Dia Internacional contra a Discriminação Racial: o Brasil precisa refletir sobre a questão

21/03/2022 17:58

Dia internacional de luta contra a discriminação racial coloca o combate ao racismo no centro das mobilizações por justiça e igualdade social

O dia 21 de março marca a luta planetária contra a discriminação racial. Instituída pelas Nações Unidas em 1966, após o “Massacre de Shaperville” (1960), na África do Sul do Apartheid, a data chama a atenção para as reais e aparentes disparidades criadas pelo supremacismo colonial e imperialista dos povos europeus e ascendentes, que alija corpos negros, indígenas e amarelos de oportunidades, dignidade e vida.

No Brasil, o recente assassinato do congolês Moïse Kabagambe a pauladas na Barra da Tijuca; a morte a tiros de Durval Teófilo Filho, em São Gonçalo, que implorou para que o seu vizinho militar não atirasse contra ele e a abordagem racista denunciada pelo dentista Igor Palhano (30), filho do humorista Mussum, compõem um triste espectro cotidiano do racismo que assola o país.

Os crimes deixam evidentes as disparidades raciais com que são tratadas as pessoas não brancas na sociedade brasileira, e necessidade de políticas para o combate do racismo estrutural e de valorização das tradições que esses povos legam à cultura brasileira.

Para a dirigente sindical Mônica Garcia, a data é determinante para aquelas envolvidas na luta anticapitalista, momento de reflexão sobre os privilégios e integração às lutas.

“A colonização brasileira promoveu um genocídio sem precedentes das culturas e povos indígenas. Em sequência, o projeto colonial brasileiro foi o que mais traficou pessoas africanas para escravização nas grandes lavouras e plantações. Nosso período republicano foi marcado por forte política de branqueamento das pessoas. Essas políticas legam uma realidade difícil, que exige de toda a sociedade uma postura intransigente contra qualquer tipo de discriminação racial”, explica a dirigente.

O assalto à vida de indígenas e pessoas negras no país, algo de certo modo exaltado pelo projeto bolsonarista, compõe apenas uma parte do desafio. A segregação no mercado de trabalho, mesmo após os diversos anos de ações afirmativas, ainda é uma realidade.

Pesquisa feita no ano passado pelo Instituto Guetto revelou que quase metade das pessoas negras “não se sentem pertencentes ao seu ambiente de trabalho”, por sofrerem algum tipo de discriminação em sua atividade profissional.

Mesmo quando têm mais qualificação profissional e nível de escolaridade, negros e negras recebem salários inferiores e são os mais afetados pelo desemprego.

Em outra pesquisa, feita em fevereiro deste ano pela empresa digital de colocação profissional Catho, 58% dos profissionais negros disseram não ter as mesmas oportunidades que os brancos. Esse sentimento pode ser conferido dentro da própria categoria dos bancários: dos cerca de 450 mil trabalhadores no setor, segundo o IBGE, apenas 24,7% são negros.

Com informações da Contraf.