Diretores do Sindicato dos Bancários/ES se reuniram nesta quarta-feira, 09, com a Gerência de Recursos Humanos do Banestes (Gereh), representada pelo gerente geral Alexandre Carlquist e a coordenadora de RH Fernanda Passamani. Na pauta, foram discutidas a retomada das tratativas do Banescaixa, falta de isonomia no comissionamento de gerentes e de outras funções, reduzido número de funcionários nas agências, contratação de concursados e medidas sanitárias relacionadas no combate à covid-19.

A reunião desta quarta, destaca o diretor Sindicato Jonas Freire, vinha sendo insistentemente cobrada pelo Sindicato. O dirigente lembra que essa pauta foi apresentada ao Banestes em outubro do ano passado, mas o banco vinha protelando uma devolutiva sobre as demandas do Sindicato. “Importante registrar que essa devolutiva ocorre quase quatro meses depois. Os funcionários e as funcionárias do Banestes não podem ficar aguardando um posicionamento do banco em questões tão relevantes por um período tão longo”, criticou Jonas. Ele acrescenta ainda que o Sindicato cobrou diversas vezes, ao longo desses quatro meses, uma data para se reunir com o Banestes.

Banescaixa

Na avaliação de Jonas, o Banescaixa, que já era um tema central na reunião ocorrida quatro meses atrás, continua na ordem do dia. “Banescaixa é um tema sensível porque envolve a saúde dos banestianos e ainda estamos enfrentando uma pandemia”. O dirigente reforçou que é preciso discutir uma série de demandas em relação ao plano de saúde. Ele lembrou que o Grupo de Trabalho (GT) com a missão de negociar uma proposta de custeio mais sustentável para a Banescaixa foi criado em 2019, mas as tratativas não avançaram de lá para cá.

Segundo Jonas, os representantes do Banestes prometeram iniciar as negociações com o GT do Banescaixa entre o final de fevereiro e início de março. “Vamos aguardar para conferir se desta vez as negociações avançam”.

Falta de isonomia nas comissões

Foi apontado pelos representantes do Coletivo Banestes que há hoje diferenças no valor das comissões entre gerentes. Jonas citou o caso dos gerentes de relacionamentos das quatro agências empresariais: São Paulo, Linhares, Campo Grande (Cariacica) e Civit (Serra).

O banco reconheceu a diferença e sustentou que ela se justifica. Carlquist explicou que o Banestes contratou uma consultoria para fazer um estudo de cargos e funções e analisar o valor dessas comissões pela realidade do mercado. Segundo o estudo, os gerentes de relacionamentos das agências empresariais deveriam ganhar uma comissão maior porque o trabalho desenvolvido é mais complexo por envolver grandes balanços de contas de Pessoas Jurídicas (PJ).

“Contra-argumentamos que em outras agências os gerentes também fazem a gestão de contas PJ e deveriam receber a mesma comissão”. O RH refutou a tese e recorreu novamente ao estudo da consultoria para justificar a diferença. Acrescentou, porém, que essas avaliações sobre comissões ainda estavam sendo concluídas.

O Sindicato também cobrou explicações sobre as diferenças de comissão entre os gerentes de recuperação de crédito (Gerat) e os gerentes de análise e administração de crédito. A Gerência de RH usou a mesma justificativa. Disse que estava seguindo o estudo encomendado à consultoria, que apontou que a atividade desenvolvida pelos gerentes administrativos é mais complexa, o que justificaria a diferença.

Analista econômico financeiro

Na reunião de outubro, o diretor do Sindicato Marcelo Giacomin questionou se a consultoria também analisaria o cargo de analista econômico financeiro. Na devolutiva, Carlquist afirmou que a função de analista, segundo o estudo, poderia admitir gradações 1, 2, 3 e assim por diante. Ele deixou subentendido que cada uma dessas gradações teria remunerações diferenciadas.

Giacomin, no entanto, afirma que essa informação ficou um pouco difusa na explicação. “Não foi apresentado ao Sindicato os detalhes desse estudo da consultoria. Explicaram que foi feito um levantamento de todos cargos/funções, considerando informações sobre a descrição de funções que partiram dos próprios funcionários, para traçar uma remuneração compatível com a realidade de mercado”.

