Bancários e bancárias do Banco do Brasil se reuniram na noite desta terça-feira, 09, em plenária para discutirem a proposta do banco de renovação do Acordo Coletivo do Trabalho referente à regulamentação do trabalho emergencial durante a pandemia de covid-19. A minuta recebeu duras críticas, dentre elas por excluir definitivamente os funcionários e as funcionárias coabitantes com pessoas do grupo de risco à covid-19 das medidas de proteção mais rígidas, como o home office.
Os bancários e bancárias também discutiram sobre a antecipação forçada de férias, com data estipulada segundo os interesses do banco. De acordo com o Parágrafo Primeiro, da Cláusula 2ª: “O BANCO poderá estipular férias individuais ou coletivas para seus empregados, inclusive remarcando períodos programados antes da decretação do estado de calamidade pública, de modo que seja usufruído tanto saldo remanescente de período já adquirido, como o período já iniciado e incompleto (em curso de aquisição).”
Para a diretora do Sindibancários/ES, Goretti Barone, a proposta vai na contramão da realidade enfrentada pelos brasileiros, de agravamento da pandemia no país. “Estamos vivenciando o aumento do número de mortes por covid-19 e o BB quer flexibilizar as medidas de proteção aos seus empregados. Isso é absurdo. Os bancários que estão em casa não por escolha, mas por necessidade de proteção à própria vida e de seus familiares, e não podem ser responsabilizados ou penalizados por isso”, destaca.
De acordo com a Cláusula 2ª ainda, os funcionários do grupo de risco do coronavírus, poderão ter suas férias antecipadas ou definidas pelo banco como medida prioritária para proteção à saúde. Além disso, o comunicado de férias pode ser feito pelo banco apenas cinco dias antes do início das férias e por qualquer meio, até mesmo uma simples mensagem via Wthasaap. Para os bancários, essa é uma proposta que viola os direitos dos trabalhadores no que diz respeito ao gozo de férias.
“A imposição do banco de que ele pode determinar o período de férias do funcionário para mantê-lo em casa na pandemia é um desrespeito com os bancários. Férias são para usufruto livre dos trabalhadores e não pode ser uma medida utilizada pelo banco de prevenção à covid-19. O que precisamos é que o BB garanta aos bancários do grupo de risco e aos coabitantes com pessoas desse grupo, o direito a permanecerem em casa, em home office para protegerem suas vidas e de seus familiares, e que reforce os protocolos sanitários de prevenção ao coronavírus”, enfatiza Goretti.
Assembleia
A assembleia de votação da proposta do Acordo Coletivo referente à regulamentação do trabalho emergencial nesta pandemia de covid-19 será realizada na próxima semana. A Assembleia que estava prevista para esta quarta-feira, 09, foi suspensa pois a minuta chegou ao Sindicato por volta de 16 horas desta terça-feira, 09, e não houve, portanto, tempo hábil para uma análise detalhada, tanto pela diretoria do Sindicato como pelos bancários e bancárias.
Confira a a proposta de minuta completa.
Transferências compulsórias
Durante a plenária, os bancários e bancárias também discutiram sobre as transferências compulsórias. Em reunião realizada com a GEPES nesta segunda-feira, 08, diretoras e diretores do Sindibancários/ES cobraram mais informações sobre a reestruturação do banco e os processos de transferências compulsórias no Espírito Santo. No entanto, a gerência não tinha informações específicas sobre os processos no estado, e disse ter apenas dados nacionais, como a adesão de 5.533 bancários e bancárias ao PAC e ao PDE.
A GEPES também não tinha informações sobre as vagas no estado e disse que após as realocações há uma sobra de mil vagas em todo o país e que as próximas transferências não serão automáticas, mas somente após um processo de análise.
O Sindicato orienta aos bancários e bancárias que tiverem problemas durante a reestruturação que acionem o Sindicato por meio do e-mail secretariageral@bancarios-es.org.br ou por meio de mensagens via whatsaap para o número (27) 99947-1355 ou (27) 99244-4333.
Pandemia
Na reunião com a GEPES, os diretores do Sindibancários/ES também cobraram que o BB reforce a exigência pelo cumprimento dos protocolos de prevenção à covid-19 nas agências e unidades, como uso obrigatório de máscaras, álcool em gel e distanciamento social. De acordo com a GEPES , o horário de atendimento no banco para pessoas do grupo de risco à covid-19 é das 9h às 10h e o atendimento contingenciado é das 10h às 15h.

