Dia de Luta é marcado por atos contra desmonte do BB em todo país

21/01/2021 18:52

Bancários e bancárias do BB fizeram atos nesta quinta-feira, 21 em vários municípios do país contra o plano de reestruturação do banco. No ES, o Sindicato junto com os trabalhadores retardaram em 1 hora a abertura de algumas agências

Mobilização da agência BB da Pio XII (Foto: Sérgio Cardoso)

(Texto atualiado em 22/01/2011, às 11h10) Bancários e bancárias do Banco do Brasil realizaram atos em vários municípios do país nesta quinta-feira, 21, no Dia Nacional de Luta contra o desmonte do BB. No Espírito Santo, os trabalhadores retardaram em uma hora a abertura das agências. Em Vitória, o ato aconteceu na Pio XII e em Goiabeiras. No interior, o protesto se concentrou em Colatina. Os bancários do BB receberam os apoios do Sindipetro, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).

O coordenador-geral do Sindicato dos Bancários, Jonas Freire, agradeceu os apoios recebidos de outras categorias à mobilização de resistência e luta contra o desmonte do banco. “Os companheiros e as companheiras que estão nos apoiando sabem que lutamos contra um inimigo comum: o Governo Bolsonaro. Essa política neoliberal comandada pelo ministro da Economia Paulo Guedes tem como eixo central o ataque à classe trabalhadora. É isso que nos une: o inimigo em comum”.

O dirigente disse ainda que o plano de reestruturação do BB não afeta apenas os 5 mil funcionários que o banco quer demitir, mas tem impactos em outros setores da sociedade. O MPA e o MST, por exemplo, sofrerão os impactos do plano em decorrência do fechamento de agências em centenas de municípios por todo o país. “A agricultura familiar depende das linhas de crédito dos bancos públicos. O Banco do Brasil é responsável sozinho por mais de 55% do crédito rural. O desmonte do banco é o primeiro passo para privatizá-lo, deixando os segmentos mais vulneráveis da cadeia econômica reféns dos grandes bancos privados”, alertou Jonas.

Atos no ES

A diretora do Sindicato dos Bancários/ES Goretti Barone avaliou como positiva as mobilizações no Espírito Santo. “Conseguimos retardar a abertura de algumas agências. Esse era o nosso objetivo para hoje. É importante que a população saiba que há um plano em curso do Governo Bolsonaro, empreendido pela equipe econômica chefiada por Paulo Guedes, para desmontar o BB e vendê-lo ao setor financeiro”.

Cartazes alertam para a demissão de 5 mil funcionários

A dirigente destacou ainda que os atos de rua desta quinta-feira são apenas o começo de uma mobilização que está numa crescente. “De hoje até 28, continuaremos mobilizados fazendo novos ações, virtuais e presenciais, contra o desmonte do BB. Nossa missão agora é envolver mais bancários, trabalhadores de outras categorias, a classe política e a população em geral nessa luta em defesa do Banco do Brasil. Essas ações de mobilização durante os próximos dias serão decisivas para fortalecer nossa luta para uma paralisação no dia 29”, enfatizou Goretti.

O diretor do Sindicato Dérik Bezerra também avaliou positivamente os atos de hoje e acrescentou que a mobilização é uma preparação para a paralisação de 24 horas no dia 29 de janeiro. Dérik destacou também a participação dos bancários da Pio XII que apoiaram o ato desta manhã. “Repito, o importante agora é mobilizar e engajar os funcionários para a paralisação do dia 29”.

A mobilização também retardou em uma hora o atendimento na agência BB de Goiabeiras. O diretor da Fetraf-Rio/ES, Ricardo Rios, que esteve na unidade, disse que o ato transcorreu sem tumulto. O dirigente relatou que houve uma boa adesão dos funcionários da agência, que não conseguiam esconder a apreensão com o plano de reestruturação. “Conversamos também com os clientes sobre a possibilidade de fechamento daquela agência e a notícia foi muito mal recebida. A agência mais próxima seria a da Ufes, que não está funcionando por causa da pandemia”.

O também diretor do Sindicato Paulo Roberto Soares, que participou da mobilização em Goiabeiras, disse que é fundamental que a população que depende dos serviços do banco saiba que há um plano em andamento para desmontar, enfraquecer e vender o Banco do Brasil. “Não podemos permitir que uma empresa pública que em 2019 registrou lucro recorde de R$ 18 bilhões seja rifada para o capital especulativo”, criticou Soares.

Ricardo Rios e Soares em ato na agência BB – Goiabeiras

A interrupção do atendimento na agência BB Estilo Praia do Canto, em Vitória, aconteceu na parte da tarde. Diretores e delegados do Sindicato conversaram com funcionários e clientes sobre os impactos da reestruturação. Um dos temas abordados com os funcionários foi a mobilização para a paralisação de 24 horas que está sendo programada nacionalmente para o próximo dia 29.

