
Dirigentes do Sindicato fazem ato em protesto à reestruturação do BB em frente à agência Pio XII (Fotos: Sergio Cardoso)
Funcionários e funcionárias do Banco do Brasil fizeram mais um dia de luta nacional em protesto à política de reestruturação do BB, que desvirtua o banco do seu papel social e o aproxima cada vez mais do modelo de negócio dos bancos privados. Desvalorização dos empregados, ausência de concursos e sobrecarga de trabalho, metas intangíveis e adoecedoras e o descumprimento sistemático do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) foram alguns dos pontos destacados pelos dirigentes do Sindicato dos Bancários/ES, durante suas falas no ato em frente ao prédio do BB da Pio XII, no Centro de Vitória, na manhã desta quarta-feira (22).
Durante o ato, que retardou a abertura da agência Pio XII, os dirigentes do Sindicato tiveram a oportunidade de conversar com os funcionários sobre como as medidas de reestruturação do banco têm afetado o dia a dia da categoria. O diretor do Sindicato Igor Chagas chamou atenção para o fato de o banco impor o aumento da jornada de trabalho de 6h para 8h. Ele lembrou que a jornada de 6h é uma conquista histórica da categoria bancária que os trabalhadores não podem abrir mão. Igor mencionou a mobilização da classe trabalhadora pelo fim da jornada 6X1. “Aumentar a jornada de trabalho dos bancários do BB vai na contramão das pautas defendidas pelo próprio governo federal. O BB é uma empresa pública e deveria ser coerente com a posição do governo sobre o tema”.
Com relação à falta de concursos para repor o quadro de pessoal, Igor afirmou que hoje a defasagem é de aproximadamente 10%, “ou seja, temos um déficit de cerca de 8 mil funcionários em todo o país”. A dirigente Bethania Emerick acrescentou que o encolhimento do quadro de funcionários combinado com as metas abusivas e um modelo de trabalho cada vez mais intenso têm sido a causa direta do aumento do adoecimento da categoria, com destaques para as doenças mentais como estresse, ansiedade e depressão.
Igor fez um recorte especial sobre a questão das metas. “O semestre ainda não fechou, mas se fechasse hoje, 90% das agências não atingiriam as metas estabelecidas pelo BB. As metas são inalcançáveis. Isso gera uma avaliação negativa, descomissionamentos e o adoecimento crônico na categoria”, alertou.
Sem substituições
Bethania também criticou a decisão unilateral do BB de suspender as substituições nos meses de novembro e dezembro, num flagrante desrespeito ao ACT. “Nos próximos dois meses, se um gerente sair de férias, por exemplo, o BB não irá remunerar o funcionário que o substituir. Sabemos que na prática os funcionários vão ter de assumir as funções do colega sem o devido reconhecimento financeiro por isso”, ressaltou a diretora.
Os dirigentes ainda fizeram críticas à falta de investimentos do banco no custeio da Cassi. “A maior parte das grandes estatais já tem a proporção 70/30, com o empregador/patrocinador garantindo 70% do custeio. Exigimos que o BB garanta o custeio dos cuidados com a saúde de seus funcionários”, assinalou Igor.
Ele também não deixou de fora das críticas a atual gestão do BB. Igor afirmou que as gestões de Tarciana Medeiros, presidenta do banco, e de Carla Nesi, vice-presidente de Negócios de Varejo, vêm decepcionando os funcionários. “De quem esperávamos mudanças, mas que, no fundo, só estão dando continuidade às gestões anteriores. Prevalece o objetivo irresponsável de superar o lucro do Itaú”.
Avaliação do ato
Bethania avaliou positivamente o ato desta quarta-feira. “A mobilização é importante porque é resultado de uma luta coletiva. Embora os ataques impetrados pelo BB sejam sentidos por nós, de maneira individual, esses ataques, na verdade, têm efeito no coletivo, porque afetam todo o funcionalismo do BB”. Ela acrescentou: “Queremos um banco que nos dê orgulho, que garanta um atendimento de qualidade aos clientes. O trabalho precisa ser digno, e não um lugar de adoecimento e sofrimento”, protestou.
Ainda sobre a avaliação do ato, Igor destacou que os pontos criticados pelo Sindicato fazem todo o sentido para a categoria. O dirigente disse que tem percebido uma insatisfação generalizada da categoria e um progressivo engajamento às pautas de luta. “É importante mantermos a mobilização. Não podemos parar enquanto o BB não aceitar rever essa política de reestruturação, com metas inalcançáveis e falta de investimentos, que precariza e adoece seus trabalhadores e trabalhadoras”, advertiu.
Confira as fotos do ato
Fotos: Sergio Cardoso/Sindibancários/ES

