Desde o início da pandemia, há uma preocupação das centrais e entidades sindicais com os bancários e as bancárias do chamado grupo de risco. A prioridade sempre foi mantê-los em home office até que o vírus não represente mais risco. Entretanto, alguns bancos estão acelerando o retorno desses funcionários e os expondo ao risco.

É o caso do Banco do Brasil, que passou a impor a volta dos funcionários do grupo de risco ao trabalho presencial sem qualquer planejamento. A dirigente Cláudia Patrícia Ribeiro afirma que o Sindicato dos Bancários/ES, em repúdio à decisão, enviou ofício à Superintendência do BB no Espírito Santo cobrando explicações. Entre os esclarecimentos, foi perguntado: como será o retorno dos funcionários em home office; qual será o novo horário de atendimento das agências e quais serão os protocolos adotados para as áreas de autoatendimento das agências.

De olho no lucro

Segundo Cláudia Patrícia, em relação aos funcionários que estão em home office, sobretudo os do grupo de risco, o as superintências e diretorias não estão respeitando a proposta de escalonamento sugerida pelo próprio banco. Segundo orientação dos comunicados de convocação do BB, o retorno gradativo nos meses de novembro e dezembro, devem observar os percentuais mínimos de 50% (novembro), 75% (primeira quinzena de dezembro) e 100% (até o final de dezembro).

“Esse retorno está sendo imposto na base do atropelo pelas superientência e direorias à revelia da orientação que partiu do próprio BB. É um flagrante desrespeito com os funcionários. É ainda mais grave pelo fato de a medida pôr em risco os bancários e as bancárias que têm algum tipo de comorbidade”, diz a dirigente. Ela acrescenta que o Sindicato exige o cumprimento do retorno escalonado. Reivindica também que os bancários e as bancárias do grupo de risco só devem ser liberados para o trabalho presencial após avaliação médica.

Para a também dirigente Goretti Barone, por trás dessa volta açodada está o lucro. “O BB, de olho em melhorar o lucro neste fim de ano, decidiu acelerar o retorno, sem se preocupar com a saúde dos funcionários do grupo de risco. Para o BB, prevalece a lógica: o lucro vale mais que a vida”, critica.

Goretti também demonstra preocupação com a mudança no horário de funcionamento das agências, que voltam a funcionar nos horários pré-pandemia. “Causa apreensão também a falta de protocolos sanitários mais rígidos no autoatendimento. “Temos notado que há um aumento gradual do fluxo de clientes nessas áreas. O banco precisa resgatar os protocolos de distanciamento social e outras medidas sanitárias urgentemente para evitar a transmissão do vírus”, alerta.

Pandemia não acabou

As duas dirigentes alertam que a pandemia ainda não está controlada. Elas citam o aparecimento da nova variante (ômicron) e comentam os alertas feitos pelos médicos sanitaristas Gonzalo Vecina Neto e Lígia Bahia, durante o Encontro Nacional de Saúde do BB, que aconteceu no último dia 27.

Na ocasião, Vecina destacou que a pandemia ainda não acabou. “Sendo muito otimista, poderia dizer que estamos no meio da pandemia. No fim, nem pensar”, disse o fundador da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP). Os dois sanitaristas avaliaram com preocupação a descoberta da variante ômicron. “Só vamos conseguir atravessar a pandemia se a vacina chegar para as pessoas de todo o mundo”, destacou Vecina.

“Caso a variante ômicron exija nova vacina e o Brasil falhar na continuidade do plano de imunização, o jogo zera e [a covid] começará a matar de novo, gerando outros milhares de mortos”, advertiu o médico.

Plenária

Nesta quinta-feira, 2, às 18h30, o Sindicato faz uma plenária para discutir as ações de enfrentamento à decisão do BB de impor o retorno aos funcionários que fazem parte do grupo de risco e outras questões relacionadas às condições de trabalho. Goretti destaca que a participação de todos e todas é muito importante. “Não importa se você é ou não do grupo de risco. Proteger a saúde dos colegas mais vulneráveis aos vírus é um ato de solidariedade de todos nós. Participe!”.
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Calendário

Com base no debate sobre a necessidade de manutenção do teletrabalho nas unidades do banco, realizado pelas representações das entidades na Comissão dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), foi indicado o Calendário Nacional de Luta dos Funcionários do Banco do Brasil. Confira:

02 de dezembro – Com foco na valorização da saúde e na preservação de vidas dos bancários durante a pandemia do novo coronavírus, o mote definido foi “Teletrabalho Já, banco não pode economizar e brincar com nossas vidas!”.

07 de dezembro – Com o tema “Mais contratações, sem metas abusivas e melhores condições de trabalho”, o direcionamento se dará à rede de agências do BB.