinheiro deste fundo de provisionamento para manter a distribuição dos lucros a seus acionistas”, lembra o dirigente sindical.

Sobre a ação, os assessores explicaram que só respondem as questões relacionadas à gestão a partir de 13 de fevereiro deste ano, data em que teve início o processo de liquidação extrajudicial da financeira Dacasa. Eles acrescentaram que a missão da liquidante é arrecadar ativos e liquidar passivos. Reconheceram, porém, que os empregados são credores privilegiados, ou seja, são os primeiros a receber da empresa.

Demissões

O Sindicato também pediu informações sobre demissões que estariam ocorrendo na empresa. Os assessores afirmaram que houve apenas uma demissão na Dacasa. Acrescentaram, porém, que as demissões mencionadas pelo Sindicato podem estar ocorrendo em umas das três terceirizadas da Dacasa (Siga, CSC e Facilita). Eles explicaram que a liquidante não tem nenhuma responsabilidade sobre a gestão das terceirizadas, que respondem apenas sobre empregados da Dacasa. Afirmaram ainda que podem demitir ou contratar funcionários para a empresa na condição de liquidante.

Venda

O Sindicato pediu informações sobre uma possível negociação da liquidante para venda da empresa. Os assessores afirmaram que não podiam comentar sobre eventuais negociações nesse sentido por ser uma informação sigilosa que poderia interferir o processo.

Liquidação

Questionados se o processo de liquidação extrajudicial tem prazo determinado, os assessores responderam que não há previsão para o término da gestão da liquidante. De acordo com Fabrício, ficou acertado que a liquidante irá manter um canal permanente de diálogo com o Sindicato

Rescisões

Em caso de eventuais demissões, o Sindicato reivindicou que as rescisões sejam feitas na presença de um representante do Sindibancários. Segundo Fabrício, a advogada da Dacasa, que acompanhou a reunião, disse que não teria restrição à presença do Sindicato. “Ela se comprometeu a nos comunicar caso ocorra eventualmente alguma demissão”, disse Fabrício.

Ele acrescentou que é muito importante que os empregados da Dacasa continuem buscando informação e orientação no Sindicato. “Nosso jurídico está à disposição para esclarecer dúvidas. Vamos continuar acompanhamento de perto o processo de liquidação extrajudicial da Dacasa. Caso seja necessário, convocaremos plenárias para discutir questões que forem sendo demandas pelos empregados”, finaliza Fabrício.