
Fotos: Sérgio Cardoso
Após debate sobre os bancos públicos, os bancários do BB aprofundaram a discussão sobre pontos específicos da sua pauta, como os impactos dos descomissionamentos na corporação e a sustentabilidade da Cassi.
Descomissionamentos
O Sindicato apresentou o levantamento de empregados descomissionados no Espírito Santo entre 2016 e 2018: foram 183, sendo 88 desses em decorrência dos processos de reestruturação do banco. “Os números são importantes para desconstruir a ideia de que a perda da função é uma responsabilidade do empregado. Esse não é um problema isolado, é resultado de uma política de gestão sobre a qual precisamos refletir”, explica a diretora Goretti Barone. O número de descomissionados no período corresponde a cerca de 15% de toda a dotação de empregados do BB no Espírito Santo.
Os bancários destacaram também os efeitos dos descomissionamentos nas agências, como o sentimento de medo.“O medo é o que vem imperando, e é contagioso, porque mesmo aquele que não é comissionado começa a ter medo do futuro, de algo que nem pode atingi-lo naquele momento”, disse um dos participantes. “A comissão é usada para desmobilizar, para cobrar o empregado, já que muitas vezes ela representa até dois terços do salário. Percebemos que há até pouco tempo o assédio moral era tratado com mais cuidado pela empresa, o que não acontece mais”, destaca um delegado sindical.
Cassi
Fernando Amaral, que é Conselheiro Deliberativo da Anabb, foi convidado do evento e abordou a situação financeira da Cassi e o contexto de disputa com o banco para custeio do plano. Ele resgatou o histórico da Caixa de Assistência, os princípios norteadores de sua fundação e as diferenças entre a Cassi e os planos comerciais.

Fernando Amaral, aposentado do BB e membro do Conselho Deliberativo da Anabb
“Enquanto os usuários de autogestão têm plano de saúde por toda a vida, os dos planos e seguros de mercado têm plano de saúde somente até o início da velhice, em função da incapacidade de pagamento”, disse. Segundo ele, as vantagens do plano de autogestão está na sua capacidade de ratear seus custos totais na forma de percentual único sobre a renda dos seus usuários, o que está estreitamente ligado ao princípio da solidariedade, frequentemente atacado pelo banco. “Nós não sabemos quem vai adoecer, quando, ou qual o tratamento previsto. Por isso, partimos do princípio de que todos pagam igual para que todos possam usar quando necessário, esse é o exemplo da solidariedade”.
Segundo o relatório da Accenture, consultoria contratada pelo banco para avaliar a Cassi, a Caixa de Assistência tem rol de cobertura maior do que o exigido pela ANS, um dos maiores índices de envelhecimento do mercado, maior número de consultas por usuário/ano, maior número de exames por usuário/ano e um dos maiores números de exames por consultas. O banco utiliza esses dados para tentar justificar uma suposta inviabilidade da Cassi e a necessidade de mudanças no plano.
No entanto, o mesmo relatório aponta que são justamente esses fatores os responsáveis pelo fato de a Cassi apresentar o menor custo per capta do mercado em todas as faixas etárias e o melhor índice de eficiência. Isso confirma a viabilidade da Estratégia de Saúde da Família que, ao focar na atenção primária, reduz gastos com procedimentos médicos de custo elevado, como internações e cirurgias de risco.
Amaral rechaça que o problema da Cassi seja o modelo do plano ou má gestão, embora reconheça que há muito a melhorar quanto a governança. Segundo ele, a Cassi apresenta um déficit estrutural (a arrecadação é menor do que os gastos mensais), e é necessário rever o parâmetro de custeio, um desafio que deve ser enfrentado junto com o conjunto dos associados. “Precisamos envolver os empregados no debate sobre as alternativas de enfrentamento ao banco e discutir uma proposta nossa, dos empregados”.
Segundo Amaral, a hora não é de ter medo, mas de ousar. “O banco vai ficar sentado, esperando aparecer novos problemas, até reapresentar a proposta já aprovada pelo Conselho e rejeitada pelos associados para pressionar a categoria. Não podemos ficar parados”, conclui.
Organização
O debate de organização dos empregados do BB também esteve em pauta. A partir da avaliação da última campanha nacional, os participantes debateram ações para mobilizar os bancários e fortalecer a luta da categoria. Entre as sugestões apresentadas estão rediscutir o modelo de greve, ampliar a presença do Sindicato nas agências, aprimorar a comunicação com os bancários utilizando as novas tecnologias e fortalecer a figura do delegado sindical nas agências.
O Congresso dos Bancários do Banco do Brasil aconteceu nesta sexta-feira, 12, como parte da programação do VI Congresso Estadual dos Bancários, que vai até domingo, 14, no Hotel Praia Sol, na Serra.


