Na manhã desta sexta-feira, 07, enquanto representantes de entidades sindicais e movimentos sociais do Fórum Capixaba em Defesa da Vida das Trabalhadoras e dos Trabalhadores se concentravam no estacionamento do Tancredão, região central de Vitória, para dar início à carreata do “Dia Nacional de Luto e Luta pelo Fora Bolsonaro-Mourão”, o Brasil se aproximava da trágica marca de 100 mil mortes por covid-19. Por volta das 10h00, cerca de 100 veículos, segundo os organizadores, partiram em carreata pelas ruas da capital.
https://www.facebook.com/sindibancarios.es/posts/1558225051006242
Do caminhão de som que puxava a carreata lideranças sindicais e sociais do Fórum se revezavam ao microfone tecendo críticas à política genocida do Governo Federal. A maioria finaliza as falas com a frase “Fora Bolsonaro, fora Mourão”. O prefeito de Vitória Luciano Rezende e o governador Renato Casagrande também foram criticados pelos manifestantes. Eles foram acusados de cederem à pressão das elites empresariais e interromperem as medidas de isolamento social, flexibilizando precocemente a reabertura do comércio.
O coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES, Jonas Freire, destacou a importância de um ato de dimensão nacional pedindo a saída de Bolsonaro-Mourão. “É preciso dar um basta a essa política genocida. Nas próximas horas, o Brasil romperá a triste e dolorosa marca de 100 mil mortos. São números aterrorizantes. Estamos enlutados. Não podia ser diferente”, consternou-se Jonas.
O dirigente foi um dos que criticaram a política de enfrentamento à pandemia do Governo do Espírito Santo. “Aqui, continuamos registrando, em média, 22 mortes diárias e cerca de mil casos novos. Já nos aproximamos de 2.700 mortes. O governador Renato Casagrande abreviou a quarentena, que mal durou um mês. Os mais prejudicados com as medidas de flexibilização são os trabalhadores. Sem escolha, eles são obrigados a se arriscar no transporte público todos os dias – local comprovadamente com altíssimo índice de contaminação,” criticou.
3 horas de carreata
Devido ao trânsito lento desta manhã, a carreata demorou mais de três horas para completar o trajeto. A carreata partiu do Tancredão e percorreu o mais de 10km da Serafim Derenzi, passando só nesse trecho por mais de 15 bairros; em seguida, tomou a Reta da Penha, cruzou Goiabeiras, seguiu pela Fernando Ferrari, Reta da Penha novamente, avenida Vitória e finalizou o percurso e o ato no Palácio Anchieta.
Em frente à sede do Governo do Estado, os manifestantes voltaram a pedir o Fora Bolsonaro e a criticar as políticas de enfrentamento à pandemia de Casagrande e Luciano Rezende. A falta de políticas para garantir um transporte público e sanitariamente mais seguro foi um dos pontos criticados.
As denúncias de aglomerações nos ônibus e usuários sem máscaras têm sido recorrentes e já chegaram ao Ministério Público Estadual, que vem exigindo que o poder público adote protocolos nos ônibus e terminais, locais que já foram apontados pelas autoridades sanitárias como altamente propícios ao contágio da covid.
No encerramento do sexto ato do Fórum Capixaba, os representantes dos movimentos sociais e das entidades sindicais também reivindicaram que o Governo do Estado arque com o pagamento de um auxílio emergencial no valor de um salário mínimo para os trabalhadores e as trabalhadoras desempregados do Espírito Santo. Eles também reafirmaram posição contra a retomada das aulas na rede pública de ensino enquanto perdurar a pandemia do novo coronavírus.
Manifestação em todo o país
O Dia Nacional de Luto e Luta pelo Fora Bolsonaro-Mourão aconteceu em quase todo o país. Os organizadores nacionais do ato, que reúne as centrais e as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, estimavam que 23 estados programaram atos para esta sexta-feira.
A Intersindical, uma das centrais que fazem parte da organização nacional do ato, lembrou que nos dois primeiros meses de pandemia as empresas demitiram mais de 1 milhão de trabalhadores, aumentando o contingente de desempregados para mais de 40 milhões de brasileiros. As Medidas Provisórias impostas pelo governo Bolsonaro liberaram a redução de salários, ataque aos direitos e a continuidade das demissões.
A Intersindical criticou o aumento da desigualdade no Brasil com a pandemia, que deixou os ricos mais ricos e os pobres na miséria. O patrimônio dos bilionários brasileiros aumentou US$ 34 bilhões, segundo estudo da Oxfam. De acordo com o levantamento da ONG, entre março e julho o patrimônio de 42 bilionários do Brasil passou de R$ 629 bilhões para R$ 839,4 bilhões.
O mesmo estudo constata que mais de 50 milhões de pessoas na América Latina ficarão abaixo da linha da pobreza durante a pandemia. Isso significa não ter o mínimo para sobreviver.
Confira a galeria com as fotos do ato
(Fotos: Sérgio Cardoso/Sindibancários/ES)








