Na última quinta-feira (22), dirigentes do Sindicato dos Bancários/ES realizaram uma reunião com a Gestão de Pessoas do Banco do Brasil (GEPES) para cobrar soluções em relação a uma série de problemas nas agências, em especial a falta de funcionários.
Durante a reunião, as diretoras explicaram que o número muito reduzido de funcionários nas agências está generalizado, o que vem causando ainda mais sobrecarga de trabalho e adoecimento entre os trabalhadores.
Goretti Barone, diretora do Sindibancários/ES, ressaltou que os programas de demissão voluntária feitos pelo banco nos últimos anos, não vieram acompanhados de um plano de recomposição. “Essa situação não é de agora e ela vai se agravando cada dia mais. Após os PDVs, os concursos feitos não supriram todas as saídas e o quadro está ficando cada vez mais defasado. Quando a gente junta a falta de funcionários com esse modelo de gestão que vem se acentuando no BB, que é baseado em metas abusivas, ambiente de cobranças ainda mais intensas, tudo isso vem ampliando muito o adoecimento das pessoas”, afirmou Goretti.
As dirigentes expuseram na reunião diversas queixas que o sindicato vem recebendo devido ao alto nível de cobrança para cumprimento das metas. “Os funcionários e funcionárias estão reclamando de assédio moral nas agências. Os gestores estão forçando a barra na cobrança e as pessoas estão se sentindo intimidadas. Isso é assédio e é mais um gatilho para o adoecimento no trabalho”.
Mais uma vez as dirigentes apresentaram para a Gepes a urgência na realização de concurso público para admissão de mais funcionários. Além de novos concursos, as dirigentes ressaltaram a importância do Banco do Brasil rever sua política de gestão de pessoas e trouxeram pro centro do debate o acolhimento, incentivo e valorização dos funcionários. “Hoje a gente percebe que as pessoas já não estão tão entusiasmadas em prestar concurso para o BB como já foi um dia. E depois que ingressam não ficam motivadas a se manter no banco e muitas logo saem, porque esse ambiente de trabalho que temos hoje não atrai, nem estimula as pessoas a construírem uma carreira. Elas já entram com menos benefícios e encontram um ambiente adoecedor. É fundamental abrir concursos e garantir que os novos tenham os mesmos direitos dos demais”, ressaltou Goretti.
Com a implantação do Inova, diversas agências tiveram os caixas extintos, o que impactou não apenas o funcionamento interno daquela unidade, mas também das unidades no entorno que tiveram que absorver a demanda de atendimento daqueles clientes, ou seja, uma agência passa a suportar a demanda da outra, mas com o mesmo número reduzido de funcionários, sobrecarregando ainda mais aqueles trabalhadores. De acordo com a diretora Bethania Emerick, há casos de agências com tão poucos funcionários que o funcionamento fica inviável. “Tem agências com número tão reduzido de funcionários que quando um precisa sair de atestado, ou mesmo, de férias, abono, o outro colega fica sozinho no setor e ainda mais estressado e pressionado”, pontuou Bethania.
Goretti deu o exemplo de Colatina, onde somente a agência do centro tem o serviço de caixa presencial e, além da demanda da cidade, atende também a demanda das cidades vizinhas. “Em Colatina, recentemente, numa situação como essa, o atendimento presencial no caixa precisou ser suspenso, pois só havia um funcionário na função e seria inviável ele dar conta sozinho de atender a demanda de trabalho que o porte dessa agência recebe”, explicou.
Em outras agências, a falta de pessoal está sendo sentida na ausência de funcionários destacados para dar suporte aos clientes no auto atendimento. “Questionamos a Gepes porque nos caixas eletrônicos não fica mais ninguém para atender os clientes. Deixar a população à deriva, sem suporte no atendimento para realizar um operação é absurdo. O BB precisa lembrar seu papel de banco público que prioriza o bom atendimento à população, ao invés de priorizar apenas venda de produtos para um determinado nicho”, criticou Bethania.
Segundo a Gepes, a prerrogativa de definir se vai ter um funcionário disponível no autoatendimento ou não é do gestor da unidade. Além disso, o banco explicou que já buscou resolver a falta de funcionários nas agências de difícil provimento, oferecendo benefícios para que funcionários se interessem em ir para essas localidades. Contudo, as dirigentes enfatizaram que várias agências que não estão na lista de difícil provimento também estão sofrendo com a carência de funcionários.
Obras
Na reunião, as dirigentes também reiteraram que o sindicato já enviou ofício solicitando um cronograma completo das obras que estão previstas nas agências ao longo do ano, a fim de que seja possível realizar o ajuste de conduta garantindo assim o bem estar dos trabalhadores durante as reformas.
“É fundamental que o banco disponibilize a agenda de obras com informações detalhadas dos impactos da reforma para que possamos negociar o que pode ser feito com a agência funcionando sem comprometer a saúde dos trabalhadores. E o que não dá para ser feito é necessário ajustar de outras formas, alterando horários, dias, retirando os funcionários. O que não dá é ter grandes obras causando ainda mais estresse, inviabilizando as condições de trabalho, prejudicando a saúde dos trabalhadores e precarizando o atendimento aos clientes”, defendeu a dirigente Glória.
As dirigentes citaram como exemplo a agência de Afonso Cláudio no interior do estado que vem passando por uma grande reforma que está comprometendo o trabalho dos funcionários e o atendimento aos clientes e o termo de ajuste de conduta não foi feito.
Veja fotos abaixo:






PLR
No último ponto tratado na reunião, as dirigentes cobraram uma solução para a situação dos funcionários que foram prejudicados com o erro operacional na implantação do Inova, que zerou a produção do terceiro trimestre de 2024, fazendo com que diversas agências não conseguissem alcançar os parâmetros mínimos e recebendo a PLR variável com desconto.
A Gepes ficou de encaminhar as demandas para a direção do banco e também conversar com os gestores.

