A partir de julho deste ano, a Caixa Econômica anunciou de forma impositiva, ou seja, sem discussão prévia com o movimento sindical, o Super Caixa – programa de remuneração variável. Desde que foi implantado, o programa tem sido alvo de críticas das entidades de representação das empregadas e empregados. O programa alterou as regras de habilitação, cálculo e distribuição da premiação, ampliou exigências e, na prática, tornou mais difícil o acesso ao benefício, principalmente para quem atua diretamente nas agências.

Dirigente do Sindicato dos Bancários/ES e integrante da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Ronan Teixeira primeiramente sublinha que o movimento sindical defende que todas as remunerações sejam sempre igualitárias. “Uma vez que a Caixa impôs unilateralmente o programa, é nosso papel fiscalizá-lo. A falta de transparência é um dos problemas centrais do programa”. Além de não garantir transparência, o dirigente aponta a pressão excessiva por resultados e a adoção de critérios injustos como queixas recorrentes dos empregados. “O trabalhador precisa receber pelo seu trabalho: vendeu, recebeu. Sem transparência é impossível para o trabalhador saber se está recebendo uma remuneração justa. As regras precisam ser claras. Entretanto, seis meses após a implantação do Super Caixa, os colegas ainda não entenderam quais são as regras do programa”. 

Segundo as entidades sindicais, o modelo reforça a cobrança por metas, carece de previsibilidade e não reflete de forma fiel a realidade das agências, especialmente diante do quadro reduzido de pessoal e do aumento constante de demandas geradas por programas sociais e políticas públicas operadas pela Caixa. A CEE aponta que o programa reforça desigualdades e não considera as condições reais da rede de atendimento. A CEE avisa que continuará cobrando mudanças e que a Caixa deve respeitar o diálogo com as entidades. 

Principais críticas
Entre os pontos mais criticados, destacam-se:

  •   Exigências elevadas de habilitação, baseadas em resultados de unidade que não dependem exclusivamente do esforço individual;
  •   Indicadores complexos e pouco transparentes, dificultando o entendimento do cálculo;
  •   Penalizações por desempenho de terceiros, o que desestimula o trabalho coletivo e gera conflito interno;
  •   Pressão permanente por metas, ampliando o risco de adoecimento;
  •   Ausência total de negociação com as entidades representativas, desrespeitando a mesa permanente;
  •   Impacto direto sobre a renda, já que o programa substitui mecanismos anteriores mais estáveis e previsíveis.

Programa abre portas para o assédio e o adoecimento
Ronan, que é secretário de Saúde do Sindicato, chama atenção para o fato de o programa gerar impactos na saúde mental das equipes. Ele aponta a cobrança excessiva por metas como gatilho para o adoecimento mental. O dirigente critica que o programa, que veio com a proposta de “premiar” o empregado, na verdade acaba punindo o trabalhador.

Mudanças urgentes
Diante das inconsistências e dos impactos negativos do modelo, a CEE/Caixa cobra:

  •   Negociação efetiva das regras;
  •   Simplificação dos critérios;
  •   Transparência nos indicadores;
  •   Proteção à saúde mental;
  •   Previsibilidade na remuneração;
  •   Respeito às condições de trabalho da categoria.

O movimento sindical reforça que o reconhecimento aos trabalhadores e trabalhadoras que constroem diariamente a Caixa não pode se dar por meio de programas que ampliam desigualdades, geram insegurança e ignoram a realidade enfrentada por quem atende milhões de brasileiros em todo o país. “É preciso que a Caixa volte imediatamente à mesa de negociação para discutir com o movimento as demandas apresentadas pelos trabalhadores”, assinala Ronan. 

(Com informações da Contraf)