
Durante o lançamento do Caixa para Elas, em São Paulo, Bolsonaro usou o programa como palanque eleitoral em evento para empresários. Na foto, a presidente da Caixa, Daniella Marques, acompanha o discurso de Bolsonaro ao lado da primeira-dama, Michelle (Foto: reprodução Redes Sociais)
No início de agosto, a Caixa Econômica Federal lançou o Caixa Pra Elas – programa que oferece condições especiais de crédito entre outros produtos para as mulheres. Do lançamento para cá, segundo a Caixa anunciou em evento na última segunda-feira, 12, o banco já beneficiou mais de 60 mil mulheres. Para a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Lizandre Borges, o lançamento do programa, em pleno processo eleitoral, não é uma coincidência, mas um oportunismo eleitoreiro. As pesquisas dos principais institutos, destaca a dirigente, apontam a grande rejeição do eleitorado feminino ao presidente Bolsonaro.
“Para tentar reverter essa imagem negativa que tem com as mulheres, Bolsonaro usa a Caixa para fins políticos, como fez diversas vezes durante a gestão de Pedro Guimarães. O que surpreende e indigna ao mesmo tempo, é que a atual presidente da Caixa, Daniella Marques, repita Guimarães e permita que Bolsonaro use a instituição como palanque eleitoral”, critica Lizandre.
A dirigente continua: “O pesadelo não acabou. Os casos de assédio sexual e moral protagonizados por Guimarães repercutiram fortemente na sociedade e seguem vivos principalmente nas memórias das empregadas e dos empregados da Caixa. Não por acaso, o escândalo envolvendo Pedro Guimarães levou o tema assédio para as mesas de negociações da campanha nacional da categoria bancária este ano”, recorda a dirigente.
Nesse contexto tão pesado que marcou a saída de Guimarães, destaca Lizandre, havia uma ponta de esperança de que a sucessora, por ser mulher, teria sensibilidade para entender o momento delicado pelo qual passam as empregadas da Caixa e propor políticas efetivas para erradicar o assédio sexual e moral. “Infelizmente, não é isso que estamos vendo quando ela aceita cumprir uma missão eleitoreira do presidente que tem como alvo as mulheres”, aponta.
Encolhimento do papel social
É notório que, sob Bolsonaro, a Caixa tem se distanciado do seu papel social. Os programas voltados especialmente para micros e pequenos empresários, linhas de crédito habitacional para a população de baixa renda e os investimentos em políticas públicas como saúde, educação e saneamento estão encolhendo ano a ano. “Esse retrospecto de abandono aos setores mais vulneráveis da sociedade reforça o viés oportunista do Caixa para Elas. É preciso registrar que somos favoráveis a todos os programas que promovam a inclusão social, principalmente de mulheres, que foram fortemente atacadas pelo presidente Bolsonaro nos últimos anos e vítimas de Pedro Gumarães. O que repudiamos aqui é o oportunismo do programa”, reitera Lizandre.
Ela acrescenta que a direção da Caixa está impondo metas ainda mais abusivas para que os empregados e as empregadas do banco ampliem o número de beneficiárias do programa. “Está havendo uma revitimização das empregadas da Caixa, que ainda não superaram a escalada de assédio protagonizada por Guimarães. Perceba a gravidade. Essas empregadas estão sendo cooptadas, por meio de metas abusivas, a empurrar produtos em outras mulheres com o propósito de, indiretamente, conquistar votos femininos para um candidato misógino. É repugnante!”, desabafa.

