
Bancários do BB reafirmaram: somos todos Cassi! Fotos: Sérgio Cardoso
Numa demonstração de defesa da Caixa de Assistência dos empregados do Banco do Brasil, os bancários e bancárias do BB deram hoje, 22, um abraço simbólico no prédio do banco na Pio XII, no Centro de Vitória. A ação fez parte de um Dia Nacional de Luta pela Cassi, convocado para mobilizar a categoria contra os ataques ao plano de saúde e pressionar a reabertura das negociações com o banco sobre o tema.
A sustentabilidade da Cassi é uma das pautas centrais dos empregados do Banco do Brasil. Hoje, o Plano de Associados apresenta um déficit estrutural, e o banco vem pressionando a categoria para alterar o estatuto da Cassi, com mudanças que seriam prejudiciais aos trabalhadores. A proposta do banco, já rejeitada pelos associados, pretendia quebrar o princípio da solidariedade e a paridade entre ativos e aposentados, transformando a Cassi em um plano similar aos de mercado.
Durante o ato, os dirigentes do Sindibancários/ES falaram sobre a importância da Cassi para a saúde dos funcionários. “A Cassi foi construída pelos empregados, que batalharam para ter esse plano, e é através da Cassi que o banco cumpre o seu dever legal de cuidar da saúde dos trabalhadores, saúde que é afetada muitas vezes em decorrência da própria atividade laboral”, destacou Thiago Duda, empregado do BB e diretor do Sindicato.
Ele destaca que a preservação da Cassi também está relacionada à manutenção do BB público, já que o plano acaba sendo um entrave para o interesse do governo em privatizar o banco. Para o diretor, os bancários e as bancárias estão atentos à política de desmonte do BB e mobilizados no sentido manter o plano e defender aquilo que construíram. No ato de hoje, todos os empregados do prédio participaram da ação.
Bancários vestiram camisa da campanha Somos Todos Cassi
“Dá para ver que a categoria está preocupada em defender a Cassi. Os trabalhadores estão entendendo o momento, e se colocaram para defender a manutenção do plano de saúde nos moldes que temos hoje”, disse.
Em 2019, a Cassi apresentou resultados positivos, porém, ainda insuficientes para recomposição do patrimônio nos níveis exigidos pela Agência Nacional de Saúde (ANS), o que levou a ANS a submeter a Cassi a um Regime Especial de Direção Fiscal.
Os empregados do BB, junto com as entidades representativas, pressionam para que sejam reabertas as negociações com o banco sobre a Cassi, para garantir um acordo satisfatório em relação ao custeio do plano.
Cassi precisa ampliar arrecadação para 14% da folha, conclui estudos do GT
Em novembro de 2018, o Grupo de Trabalho da Cassi, que é formado por profissionais das áreas de atuária e finanças da Cassi e por representantes das entidades que compõem a Comissão Nacional de Negociação, apontou a necessidade de garantir uma arrecadação equivalente a 14% da folha de pagamento dos associados da ativa e aposentados para solucionar problemas financeiros e suprir as obrigações da Cassi a curto, médio e longo prazo. Foi uma conclusão unânime do GT que, com essa arrecadação, o Plano de Associados restabeleceria o fluxo de caixa positivo e reconstituiria suas reservas livres e obrigatórias, readequando seus índices de liquidez e solvência aos níveis exigidos pela ANS.
O problema de custeio da Cassi não decorre das despesas – cujos indicadores, quando comparados aos planos de mercado, são positivos –, mas da receita, que passou a ser insuficiente após 20 anos de arrecadação de 7,5% da folha de pagamento.
Entre as propostas que estão sendo discutidas pelo funcionalismo e entidades, o Sindicato defende que seja feito um aditivo ao acordo temporário firmado em 2016, para garantir os aportes dos associados e da patrocinadora até 2024. É importante que se chegue ao percentual de arrecadação apontado pela Cassi, de 14% da folha de pagamento, distribuídos da seguinte maneira: 8,4% para o Banco do Brasil e 5,6% para os associados, que devem decidir a melhor forma de fazer o aporte.
Hoje, pelo estatuto da Cassi, cada empregado contribui com percentual de 3% sobre os salários, e o banco com 4,5%. O memorando de entendimento, assinado em 2016, prevê o aumento temporário de 1% sobre o percentual pago pelos empregados, além de um aporte do BB no valor de R$ 23 milhões (R$ 27 milhões, em valores atualizados).

Sindicato distribuiu jornal que detalha situação da Cassi e proposta para alcançar a sustentabilidade
Modelo de atenção à saúde tem os melhores resultados do mercado
O relatório da Accenture, consultoria contratada para avaliar a situação da Cassi, aponta que o Plano de Associados da Cassi, que atua com foco na atenção primária e com a estratégia de Saúde da Família, tem um rol de cobertura maior do que o exigido pela ANS, um dos maiores índices de atendimento a idosos, maior número de consultas por usuário/ano, o maior número de exames por usuário/ano, e um dos maiores números de exames por consulta por usuário. E, mesmo com esses dados, a Cassi, especialmente o Plano de Associados, tem o menor custo per capita do mercado, em todas as faixas etárias.
Isso porque o foco na estratégia de atenção primária atua na prevenção, promovendo, deliberadamente, mais exames e consultas, o que permite reduzir o número de internações e cirurgias, que são procedimentos mais caros e de alto risco, alcançando resultados expressivos.



