
Na manhã desta quinta-feira, 2, houve mobilizações nas bases sindicais de todo o país no Dia Nacional de Luta dos funcionários do Banco do Brasil. No Espírito Santo, a ação organizada pelo Sindicato dos Bancários/ES se concentrou em frente ao prédio da Pio XII do BB, no Centro de Vitória. Diretoras e diretores do Sindicato se revezaram no microfone para pedir respeito à vida dos bancários. As críticas se concentraram na decisão unilateral do banco, que impôs o retorno, sem planejamento, dos funcionários do grupo de risco ao trabalho presencial. (confira as fotos do ato ao final desta reportagem).
Para a diretora do Sindicato Goretti Barone, a decisão põe em risco a saúde dos trabalhadores. “Os cientistas têm alertado que a pandemia ainda não acabou, que precisamos manter as medidas de prevenção ao vírus. Todos os protocolos sanitários devem ser mantidos para proteger a saúde de funcionários e clientes. Mas, embora o cenário da pandemia ainda requeira cuidados, diretoria e superintendentes decidiram contrariar a ciência e a própria orientação interna da direção do banco, que estabelece que o retorno do home office para presencial deveria respeitar um escalonamento”, assinala.
Horário pré-pandemia
A dirigente diz que a volta do funcionamento normal das agências, que já estão abrindo nos horários pré-pandemia, também é motivo de preocupação. Os clientes estão ficando aglomerados na área externa das agências e no interior do estado a situação é ainda mais grave pois há concentração excessiva de pessoas nas áreas de autoatendimento. Goretti destaca a ausência de um plano de contingência para organizar o atendimento e evitar aglomerações como essas.
“Conversando com os funcionários, percebemos que há uma apreensão muito grande com relação a esse retorno atropelado para o trabalho presencial. Muitos apontaram preocupação com a saúde dos colegas que são do grupo de risco, e que passam a ficar vulneráveis. Essa insegurança poderia ter sido evitada se o banco tivesse mais respeito com seus funcionários”, assinala.
Para Goretti, por trás dessa volta açodada está o lucro. “O BB, de olho em melhorar o lucro neste fim de ano, decidiu acelerar o retorno sem se preocupar com a saúde dos funcionários do grupo de risco. Para o BB, o lucro vale mais que a vida”.
Ela diz ainda que os bancários e as bancárias do grupo de risco só deveriam ser liberados para o trabalho presencial após avaliação médica. “É muito importante que os funcionários do grupo de risco só retornem depois de ter esse parecer médico”, ressalta.
Home office reduz risco
A preocupação da dirigente se reflete no levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) com 13 mil bancárias e bancários. O estudo divulgado em setembro, apontou que quase 40% dos bancários que trabalharam presencialmente contraíram covid-19, contra 23% dos que ficaram em home office. “O estudo confirma que manter o funcionário em home office pode reduzir o risco de contágio praticamente pela metade”, pontua.
Nova mobilização dia 7
A diretora reforça que o calendário de luta continua. Na próxima terça-feira, 7, o tema da mobilização será “Mais contratações, sem pressão por metas e melhores condições de trabalho”.
“Esse tema está na ordem do dia. Precisamos pressionar o banco para convocar os funcionários aprovados em concurso. Sabemos que o adoecimento dos bancários e das bancárias está diretamente relacionado à defasagem dos quadros de pessoal. O número de funcionários vem reduzindo ano a ano ao mesmo tempo em que o banco mantém uma política de gestão assediadora para o cumprimento de metas”.
Confira as fotos do ato desta quinta-feira
Fotos capa/galeria: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES

