Na noite dessa sexta-feira, 18, foi aberta oficialmente a 22ª Conferência Nacional dos Bancários. A transmissão virtual foi mediada por Juvandia Moreira (Contraf) e Ivone Silva (Seeb-SP). A primeira hora da Conferência foi reservada a dirigentes sindicais de várias partes do país. Em seguida, o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos; o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad; o governador do Maranhão, Flavio Dino; e o ex-presidente Lula, nessa ordem, falaram aos bancários e às bancárias que acompanhavam a Conferência pelas redes sociais.
Na primeira parte do Encontro, a organização da Conferência abriu espaço para 11 convidados. O diretor do Sindicato dos Bancários/ES, membro do Comando Nacional e um dos representantes da corrente política Intersindical, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), fez uma leitura do atual cenário do país. Carlão afirmou que o Brasil atravessa um momento singular da sua história com a mais grave crise sanitária dos últimos 100 anos, agravada pelas crises política, econômica e social. Ele destacou que covid-19 já tirou as vidas de quase 80 mil pessoas e infectou mais de 2 milhões de pessoas. “O responsável por esse genocídio é o presidente Bolsonaro”.
Mesmo com as dificuldades impostas pela pandemia, Carlão ressaltou que a categoria precisa se mobilizar em defesa da vida, dos direitos, dos empregos e dos bancos públicos. “Este governo está tentando dar um golpe na classe trabalhadora, atacando nossos direitos. Mas a categoria bancária mais uma vez responderá com luta. Vamos fortalecer o ‘fora Bolsonaro-Mourão’”, conclamou Carlão.
Outras falas seguiram praticamente os mesmos pontos sublinhados pelo representante do Espírito Santo. O secretário de Relações Internacionais da Intersindical, Ricardo Luiz Saraiva (Big), também apontou Bolsonaro como o principal responsável pela crise sanitária. Big disse que Bolsonaro sabota a pandemia com a sustentação das Forças Armadas, do Centrão e dos milicianos. Ele pediu a cassação da chapa Bolsonaro-Mourão e novas eleições já.
Palestrantes
Os palestrantes convidados também navegaram nos mesmos temas tratados pelos dirigentes sindicais. A responsabilização de Bolsonaro pela gravidade da crise sanitária no Brasil foi recorrente em todas as falas, assim como a urgente destituição de Bolsonaro-Mourão.
Guilherme Boulos lembrou que, não por coincidência, a pandemia fez mais vítimas nos três países cujos líderes são negacionistas. “Não é por acaso que os três países com mais mortes no mundo por Covid-19 são governados pela extrema direita. Brasil, Estados Unidos e Reino Unido. Os três adotaram uma postura negacionista, é a gripezinha, é o ‘E daí’, vai passar”.
Para Boulos, as perspectivas para o Brasil são assustadoras, sobretudo com o agravamento do desemprego. Estamos falando em dobrar o número de desemprego do país, estamos falando de uma precarização da vida, da miséria, que pode levar o Brasil a uma convulsão social. Era falácia aquilo de estar preocupado com o emprego. Bolsonaro não salvou nem vidas nem a economia”.
Depois de sublinhar a importância do SUS no enfrentamento da pandemia, Boulos saiu em defesa das empresas públicas, que estão sob ameaça de privatização. “A pandemia está mostrando muito bem o papel da Caixa Econômica. O que seria do Brasil sem a Caixa, sem a Dataprev? Está aí a lógica que coloca o lucro acima da vida.”
O coordenador do MTST apontou três desafios para o campo progressista, democrático e popular nesse momento: “O nosso empenho deve ser no sentido de salvar vidas e defender medidas que salvem vidas. O segundo desafio é que não há salvação para o povo brasileiro com esse genocida na Presidência. Bolsonaro é incorrigível, é um criminoso, atenta contra a democracia brasileira”. Como terceiro desafio Boulos afirmou que é hora de discutir um novo modelo de vida. “A pandemia mostrou a importância da Caixa, do SUS. Vamos levar isso às últimas consequências. Vamos discutir outro modelo de convívio social. Taxação de grandes fortunas para financiar projetos sociais. Vamos colocar em discussão a renda básica. Um modelo de convívio que coloque a vida na frente do lucro. Temos que voltar a sonhar”.
Retomada das ruas
Fernando Haddad destacou que é preciso voltar às ruas. Ele recordou que em 2019 estudantes e professores levaram mais de um milhão às ruas contra a política de Bolsonaro que tenta destruir a educação. Ele também relacionou como acontecimentos importantes nesse processo de retomada das ruas as recentes manifestações antifascistas puxadas pelas torcidas organizadas de times de futebol e dos entregadores de aplicativos, que associaram o antifascismo à defesa de direitos. “Vai chegar um momento em que teremos que defender os bancos públicos nas ruas. Sem os bancos públicos o Brasil não tem como se desenvolver”.
O ex-prefeito de São Paulo disse ainda que as manifestações são um sinal de que a reação ao Bolsonaro tem aumentado. “Temos que confiar na sociedade, que demonstrou capacidade de reação e mobilização. Os elementos estão dados e temos que estar mais juntos do que nunca”, concluiu.
Entulho da ditadura
O governador do Maranhão, Flávio Dino, recordou que nos seus tempos de juventude, a expressão “entulho autoritário” era um termo utilizado para se referir ao que restara da ditadura militar no aparelho institucional brasileiro. “Em um próximo governo progressista, temos de remover o entulho autoritário. E um dos elementos desse entulho é a legislação antissindical. Isso não diz respeito aos sindicalistas apenas, mas a todos que acreditam na democracia e na eliminação das desigualdades sociais”, afirmou.
Dino, que no início de sua carreira advogou para o Sindicato dos Bancários do Maranhão, disse que conhece bem a luta da categoria. Ele ressaltou que é importante ter ação nesse momento difícil. “Precisamos ter energia. O Bolsonaro não deve nos assustar. Ele e o bolsonarismo vão perder, tenho certeza”, finalizou.
Classe trabalhadora em todas as lutas
Fechando a 22ª Conferência Nacional, o ex-presidente Lula disse não se lembrar de nada de importante que tenha acontecido no Brasil sem a participação da classe trabalhadora. A exemplo dos outros palestrantes, Lula também responsabilizou diretamente Bolsonaro pelas vítimas da covid-19. “Esse homem está praticando um verdadeiro genocídio neste país. Ele trata a morte das pessoas e os problemas sociais com descaso”.
Lula afirmou que é preciso trazer a classe trabalhadora para a luta contra o Bolsonaro. “Além de vocês que têm demonstrado muita disposição de briga, temos que mexer com a classe trabalhadora, com os milhões de desempregados, com os milhões que estão na economia informal. As pessoas estão passando fome em casa. Fora Bolsonaro. Ele é a grande crise que estamos vivendo. Precisamos afastar o Bolsonaro”, finalizou.
A 22ª Conferência Nacional dos Bancários tem prosseguimento neste sábado, 18, com a realização das mesas temáticas na parte da manhã e tarde. A mesa de encerramento vai aprovar a minuta, as propostas e as resoluções.
Após aprovada na conferência, a minuta de reivindicações é apresentada à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e, em seguida, começam as negociações da nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria. A CCT atual tem vigência até o 31 de agosto.









