O Banco do Brasil quer aumentar a remuneração fixa dos membros da sua diretoria e do Conselho de Administração. Se aprovada a proposta, a remuneração fixa do presidente do banco passará para R$ 77.125,10 mensais; a dos vice-presidentes, para R$ 69.032,64; e a dos diretores, para R$ 61.527,65. As informações estão no jornal O Estadão de segunda-feira, dia 30.

Segundo o jornal, a direção do BB submeterá a seus acionistas o pedido de ajuste nas remunerações em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) convocada para o dia 29 de junho.  A convocação e as propostas já foram publicadas pelo banco na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

De acordo com o jornal, o novo valor abrangeria os 12 meses entre abril deste ano e março de 2023. O BB informa que os pagamentos reajustados seriam pagos a partir de junho. O banco propõe reajuste pelo IPCA de 12 meses até abril, de 12,13%, para o presidente e os vice-presidentes, e de 17,92% para os honorários de seus diretores.

Ainda conforme publicado pelo Estadão, o BB destaca que apresentou lucro líquido recorde em 2021, de R$ 21 bilhões, o que refletiria o desempenho da administração, e diz que o reajuste daria “justa remuneração” aos administradores frente às responsabilidades que possuem, garantiria a atratividade dos cargos e a retenção de talentos. A diretoria do BB conta com 33 membros, entre o presidente, vices e diretores.

Incoerência

A diretora do Sindibancários/ES Bethânia Medeiros ressalta a incoerência da diretoria do banco falando em ‘justa remuneração’ aos administradores “enquanto várias comissões para os novos cargos de gerência média e assistentes foram reajustados para baixo”. Ela também lembra que o banco, por outro lado, “endurece cada vez mais as negociações nas mesas para tratar do reajuste dos mesmos funcionários que trazem, a duras penas, essa lucratividade altíssima, mesmo num momento delicado como o que estamos vivendo, em meio à pandemia, com juros elevados, endividamento crescente e volta da carestia”.

A alta lucratividade do BB, salienta a diretora do Sindicato, “é conquistada a custas de sobrecarga de trabalho, acúmulo de funções e adoecimento dos funcionários, com alto índice de doenças psíquicas nas unidades do banco”. Além disso, continua Bethânia, “o banco vem fechando agências, reduzindo quadro de funcionários, precarizando o atendimento aos clientes, enquanto propagandeia que cuida do que é valioso para as pessoas”.