Dia Internacional de Luta da Mulher abre jornada a ato do dia 18

06/03/2020 16:30

No próximo dia 18, o ato unificado vai às ruas de todo o país para o Dia de Lutas, Protestos e Paralisações em defesa dos serviços públicos, do emprego, direitos e democracia

As mulheres capixabas fizeram nessa sexta-feira, 06, uma marcha pelas ruas do Centro de Vitória seguida de ato público para marcar o Dia Internacional de Luta da Mulher (08 de março). No domingo, 8, as atividades acontecem no Parque Moscoso, também no Centro, a partir das 15 horas. Dentre as atrações, haverá oficina de contação de histórias, oficina de automaquiagem para LGBT’s, oficina de ervas (sabonetes, incenso, etc.), música e feira de trabalhos manuais. A programação do Dia Internacional da Mulher está sendo organizada por diversas entidades, incluindo o Sindicato dos Bancários/ES.

O ato do Dia Internacional de Luta da Mulher abre a jornada 2020 dos atos de rua contra o presidente Bolsonaro. Os protestos criticam a política do governo federal que ataca os direitos civis e trabalhistas da população, desmonta a rede social pública para impor um Estado mínimo, rifa as empresas estatais ao mercado, se apropria das terras indígenas para entregá-las às mineradoras e ao agronegócio. Contra esse processo de desmonte do país, os movimentos sociais estão se mobilizando em todos os estados para unificar o ato do próximo dia 18 – Dia de Lutas, Protestos e Paralisações em defesa dos serviços públicos, do emprego, direitos e democracia.

No Espírito Santo, o Sindicato dos Bancários está participando das reuniões de articulação com outras entidades sociais para a organização do ato do dia 18. Inicialmente a data marcaria o Dia Nacional de Greve da Educação e do Serviço Público, mas as entidades sindicais nacionais propuseram a ampliação do protesto, a partir da construção de uma ampla agenda unificada de ação para que se organize um forte dia de lutas. A proposta que essa unidade nacional se estenda ao 1º de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores.

“Ocupar as ruas em defesa dos direitos, da democracia e para derrotar Bolsonaro”. Com essa mensagem, a Intersindical Central da Classe Trabalhadora se junta a outras seis centrais para o ato do dia 18. “Apesar de o establishment ter acordo com a agenda de desmontes de Bolsonaro, existe contradições sobre a agenda de costumes e os limites das liberdades democráticas no país. Enquanto Bolsonaro e a extrema direita não escondem suas pretensões autoritárias e seu desejo de implantar uma ditadura no Brasil, setores tradicionais das elites tentam se diferenciar da extrema direita para reconquistar a maioria eleitoral e o poder de Estado”, diz um trecho do texto publicado pela Intersindical chamando a população para as ruas.

Veja abaixo o texto da Intersindical na íntegra
O governo de Jair Bolsonaro atua para destruir os direitos da classe trabalhadora, desmontar o Estado, entregar as empresas estatais e as riquezas naturais do país, devastar as terras indígenas para entregá-las à sanha de mineradoras e agronegócio. Para tudo isso, Bolsonaro conta com apoio e votos da maioria do Congresso Nacional, do STF, da Rede Globo, Folha SP e da grande mídia. O que está em curso, portanto, é um projeto de destruição nacional para subordinar o país atender aos interesses do capital financeiro e dos Estados Unidos.

Apesar de o establishment ter acordo com a agenda de desmontes de Bolsonaro, existe contradições sobre a agenda de costumes e os limites das liberdades democráticas no país.

Enquanto Bolsonaro e a extrema direita não escondem suas pretensões autoritárias e seu desejo de implantar uma ditadura no Brasil, setores tradicionais das elites tentam se diferenciar da extrema direita para reconquistar a maioria eleitoral e o poder de Estado.

Apesar de ainda contar com uma base de apoio relevante, Bolsonaro enfrenta diversas dificuldades neste início de 2020, como a queima de arquivo do miliciano Adriano da Nóbrega na Bahia ressuscitou a vinculação profunda do clã Bolsonaro com as milícias e seus crimes, como a execução de Marielle Franco; a greve vitoriosa dos petroleiros colocou em evidência o desmantelamento do sistema Petrobras e sua política de preços forçou o governo a recuar e negociar com a categoria e as massivas demonstrações de oposição ao governo Bolsonaro expressas durante o carnaval em todo o país. Por outro lado, apesar das promessas de Paulo Guedes do falso espetáculo do crescimento, já está claro que a paralisia econômica seguirá assolando o país e piorando todos os indicadores econômicos e sociais, como aumento da precarização e informalização do trabalho, queda da produção industrial, aumento da pobreza extrema e das desigualdades sociais. Um exemplo foi a divulgação da saída de dólares do Brasil em 2019 que superou a marca das últimas quatro décadas.

É nesse contexto que Bolsonaro ataca as instituições e agride a democracia e a Constituição Federal, inclusive para desviar as atenções dos fracassos de seu governo como a manifestação convocada para o dia 15 de março e o fomento à milicianização das forças de segurança. Bolsonaro tem incentivado grupos de policiais de extrema-direita por oportunismo eleitoral, como está se vendo neste momento no Ceará, onde com métodos milicianos se descaracterizou de forma criminosa um movimento reivindicatório.

Em defesa do serviço público, dos empregos, direitos e da democracia. Ditadura nunca mais.

Diante da gravidade da situação, a Intersindical e demais centrais, as Frentes Povos Sem Medo e Brasil Popular, partidos e diversos setores sociais convocam a classe trabalhadora, a juventude e o povo para participação massiva com um calendário unitário de lutas no próximo período, como os dias 08, 14 e 18 de março.

No dia 08 de março vamos ocupar as ruas de nosso país em defesa da vida das mulheres, contra todas as formas de violência, em defesa da democracia e dos nossos direitos.

No dia 14 de março, data que marca os dois anos da execução de Marielle Franco, serão realizados atos em todo o país em defesa da memória de Marielle e da luta pelo completo esclarecimento de sua morte. Exigimos resposta à pergunta: “Quem mandou matar Marielle?”

Em 18 de março, teremos o Dia Nacional de Lutas, Protestos e Paralisações nos mais diversos setores. Na educação pública, está apontado uma greve geral de trabalhadores e estudantes. Nos outros setores, além de greves e paralisações, teremos grandes manifestações populares para defender os direitos, a democracia e a soberania.

É urgente a anulação da Emenda 95 que inviabiliza os investimentos no setor público. Na especificidade de saúde, o congelamento dos investimentos públicos já é responsável pelo aprofundamento do desfinanciamento do SUS e agravamento das condições de saúde do povo brasileiro. O aumento do adoecimento por dengue, febre amarela, malária, sarampo, e mais recentemente coronavírus, reafirmam a urgência dessa pauta. As filas de espera do INSS, do Bolsa-Família, são frutos destas políticas de desmonte dos serviços públicos, e exigem a realização imediata de concursos públicos e contratação massiva de profissionais de saúde, previdência e assistência.

Na luta coletiva pelas necessidades concretas do povo brasileiro é possível criar as condições para barrar o projeto de destruição nacional de Bolsonaro. O Brasil não suporta mais quatro anos de desmontes e retrocessos democráticos. Portanto, é necessário interromper o projeto de destruição em curso. Fora Bolsonaro.

São Paulo, 01 de março de 2020
Direção Nacional da Intersindical Central da Classe Trabalhadora