O dirigente acrescenta que o Sindicato precisaria ter acesso ao relatório completo da consultoria para entender exatamente como os critérios de comissionamento estão sendo aplicados.

Condições de trabalho e contratações

Condições de trabalho foi outro tema tratado na reunião. Segundo Jonas, é flagrante a redução de funcionários nas agências, que têm funcionado, em muitos casos, de maneira precária. “Colocamos que, mesmo antes da pandemia, já havia um déficit de funcionários e cobrança do banco por metas cada vez mais intangíveis. Com a pandemia, e agora com o aumento de casos de covid e o grande número de adoecimentos, essa situação crítica se tornou caótica. Quando o cliente chega na agência, quer ser atendido. Ele não quer saber que a agência que funciona com 10 funcionários está com quatro ou cinco. A bomba acaba estourando no colo do funcionário, que recebe, na ponto do atendimento, todo o descontentamento do cliente”, assinala Jonas.

“Por isso cobramos, mais uma vez, a urgência de convocar os técnicos bancários aprovados no último concurso”, pontua Giacomin. O gerente de RH respondeu que o Banestes está contratando quatro técnicos bancários, mas garantiu, sem definir um número ou uma data, que novos concursados serão convocados. O RH justificou ainda que está sendo feito um levantamento para definir quantos técnicos bancários serão chamados.

O dirigente alerta que o banco tem priorizado a contratação de funcionários para a área de Tecnologia da Informação (TI) com mais agilidade na comparação com o cargo de técnico bancário. A proporção das convocações também tem sido diferente. Nessa última, foram chamados 30 profissionais de TI contra quatro técnicos bancários.

Jonas aponta que há uma contradição entre a promessa de novas contratações e o anúncio de um novo Plano de Desligamento Voluntário (PDV). Ao mesmo tempo em que o Sindicato cobra novas contratações, o Banestes anunciou, no último dia 7, um novo PDV. “O banco dá com uma mão e tira com outra. No final das contas, corremos o risco de ficar com o saldo ainda mais negativo”, critica o dirigente.

Pandemia

Como não poderia ser diferente, o assunto pandemia foi outro tema de destaque na reunião. Os diretores reivindicaram o cumprimento rigoroso dos protocolos sanitários de combate à covid. A Gerência de RH afirmou que o banco orienta os gestores para que os protocolos sejam seguidos à risca, de acordo com as recomendações das autoridades sanitárias. Acrescentou também que o Banestes já autorizou que as unidades façam a compra das máscaras tipo PFF2 para os funcionários, consideradas mais eficazes na filtragem do vírus.

“A explosão dos casos de covid na categoria bancária preocupa o Sindicato”. Giacomin destaca que o levantamento feito pelo Secretaria de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato registrou um aumento impressionante no número de casos de covid na categoria.

No acumulado dos dois primeiros anos da pandemia foram contabilizados 458 casos entre bancários e bancárias capixabas. Somente no mês de janeiro deste ano foram 529 casos conhecidos da doença. A média mensal em 2020 e 2021 foi de 21 casos ante 529 de janeiro, o que representa um aumento de 2.400%. O levantamento feito pelo Sindicato pode conter uma grande subnotificação de casos. A maioria dos bancos não repassa ao Sindicato os casos registrados de covid.

O Banestes lidera o ranking de janeiro no Estado com 188 casos da doença, seguido pela Caixa (149) e pelo Banco do Brasil (86). (Gráfico acima).

Jonas afirma que foi cobrado do Banestes medidas para reduzir o fluxo nas agências que seguem com número reduzido de funcionários, devido aos afastamentos em decorrência da variante ômicron. “Ressaltamos que é preciso fazer o contingenciamento do atendimento, como ocorreu em outros momentos mais agudos da pandemia, para reduzir a demanda de pessoas nas agências. Com um número reduzido de funcionários, o banco tem de voltar a atender as demandas mais urgentes, orientando os clientes a buscarem outras vias de atendimento que não a presencial. Essa é uma medida que pode mitigar a lotação das agências e evitar esse caos que está acontecendo em algumas agências com alta demanda e poucos funcionários”, adverte Jonas.