Hoje foi mais um dia de protesto nacional contra a posição da Caixa de embromar nas negociações do Saúde Caixa, não apresentando proposta efetiva e não atendendo às reivindicações dos empregados. No Espírito Santo, houve paralisação por uma hora nas agências Jardim América, Cariacica, e Jardim Camburi, em Vitória.

“Esse plano foi construído com tanta luta pelos trabalhadores e hoje está sendo sucateado pela direção do banco. Por isso estamos aqui hoje para mais um dia de luta pelo Saúde Caixa. Queremos reforçar nossa reivindicação pelo fim do teto de 6,5% [sobre a folha de pagamento] e pela retomada do credenciamento, além de melhorias na rede de credenciados. Esse plano de saúde é nosso, foi conquistado, e nós não vamos deixá-lo morrer na alta direção da Caixa, vamos à luta!”, afirmou o diretor do Sindicato André Tosta, que estava na manifestação da agência Jardim América.

“O que a gente precisa é que a Caixa negocie de fato com o movimento sindical, e que a gente consiga tanto o não reajuste [das mensalidades] como também a derrubada do teto de 6,5% da folha de pagamento, pois já caiu CGPAR [ resolução da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União que estabelecia teto no custeio de planos de saúde nas empresas públicas], mas na Caixa está instituído ainda no Estatuto. Queremos que o banco arque com seus gastos no Saúde Caixa para que nós, empregados, não fiquemos tão sobrecarregados de gastos como já estamos”, disse Igor Bongiovani, também diretor do Sindicato.

Em Jardim Camburi

A dirigente sindical Rita Lima considera que o principal problema do Saúde Caixa hoje é que o banco não faz aporte do décimo terceiro [salário] e não custeia o plano no percentual de 70%. “Isso ocasiona o déficit que o plano vem acumulando”, afirmou. Ela destacou que “a Caixa não tem transparência em relação ao plano”, dificultando o acesso aos dados: “A gente nunca consegue um dado segmentado para analisar os problemas do Saúde Caixa; não consegue ter um diagnóstico efetivo porque, como o banco mistura o Saúde Caixa na sua contabilidade, não consegue ter transparência em termos de despesa, segregar por faixa etária e número de dependentes. A Caixa diz que é isso e dificulta para a gente também analisar. Ou tem transparência nos dados ou não tem reajuste”.

Rita Lima também lembrou que o acordo do Saúde Caixa vence em dezembro e, até agora, não há nenhuma proposta da Caixa. “Tem que ter proposta, negociação e debate com a categoria”, disse. E acrescentou: “A Caixa tem como obrigação contratual prestar assistência à saúde dos seus empregados. Então, se é um direito, alguém tem um dever, que é a Caixa. Não adianta querer empurrar isso para nós. Lutar por esse direito é fundamental”, afirmou ela, lembrando da importância do pacto de solidariedade intergeracional que norteia o Saúde Caixa para garantir assistência aos ativos e aposentados.

Ronan Teixeira, diretor do Sindicato e integrante da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), informou que na terceira negociação sobre o Saúde Caixa, realizada na semana passada, o banco mais uma vez não apresentou proposta, vindo apenas com cenários sobre custeio e valores. “Nós reivindicamos na mesa que em até 15 dias a Caixa faça uma proposta que contemple a nossa proposta inicial: reajuste zero nas mensalidades, fim do teto de 6,5% e aporte no valor do déficit e, daí pra frente, volte a conversar sobre gestão qualificada do plano, com temas como custeio e rede credenciada”.

O déficit acumulado é justamente por conta do teto de 6,5% sobre a folha, lembrou Ronan. “Desde que o teto foi instituído, a Caixa não arca com os 70% de sua responsabilidade, e vem diminuindo gradativamente esse percentual, chegando neste ano a 54% [das despesas]. Como falar de teto para a Caixa se nosso teto de 30% não é respeitado? Nosso teto é que tem de ser respeitado prioritariamente, está no acordo e no Estatuto [do Saúde Caixa]. Sem a derrubada do teto, sem reajuste zero e sem o aporte para cobrir o déficit acumulado a gente não vai conseguir fazer valer o que está no acordo e no Estatuto. Por isso estamos fazendo essas manifestações em todo o país”, afirmou Ronan.

O dirigente destacou que “a Caixa é um banco público com função social específica no Brasil. Então a gente não pode admitir qualquer redução [de direitos] num banco público que faz política social neste país. A Caixa tem que qualificar e dar condições para a gente oferecer um bom serviço como sempre fizemos. Nós, trabalhadores da Caixa, que sempre cuidamos do Brasil, precisamos ser cuidados pela direção do banco com respeito, condições de trabalho e garantia da nossa saúde e dos nossos familiares”.

Fotos: Sérgio Cardoso e Lorraine Paixão