Desmonte: BB quer demitir 5 mil empregados e fechar 361 unidades

11/01/2021 18:37

Em comunicado ao mercado, o Governo Federal anunciou nesta segunda, 11, o pacote de ataques ao Banco do Brasil. O Sindicato dos Bancários/ES está analisando os impactos das medidas no Estado para orientar os funcionários do BB

Em comunicado ao mercado de fato relevante, o Banco do Brasil anunciou nesta segunda-feira, 11, um grande plano de reestruturação. O BB quer demitir ao menos 5 mil empregados e fechar 361 unidades: 112 agências, 242 postos de atendimentos e 7 escritórios. Ainda, segundo a nota, o banco pretende cortar 5 mil empregados por meio de duas modalidades de desligamento: Programa de Adequação de Quadros (PAQ) e Programa de Desligamento Extraordinário (PDE). A adesão aos programas se encerram em 5 de fevereiro, quando o BB deve anunciar o balanço das demissões.

Na avaliação da diretora do Sindicato dos Bancários Goretti Barone, o pacote de reestruturação anunciado pela direção do BB é um ataque ao patrimônio público de todos os brasileiros. “Desligar 5 mil empregados e fechar quase 400 unidades em um momento de pandemia, com mais de 14 milhões de desempregados e outros 17 milhões que deixaram de receber o auxílio emergencial e desceram para a linha da extrema pobreza é mais uma atitude covarde e perversa do Governo Bolosnaro. Vamos começar usando o termo correto. A política neoliberal imposta por Bolsonaro e Guedes [Paulo Guedes, ministro da Economia] recorre a subterfúgios semânticos para chamar de reestruturação o que é de fato um processo de desmonte do BB, que se intensificou sob este Governo”, critica Goretti.

A dirigente acrescenta que o Sindicato ainda está levantando as informações sobre os impactos que as medidas terão para os bancários e as bancárias do BB no Espírito Santo. Goretti informa que haverá uma reunião extraordinária nesta terça, 12, às 18h, com diretores e delegados sindicais para avaliar medidas anunciadas pelo banco. “É importante destacar que o Sindicato está analisando todas as informações para o mais breve possível orientar os funcionários e as funcionárias do banco sobre as medidas”, ressalta a dirigente.

Repercussão

A notícia sobre a reestruturação do BB, amplamente divulgada pelos principais jornais do país nesta segunda-feira, pegou muita gente de surpresa. As publicações com linha editorial mais voltada ao mercado financeiro trataram as medidas como um processo de saneamento fiscal do banco. Destacaram que o BB vai converter 243 agências em postos de atendimento e oito postos de atendimento passam a funcionar como agências. Outras 115 unidades de negócios serão transformadas em lojas BB. Detalhe, sem guichê de caixa.

“São mudanças para pavimentar o caminho da privatização. Não é novidade para ninguém que a privatização do BB é uma obsessão para Guedes. Em quase todas as declarações que o ministro tem dado à imprensa, desde o início deste Governo, têm sido nesse sentido. No final do ano passado, ele lamentou o fato de o processo de privatização não ter andado como previsto em função da pandemia. Mas Guedes avisou que em 2021 seria diferente, com a retomada da agenda de privatizações. Cabe a nós, entidades sindicais, bancários e bancárias, resistirmos a mais esse ataque do Governo Bolsonaro”, assinala Goretti.

Sem justificativa

Quem mergulha nos dados do BB não consegue encontrar números que justifiquem o corte de funcionários e o encolhimento da rede física como medidas necessárias para sanear o banco e melhorar seus resultados. De 2010 a 2019, o lucro anual médio do Banco do Brasil foi de 16, 3 bilhões e a média de dividendos pago pelo BB aos cofres federais foi de R$ 3,6 bilhões ao ano. Só em 2019, o BB lucrou R$ 18,2 bilhões e repassou ao Governo Federal R$ 3, 4 bilhões em dividendos. Em 2020, de janeiro a setembro, o lucro líquido do BB foi de R$ 10,1 bilhões.

No trimestre (julho, agosto e setembro), o lucro foi de R$ 3,4 bilhões, com crescimento de 5,2% em relação ao segundo trimestre de 2020. Como o próprio banco justificou, os resultados em 2020 foram impactados pelas provisões de aumento dos devedores duvidosos. A expectativa de aumento da inadimplência em 2020, devido aos impactos da pandemia sobre a economia, foi uma previsão feita por quase todos os bancos que não se confirmou em 2020. Os bancos reforçaram seus caixas esperando o “calote” que até agora não veio.

Mais números

No terceiro semestre de 2018, o BB tinha 4.776 agências e 1.215 postos de atendimento. Dois anos depois (setembro de 2020), esses números caíram para 4.381 e 773, respectivamente. Apesar do encolhimento da rede física, os resultados do banco seguirão positivos: mais de 42 milhões de operações (09/2020) contra 39 milhões (09/2018); 15,7 milhões de clientes (09/2020) contra 13.8 milhões (09/2018).

“Além dos resultados positivos que por si só não justificariam esse processo de desmonte, temos que lembrar sempre aos desavisados de plantão que o BB é um banco público com propósitos sociais. Esse desmonte, que Governo insiste em chamar de reestruturação, distancia o BB de seu propósito social para igualá-lo aos bancos privados”, protesta Goretti.

Ela afirma que a pandemia deixou ainda mais evidente aos brasileiros a importância não só dos bancos, mas das empresas públicas. “O que seria dos brasileiros sem o SUS? Será que já teríamos chegado a um milhão de mortes? Quem sabe. Com relação à importância dos bancos públicos, basta olharmos para o trabalho que os empregados da Caixa fizeram no pagamento do auxílio emergencial. O BB também têm tido papel crucial na mitigação dos impactos econômicos da pandemia, com a concessão de linhas de crédito rurais e para micro e pequenas empresas. Mesma importância têm o Banestes e o Bandes, por exemplo, aqui no Espírito Santo, ou o Banco do Nordeste, atuando no norte do Estado e junto aos vizinhos nordestinos”, afirma a dirigente.