Interior

A ação em Colatina, região Noroeste no Estado, foi na agência São Silvano. Segundo Goretti Barone, o ato envolveu os funcionários, que estão em menor número presencialmente devido à pandemia. “Também conseguimos retardar o início do atendimento em uma hora e não houve tumulto. Conversamos com os funcionários e clientes da agência sobre os impactos da reestruturação”.

Goretti (primeira da esquerda) ao lado dos bancários e das bancárias durante o retardamento da abertura da agência São Silvano

A dirigente disse ainda que também dialogou com alguns comerciantes do entorno da agência, que está no alvo da reestruturação. “Os comerciantes se mostraram preocupados e demostraram solidários em se engajar na mobilização contra o desmonte do banco”, disse Goretti.

Apoios de outras categorias

Bruna Moschen, diretora do Sindipetro, participou da mobilização da Pio XII

Petrobras, MST e MPA estão apoiando as mobilizações de luta contra o desmonte do BB. O Sindipetro esteve presencialmente representado no ato desta manhã na Pio XII pela diretora Bruna Moschen.

Leomar Honorato Lírio, do MPA, disse que é importante apoiar a classe trabalhadora de maneira geral nesta luta contra o projeto neoliberal do Governo Bolsonaro. Ele destacou o trabalho dos bancários e bancárias do BB e o quanto o banco é importante para o desenvolvimento produtivo do país.

“Nos últimos anos, o Banco do Brasil tem sido um parceiro importante da agricultura camponesa familiar no que diz respeito ao financiamento agrícola, tanto para custeio como para investimento. Durante muito tempo o Banco do Brasil foi o único que atuou com recursos do Pronaf no fortalecimento da agricultura familiar”, ressaltou. Leomar disse ainda que por tudo que o banco representa para o Brasil, a empresa deve ser valorizada e fortalecida e não sucateada. “Deixamos registrado o apoio do MPA à manutenção do Banco do Brasil como empresa pública”.

Plenária

Desde o anúncio da reestruturação do Banco do Brasil no último dia 11, o Sindicato dos Bancários vem promovendo reuniões e plenárias para discutir os impactos das medidas e as estratégias de luta e resistência ao processo de desmonte do banco, que tem como propósito final a privatização da empresa bicentenária.

Nessa quarta-feira, 20, houve nova plenária para definir as ações do Dia Nacional de Luta. As discussões apontaram a necessidade de o processo de mobilização se intensificar nos próximos dias para que o movimento de luta chegue fortalecido à paralisação de 24 horas programada para dia 29 de janeiro.

Diretores e diretoras, delegados e delegadas do Sindicato foram unânimes em reforçar a importância engajar todos os funcionários na luta, além de trabalhar a mobilização da sociedade em geral e especialmente da classe política: prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais e senadores.

Goretti Barone lembrou que a comissão de empresa traçou o calendário nacional para toda a semana, até o dia 28, sobretudo das agências atingidas pela reestruturação. Ela registrou que o Sindicato continua sem informação oficial do banco sobre a reestruturação. “Oficialmente ainda não sabemos quais agências vão fechar ou virar loja no Espírito Santo”.

A dirigente disse que o prazo para aderir ao PAQ se encerra nesta sexta-feira, 22, mas que os funcionários não devem tomar decisões precipitadas. “É preciso saber quais os impactos da adesão ao PAQ ou ao PDE em relação à Cassi e à Previ. Repito, procurem o Sindicato e consulte o nosso Jurídico antes de tomar decisões”, orientou Goretti.

Bruna Moschen, da direção do Sindipetro, participou da plenária. Funcionários de Salvador, São Paulo e Acre também colaboraram com os debates trazendo a experiência de mobilização que estão sendo feitas nesses estados.

Carlos Pereira de Araújo (Carlão), do Comando Nacional, falou sobre as ações de mobilização dos funcionários do BB que estão sendo programadas para os próximos dias que devem culminar com uma paralisação no dia 29.

“A luta contra esse perverso processo de desmonte também tem um caráter pedagógico. É importante conversar com os colegas para ir amadurecendo essa ação de resistência. O objetivo do Governo Bolsonaro e do ministro Paulo Guedes é desmontar o banco para privatizá-lo. Só conseguiremos nos impor se houver união e luta. O fundamental é ter consciência de que a salvação parte de nós mesmos. A perspectiva de uma paralisação de 24 horas pode ser fundamental para o fortalecimento desse processo de enfrentamento e resistência”, assinalou Carlão.